MEDICINA

Hora de ir para casa

Enquanto a duquesa Kate Middleton saiu do hospital 10 horas após o nascimento da filha, Charlotte Elizabeth Diana, parturientes e recém-nascidos brasileiros ficam hospitalizados por, pelo menos, um dia

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 10/05/2015 08:00 / atualizado em 08/05/2015 16:07

Renata Rusky /Revista

A saída da duquesa britânica Kate Middleton do hospital apenas 10 horas depois dar à luz a princesa Charlotte Elizabeth Diana causou certa polêmica, admiração e curiosidade entre as brasileiras. Como o parto normal tem sido pouco valorizado no país — 52% dos nascimentos são feitos por meio de cesarianas, enquanto o índice recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de 15% —, algumas usaram o exemplo para glorificar ainda mais o procedimento, que possibilita uma recuperação muito rápida.

 

AFP PHOTO / LEON NEAL
 

 

Mas, além do pouco tempo que passou na unidade de saúde, Kate chamou a atenção por ter aparecido em fotos e filmagens escovada, maquiada e de salto. Segundo Lucila Nagata, obstetra e ginecologista do Hospital Materno e Infantil de Brasília, não há nada demais em usar salto alto depois do parto. Quando se trata do procedimento natural, passadas duas horas em observação e sem nenhuma intercorrência, a mulher pode levantar-se e desempenhar quase todas as funções normalmente. Se fizer questão, pode até subir em um salto.

Além de exaltar as vantagens desse tipo de parto, muitas brasileiras aproveitaram o nascimento da pequena Charlotte para criticar o sistema de saúde brasileiro, que mantém a parturiente e o recém-nascido internados por mais tempo. Na Inglaterra, a mulher e o bebê são liberados com rapidez, mas, independentemente de ser da família real, recebem assistência em casa. Enfermeiras e técnicas fazem visitas nos dias seguintes à alta. Alguns poucos hospitais particulares brasileiros também oferecem o serviço. É o caso da Matenidade Albert Einstein, em São Paulo, onde trabalha o obstetra Eduardo Cordiolli, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo. O especialista explica que, após partos normais, em cerca de seis horas, a parturiente está bem, enquanto em cesáreas, 24 horas são suficientes. Quem mais precisa de atenção especial é o bebê.

No Brasil, de acordo com a Portaria nº 1.016 do Ministério da Saúde, publicada em 1º de setembro de 1993 no Diário Oficial da União, mãe e recém-nascido devem permanecer no hospital entre 48 e 96 horas, a despeito do tipo de parto. Alguns hospitais particulares seguem a determinação. O resultado é a angústia de mães que ficam internadas, embora clinicamente estejam aptas a ir para casa.

A matéria completa para assinantes está aqui. Para assinar, clique aqui.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.