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Com o pet na mala

Planeja levar o animal para as férias? Preparamos um guia com tudo o que você precisa saber antes de embarcar no avião ou pegar a estrada

postado em 01/07/2011 12:21

Gláucia Chaves // Especial para o Correio
Conforme a data das tão esperadas férias se aproxima, começam também os preparativos para colocar o pé na estrada. Malas prontas, destino escolhido e reservas feitas, resta a dúvida: será uma boa ideia levar junto o animal de estimação? Segundo dados da companhia aérea TAM, cada vez mais os donos têm optado por não se separar dos animais nos dias de descanso. Em 2009, aproximadamente 26 mil cães e gatos viajaram. No ano seguinte, esse número aumentou para 27 mil. Até o fechamento desta edição, cerca de 13 mil animais já tinham embarcado em 2011. Contudo, como são mais sensíveis a mudanças que os humanos, os bichinhos precisam de cuidados especiais. Se você não quer abrir mão da companhia do seu melhor amigo, saiba que é preciso organização e planejamento.

De tanto viajar com os seus pastores alemães, Pedro Augusto comprou um reboque para acoplar ao carro: quatro cães podem ser transportados no maior confortoDe acordo com o Ministério da Agricultura, órgão responsável por regulamentar o transporte de animais no Brasil, cães e gatos precisam ter um atestado de saúde assinado por um veterinário habilitado antes de viajar, para garantir que o pet está com todas as vacinas em dia. No documento, constarão todos os dados necessários para a identificação do bicho, como nome, sexo, espécie, raça, idade, número de identificação (microchip ou tatuagem), tipo de pelagem, cor e data de nascimento. Se a viagem for internacional, é preciso providenciar o Certificado Zoossanitário Internacional (CZI), expedido pelo Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro). Na volta, os donos devem procurar os órgãos responsáveis por emitir o CZI no país em que estiverem ; uma vez que o documento da Vigiagro só é válido para deixar o país, e não para retornar.

Antes de qualquer coisa, porém, a médica veterinária Tatiana Cristine Cassimiro Vieira alerta que o animal precisa estar com as vacinações em dia e devidamente vermifugado. ;Algumas companhias aéreas exigem um atestado sanitário emitido pelo veterinário que acompanha o bicho;, completa. Segundo a profissional, em viagens de até quatro horas, o cão pode ficar sem comida. ;Se o trajeto durar mais tempo, é bom dar pequenas quantidades, até que se chegue ao destino final, para que ele não fique enjoado ou tenha diarreia;, ensina. A caixa de transporte do animal, conhecida como kennel, precisa ser suficientemente grande para que o bicho consiga dar uma volta completa em torno de si mesmo, tanto em viagens aéreas quanto em terrestres.

Além dos aspectos técnicos da viagem, os donos precisam levar em consideração o lado emocional dos bichinhos. Animais domésticos sentem as mudanças climáticas de maneira mais intensa que seus donos. Por isso, é bom evitar levá-los a lugares onde a temperatura ambiente é muito diferente da que estão acostumados. Animais idosos, por serem ainda mais frágeis, exigem atenção redobrada ; especialmente no que diz respeito ao conforto do bicho ao longo da jornada. No caso de cães ou gatos muito agitados, Tatiana diz que medicamentos para mantê-los mais calmos podem ser usados, desde que receitados pelo veterinário. ;É preciso saber qual substância é mais indicada para cada caso;, pondera. ;Há hoje no mercado de fitoterápicos a sedativos leves para esse fim.;

Pedro Augusto Cavalcante D;Albuquerque está mais que acostumado a viajar com animais. Aos 54 anos, o analista de textos legislativos conta que já acumula 41 anos de experiência na criação de pastores alemães. Seja de carro ou avião, ele precisa deixar Brasília rumo a outras cidades ao menos quatro vezes ao ano, para levar os cães a exposições ou mostrá-los a possíveis compradores. Para facilitar o transporte terrestre, Pedro achou melhor adquirir um reboque. O apetrecho consiste em um compartimento fechado, dividido em quatro boxes acolchoados e com espaço suficiente para os cachorros não se sentirem confinados durante a viagem. Ele vai acoplado ao carro. ;O carrinho também é bom para que eles passem o tempo inteiro devidamente ventilados.;

Além dos cuidados com a ventilação e com o espaço destinado aos animais, Pedro conta que, quando viaja de carro, faz pequenas pausas a cada duas horas para que os cachorros se alimentem, bebam água e estiquem as pernas. ;Não preciso nem dar sedativos ou coisa parecida porque eles já estão acostumados;, diz. Quando a viagem é longa, porém, os cuidados precisam ser ainda mais específicos. ;A maior distância que percorremos foi de Brasília a Recife (cerca de 2.220 Km). Dividi a viagem em dois dias para eles não se cansarem muito;, relembra. Para que os animais não fiquem enjoados ou com mal-estar, o dono diz ainda que evita dar comida antes da viagem.

Agradecimentos: pet shop Armazém Rural e consultório veterinário Espaço Vet

Ele vai!
Resolveu levar o animal de estimação? Veja algumas sugestões de kennels e acessórios para garantir que o bichinho tenha uma viagem tranquila.
Caixas Plaspet nº 1 (R$ 90); padrão TAM (R$ 120) e Gulliver (R$ 112)

Cinto de segurança para carro (R$ 25); mochila carrinho (R$ 360) e caixa transporte Gulliver (R$ 594)


Bolsa Bad Dog (R$ 180) e bolsa sem courino prata com azul (R$ 210)

Como levar
Seja de carro ou de avião, os animais precisam estar bem acomodados e seguir algumas regras antes de embarcar. Veja algumas dicas de segurança para os animais durante as viagens.

De carro
Em viagens terrestres, deve-se evitar que o animal fique solto. O ideal é levar o bicho no banco de trás, com a cabeça sempre dentro do carro. Se não for possível providenciar um kennel, prenda a guia ao cinto de segurança. Cuide para que a ventilação esteja adequada e não dê comida até duas horas antes da viagem para evitar enjoos. Pare a cada duas horas para que o animal faça suas necessidades fisiológicas e não se esqueça de hidratá-lo. Se for o caso, procure um veterinário para receitar algum sedativo leve ao cão ou ao gato, que possa amenizar o estresse do passeio. Leve sempre o atestado de saúde assinado por um veterinário habilitado.

De avião
As regras para o transporte de animais em aviões vai depender de cada companhia aérea, mas todas exigem o kennel com espaço suficiente para que o bicho consiga dar uma volta de 360;. Para viagens internacionais, é preciso providenciar o Certificado Zoossanitário Internacional (CZI), emitido pelo Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro). Geralmente, quando o peso do animal mais o da caixa de transporte ultrapassa 10kg, ele não pode ser transportado na cabine. O dono deve fazer a reserva junto à companhia aérea com, no mínimo, 24 horas de antecedência. Para animais com mais de três meses de idade, é exigido o Certificado de Vacinação anti-rábica, que tem que ser aplicada de 30 dias a um ano antes do embarque. Não se esqueça que a validade do atestado de saúde emitido pelo veterinário é de 10 dias.

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