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Prazer em ser anfitriã

A capital se vestiu de todas as cores para testemunhar um mês inesquecível. Brasilienses contam como viveram essa experiência

Juliana Contaifer
postado em 13/07/2014 08:00
Talvez a Copa no Brasil não tenha sido mesmo a Copa do Brasil. Mas certamente foi a dos brasileiros. Em Brasília, pelo menos, não há quem diga que essa não tenha sido, sim, a Copa das Copas. Argentinos, colombianos, franceses, americanos e muitas outras nacionalidades vieram provar um pouquinho do nosso país em tempos de futebol.

Deixaram aqui também um pouco deles, nos seus gritos de arquibancada que ecoaram pelo Mané Garrincha nas sete partidas que o estádio recebeu, nas camisas amarelas da Colômbia que dominaram a cidade na véspera do jogo contra a Costa do Marfim, nas provocações pitorescas entre argentinos e brasileiros no jogo contra a Bélgica, que virou coadjuvante no duelo de torcida entre os rivais sul-americanos, nas bandeiras carregadas nas costas pelos pontos turísticos, nas palavras em português capenga que tentavam aprender a duras penas. É certo: nem o vexame da Seleção Brasileira ante os alemães na semifinal conseguiu apagar o brilho da nossa Copa do Mundo.

Entre o primeiro e o último jogo, as catracas do Estádio Nacional giraram quase 500 mil vezes para receber seus torcedores. Os turistas se apaixonaram pela Torre de TV. Fizeram fila para conhecer a Catedral. De ônibus, de táxi ou mesmo a pé, foram até o Taguaparque curtir a Fifa Fan Fest quando ninguém acreditava que, tão longe, a festa pegaria. Dormiram em barracas e trailers. Experimentaram a cerveja do Beirute e o samba do Calaf. E se a Copa foi intensa para quem veio de longe, para os brasilienses não foi menos emocionante.

Quem mora aqui viu de lugar privilegiado a Copa passar diante da sua janela. Brasilienses e turistas misturavam-se pelas festas e pelos bares da cidade, sem se importar em entender o que o outro dizia. Os monumentos da cidade, tão comuns a quem passa por eles de carro todos os dias ganharam brilho novo. O prato feito vendido na praça de alimentação da Torre, novo sabor. "Os gringos se apaixonaram por Brasília. Todos me disseram que aqui foi a melhor cidade pela qual passaram durante a Copa", revela, com conhecimento de causa, a guia Ana Lúcia Mendonça, que não abandonou seu posto do Centro de Atendimento ao Turista montado em frente ao Mané Garrincha nenhum dia durante todo o evento. Brasília teve, com o Rio de Janeiro, o calendário mais extenso de jogos. Mesmo assim, a Copa se despediu da capital ontem deixando no ar um sentimento que os gringos aprenderam aqui o que significa: saudade. Já pode pedir por mais Copa em Brasília?

A capital se vestiu de todas as cores para testemunhar um mês inesquecível. Brasilienses contam como viveram essa experiência

Um pé na Copa, outro no intercâmbio
A arquiteta Helena Trindade, de 25 anos, viu a Copa passar dos bastidores dos jogos, minutos antes da entrada dos jogadores para o hino dos seus países. Viu de perto Cristiano Ronaldo, assistiu a todas as partidas em Brasília de lugar privilegiado na arquibancada do Mané Garrincha e ainda leva para a Inglaterra, para onde parte no mês que vem para um mestrado na Universidade de Oxford, a grana extra que tirou com o trabalho e ótimas memórias das crianças da nossa Copa do Mundo.

"Eu estou indo para a Inglaterra no mês que vem fazer um mestrado e estava precisando de dinheiro. Como adoro Copa e já havia trabalhado na Copa das Confederações recepcionando a área VIP, quis tentar de novo este ano. Digitei na internet ;trabalho na Copa do Mundo; e acabei caindo no site de uma empresa que estava precisando de pessoas para monitorar as crianças que entrariam com os jogadores para o hino. Eram quatro pessoas aqui em Brasília e a gente trabalhava só nos dias de jogo. Quando o jogo era às 13h, precisávamos encontrar as crianças às 5h. Distribuíamos as camisetas do ensaio e passávamos o dia com elas. Ali mesmo perto do estádio, tem uma quadra de futebol, onde elas brincavam até a hora do jogo. Eu gosto tanto de Copa, estava me divertindo tanto, que nem considerava trabalho. A gente escolhia as crianças que entrariam com cada jogador mais pela liderança. Os mais importantes são o primeiro e o último, que puxam a fila. A primeira tinha que ser mais concentrada, mais líder. Algumas eram muito pequenas, mal sabiam o que estava acontecendo, então a gente deixava para entrar com os outros jogadores. A altura também contava. Por exemplo, uma criança muito alta não podia entrar com o Messi. Aqui em Brasília não tivemos problema de briga ou ciumeira para ver quem ia entrar com tal jogador, mas elas perguntavam muito, o tempo inteiro. No jogo do Brasil, principalmente. Quem ia entrar com quem, se a gente já sabia. Eles ficavam ansiosos, mas na hora dava tudo certo. Consegui entrar no túnel e ver os atletas apenas uma vez, no jogo de Portugal e Gana, porque o número de pessoas que fica ali é limitado. Com certeza, curti e vivi muito mais essa Copa do que qualquer outra passada. Nas outras, assistia mais aos jogos do Brasil pela TV, nessa pude acompanhar todos, inclusive no estádio. Depois que as crianças voltavam, entregávamos elas aos pais e tínhamos nosso lugar reservado na arquibancada. Com certeza, faria tudo de novo"

Leia a reportagem completa na edição n; 478 da Revista do Correio.

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