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BICHOS » Novinhos em folha O shock wave, aparelho que promove revitalização de ossos e músculos, agora é aplicado também em animais de porte menor

Publicação: 28/07/2011 20:23 Atualização: 29/07/2011 20:03

Rafael Campos

Quartz não é um labrador qualquer — e não apenas por sua beleza. O cachorro é famoso nacionalmente por ter participado da novela global América, em 2005, no papel de um cão-guia, função desempenhada também na vida real. Hoje ele tem 11 anos e merece descanso. Apesar de todas as regalias dispensadas por sua dona, a psicóloga Fernanda Alves, 28, o mascote desenvolveu artrose e começou a ter dificuldades para se locomover. “Ele passava o dia deitado e precisava de ajuda até para entrar no carro”, lembra.

Além da fisioterapia, ela resolveu experimentar uma outra técnica, de resultados comprovados em humanos, mas recente em animais, a shock wave terapia. A veterinária brasiliense Lídia Dornelas é a primeira no Brasil a administrar o tratamento em bichos de pequeno porte. “Ela ajuda desde os maiores, como cavalos, até os menores, como alguns répteis. E, nos cachorros, sua eficáfia é alta”, revela. O shock wave é um método não invasivo que usa ondas de choque para estimular a regeneração de áreas problemáticas, acelerando a cura e, ao mesmo tempo, diminuindo a dor.

O labrador Quartz, por exemplo, já não tem problemas em subir no veículo de Fernanda quando tem de sair de casa. “A situação dele melhorou bastante. O efeito na dor foi imediato e, no dia seguinte, ele já caminhava melhor. Fiquei muito entusiasmada com o resultado e pretendo levar a minha cadela para fazer também”, diz a dona. Lídia explica que o shock wave é indicado, principalmente, para tratar desordens músculo-esqueléticas, como a própria artrose, e até mesmo feridas crônicas, que não cicatrizam. “O shock wave aumenta a vascularização, recruta fatores de regeneração, como células tronco, e ajuda na liberação de citocinas — tudo para tentar regenerar o tecido.”

O tratamento é usado para os mesmos fins em seres humanos. Porém, só como recurso em casos extremos. Já nos animais, quando mais cedo, melhores podem ser os resultados. A égua Candeia Dash viu um repouso forçado de três meses, em consequência de uma síndrome da navicular, ser resolvido em uma semana. O bicho, que compete em provas de três tambores — esporte no qual três deles são dispostos em forma de triângulo e o cavalo tem de percorrer esse trajeto no menor tempo possível —, já seria colocado de molho para as competições de 2011.

“A recuperação dela foi fantástica. Na semana seguinte, a testamos em uma competição e ela voltou a performance anterior ao problema nas patas”, conta Luciana Lima, 25, dona de Candeia e competidora. Ela explica que, nas retas, o animal mantinha sua velocidade, mas sentia muita dor quando precisava fazer as curvas. Com o shock wave, não só ela conseguiu apressar a cura, como garantiu que ela voltasse a competir. “Cavalo que dá problema sempre fica muito tempo parado.

Tanto que já havia pensado em desistir do campeonato para ela este ano. Mas ela parou de sentir dor e está participando normalmente das provas.”

O caso de Candeia Dash é notável, mas Lídia alerta que é preciso esperar entre 21 e 45 dias para ter certeza do sucesso do tratamento. Normalmente, só é necessária uma sessão. “É como se você estivesse reacordando o organismo: é preciso algo que dê forças para que ele se regenere. Por isso, a espera.” Mas, em relação ao poder analgésico da técnica, quase sempre ele aparece no dia seguinte à aplicação.

Esta acontece através de um aparelho que, nas palavras de Lídia, dá pequenas pancadas sucessivas nas áreas lesionadas. São 7 diferentes nos caninos e 15 nos equinos, percorrendo várias partes do corpo. Lídia está em conversa com a direção do Zoológico de Brasília para que os bichos silvestres com complicações possam usufruir dos benefícios do shock wave.
Uma sessão custa, em média, R$ 300 a R$ 500, dependendo da quantidade de locais a serem aplicados. Mas, como é para aliviar a dor do bichinho de estimação, ninguém reclama.


As principais indicações do shockwave:

- Artrose, principalmente em cães mais velhos, com dificuldades de locomoção;
- Pacientes diagnosticados com displasia;
- Pacientes diagnosticados com tenossinovite (atrito excessivo do tendão que liga o músculo ao osso);
- Feridas crônicas que não cicatrizam;
- Cães que têm calos de apoio;

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