Renato Maia Guimarães e o cuidado com o outro

Ter o nome escrito na história da geriatria nacional não é um feito que o médico brasiliense exalte. Ele prefere exibir o troféu de ser amigo de inúmeros pacientes, tratados ao longo dos anos.

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postado em 19/04/2015 09:31 / atualizado em 20/04/2015 17:58

Flávia Duarte

A caneta não é uma Mont Blanc estrelada, tão comum nos bolsos de médicos renomados. É uma sem marca de grife. Mas é única e indispensável na vida do geriatra Renato Maia Guimarães, 62 anos. Ela foi adaptada para que o médico conseguisse segurá-la. Ao meio, uma espécie de triângulo garante a ergonomia exigida pelas limitações que ele enfrenta atualmente. Com lentidão, segura o objeto cuidadosamente. Uma mão ajeita a outra. Finalmente, com os dedos encaixados, assina seu nome, um de seus bens mais preciosos. E intransferível. A rubrica é a garantia que tem para seguir no exercício da medicina. E manter uma de suas paixões: o atendimento clínico. Se o médico não tem condições de assinar uma receita, não pode prescrever. Como atender, então?

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

“Falei que teria que parar de trabalhar no dia em que não conseguisse mais assinar meu nome”, comenta o médico, com serenidade, ao justificar que o Conselho Federal de Medicina não reconhece assinaturas digitais. É que Renato perde aos poucos o movimento dos braços, das pernas e do tronco. Uma paralisação gradativa, que começou a ser sentida em 2009. Ele foi diagnosticado com a chamada doença do neurônio motor, que compromete os movimentos do corpo, inclusive os das mãos.

Elas já estão enfraquecidas pela flacidez. Logo, estarão inertes. “A piora é crescente. A gente tem uma reserva funcional, que envolve musculatura e movimento. Assim, posso perder muita coisa e manter a capacidade de o músculo realizar algum movimento. Por isso, ainda consigo assinar meu nome, pegar um garfo e levá-lo até a boca, mas isso também acaba”, esclarece o médico.

E a assinatura em papel, será, então, perdida. Ainda que a possibilidade se confirme, Renato já deixou o nome registrado para sempre na medicina brasileira, especialmente na área de geriatria e gerontologia. Nascido em Uberlândia, veio para Brasília nos anos 1980 para trabalhar no hospital referência Sarah Kubitschek. Era a hora de colocar em prática os estudos de locomoção dos idosos, aos quais tinha se dedicado em uma universidade inglesa. Logo, foi convidado a fazer parte da equipe do Ministério da Saúde, onde criou o Programa de Saúde do Idoso. O ano era 1985. O conceito de geriatria ecoava pela primeira vez entre os que mandavam no Brasil. “Foi a primeira iniciativa do governo federal na área do envelhecimento. O programa criava um planejamento, uma estratégia de atender às demandas do envelhecimento populacional. Eu era a única pessoa que falava do assunto na Esplanada dos Ministérios.”

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Jean
Jean - 20 de Abril às 08:23
Dr Renato excepcional pessoa muito humana, minha mãe já falecida participou de uma turma de ginástica laboral na UNB, ele sempre estava presente e muito participativo, um médico muito humano e com grande saber na área da geriatria e gerontologia.
 
Vaneide
Vaneide - 19 de Abril às 21:10
Eu me lembro dessa época Dr. Renato e como me lembro. Fpi muito bom ter conhecido o Senhor no Ministério da Saúde.