revista

NUTRIÇÃO » Da colheita ao prato O caminho percorrido pelos alimentos antes de chegar à mesa não se resume a um passeio da gôndola à despensa, a bordo de um carrinho de compras

Rafael Campos

Publicação: 27/11/2011 08:00 Atualização: 25/11/2011 21:00

Todos aprendemos na escola que agricultores e pecuaristas são os fornecedores primários do alimento que, um dia, estocaremos na geladeira. Ainda assim, é grande o desconhecimento com relação à cadeia produtiva. Nesta edição especial, refazemos a trajetória de dois itens corriqueiros na dieta do brasiliense: morangos e tomates. No primeiro caso, conhecemos um produtor de Brazlândia cujo plantio é tradicional, forma mais difundida no país. No caso dos tomates, visitamos uma fazenda de produtos orgânicos, de plantação diferenciada. Aproveite o passeio e conheça melhor o que você consome.

A SAGA DE UM MORANGO

 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

1) No pé, numa boa
Na propriedade do agricultor Fernando Kubota, os morangos são plantados há 10 anos. Hoje, ele já pode ser considerado um produtor patronal, pois contrata trabalhadores temporários para a colheita, em vez de ter apenas a família como força braçal.
 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

2) Sendo colhido
A colheita do morango é mais intensa entre os meses de março e setembro. Nessa época, há morango para ser colhido todos os dias. No restante do ano, quando as chuvas são mais fortes, o fruto só é retirado da terra três vezes por semana. E haja força na coluna dos que o catam, já que o vegetal é rasteiro. A forma de irrigação é o gotejamento, no qual a planta recebe água por baixo, através de canos enterrados. Assim, a parte de cima fica seca, o que impede o surgimento de fungos e bactérias que se proliferariam em ambientes mais úmidos.
 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

3) Protegido de pragas
Nem toda a plantação pode ser colhida diariamente, já que é preciso aplicar o agrotóxico para impedir o surgimento de pragas. Quando determinada área recebe os produtos químicos, ela precisa de um tempo de carência. Na época em que o morango pode ser colhido, essa carência é de um a três dias. Já na fase de plantio, esse tempo é maior: entre sete e 14 dias apenas com irrigação. E, como se vê na foto, quem aplica também precisa de todo um aparato de proteção para que não haja riscos.
 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

4) Hora do embarque
Após a colheita, a família de Fernando Kubota entra em ação. Eles separam os melhores morangos e os embalam. Nessa hora, o cheiro da fruta toma conta do ambiente. Diariamente, são embaladas cerca de 400 caixinhas. Todas recebem também um adesivo, em que se lê informações nutricionais e a origem do produto, bem como sua validade.

 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

5) Escolhido a dedo

Os esforços continuam. Nas madrugadas de quinta-feira e sábado, Fernando acorda às 2h para levar a produção até o Centro de Abastecimento do Distrito Federal S.A. (Ceasa – DF). Além de morango, ele planta goiaba e vagem. Os compradores também chegam cedo e escolhem bem, já que a maioria é revendedor. Fernando vende cada embalagem por R$ 4. Rogério Muniz Netto (foto), proprietário do mercado La Palma, escolhe os produtos pessoalmente.
 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

6) Opa, quase chegando

Do agricultor para o revendedor e de lá para as prateleiras. Rogério, do La Palma, explica que mantém um grupo de fornecedores certos por conta da qualidade dos produtos.
Ele conta que tem uma relação próxima com quem compra e que já chegou a dar sementes de alguns vegetais para que eles fossem produzidos no Distrito Federal, como é o caso da rúcula romana.

 (Bruno Peres/CB/D.A Press)

7) Em boas mãos
Nelly Alves Rodrigues, 74 anos, compra há 50 dos irmãos que criaram o La Palma.
Ela lembra quando os produtos ainda ficavam expostos em um caminhão e do quanto era bom, numa Brasília ainda quase deserta, ter facilidade ao comprar frutas e verduras.
A aposentada ainda mantém o costume de comprar tudo fresquinho, agora pensando mais na alimentação dos netos.




O TOMATE EM CINCO ATOS


 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

1) Na lavoura
A Fazenda Malunga produz orgânicos há 28 anos. Lá, além do tomate comum, é produzido o sweet grape, uma variedade japonesa, pequena e menos ácida que seus pares, com um sabor bem adocicado. Alimento orgânico é aquele que, além de não levar agrotóxico no plantio, é colhido numa cadeia produtiva que respeita o meio ambiente e os trabalhadores.

 

 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

2) Rumo à estufa, sem agrotóxico
O tomate sweet grape segue o mesmo esquema de irrigação do morango, por gotejamento. Porém, segundo Valter Caetano Júnior, engenheiro agrônomo responsável pela produção dele na Malunga, o processo de produção é bem mais detalhado, já que os orgânicos não podem levar agrotóxicos. Os tomates, por exemplo, ficam em estufas, que evitam contato com o exterior. A quantidade de frutos por pé é controlada, bem como os níveis de nitrato, fósforo, potássio, magnésio e cálcio — graças a tecnologias que, garante Valter, estão 10 anos à frente da produção tradicional.

 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

3) Padrão de qualidade
Da terra, os tomates seguem para o processo de embalagem. Lá, funcionários os lavam e selecionam os melhores, colocando-os em embalagens no formato de cachos, nas quais pode ser visto o selo do Ministério da Agricultura que garante a procedência orgânica. Somente com este selo é que o produto pode se dizer orgânico.

 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

4) Batendo à porta
Na Malunga, os clientes pedem seus produtos por meio do site e eles são entregues em casa. Todos os dias, as verduras, as frutas e o leite chegam da fazenda já dentro de cestas, separadas de acordo com o que foi escolhido.


 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

5) Pronto para entrar na salada
Wilma Pizza, 57 anos, há 17 só se alimenta de produtos orgânicos. Carne, leite, verduras, frutas, azeite, cereais: tudo que é alimentação na casa vem do cultivo sem uso de agrotóxicos. A aposentada garante que a saúde dela e dos seus familiares mudou. E, para completar a consciência ecológica, todas as cascas de frutas são guardadas para produzir adubo, que depois é usado no jardim de Wilma.


VOCÊ SABIA…
Que o brasileiro é quem mais consome agrotóxico no mundo? Esse e outros dados estão no polêmico O veneno está na mesa, filme que o diretor Silvio Tendler fez para a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida. Lançada em julho do ano passado, a produção pode ser assistida no YouTube.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.