Comportamento

Tijolinhos digitais

Os pais devem estar atentos às aptidões dos filhos: eles podem ter talento para programar. A habilidade pode ser incentivada por meio de cursos específicos e desafios on-line

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postado em 26/02/2016 08:00 / atualizado em 25/02/2016 16:49

Micheline Reinaldi, 40 anos, fonoaudióloga, regula os dias em que o filho, Henrique, 9, usa o computador. Só pode nos fins de semana. Minecraft é o game preferido dele. O menino sabe inúmeros códigos para comandar o que será feito no jogo. Pesquisa na internet, coloca em prática, decora. Muitos deles são em inglês, então, de quebra, aprende um pouco do idioma. Ele coleciona placas de tudo quanto é equipamento eletrônico e quer ser engenheiro, inventor e programador. Na escola, a professora de tecnologia lhe recomendou um curso específico de programação.

Como o curso só tinha vagas na unidade da Asa Norte, Micheline considerou inviável, já que a família mora em Águas Claras. Mas o filho insistiu: "Eu faço aos sábados". Quando chega sexta-feira e a mãe lembra Henrique da aula no dia seguinte, ele faz questão de frisar que não é aula, é diversão. Ele já sabe usar três softwares de programação e faz até jogos em 3D.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

O dono do curso, Adriano Silva, engenheiro eletricista, conta que procurava uma área de vanguarda para investir. Descobriu, então, a primeira escola de programação e robótica do Brasil, com matriz em São Paulo, e trouxe a ideia para a capital. Percebeu que, no mundo inteiro, crianças estavam aprendendo a programar. "Eles aprendem a ordenar o raciocínio, a pensar problemas e a resolvê-los. Transformam coisas abstratas em uma linguagem", enumera.

Já no caso de Hideo Nakayoshi, 10 anos, a iniciativa partiu da mãe, Reiko Nakayoshi. A servidora pública descobriu uma escola de programação e, como ele gosta muito de videogame, resolveu testar um curso de quatro aulas. Ela conta que sempre foi muito crítica em relação ao método tradicional de ensino e se incomodava de seu filho achar as aulas chatas. Com a programação foi diferente. Agora, Hideo quer se matricular no curso semestral. Reiko não acha que, por causa disso, o filho deve ser programador. "A gente aprende biologia e nem por isso vamos ser biólogos. A programação estimula o raciocínio lógico e a criatividade", opina.


Zuleika de Souza/CB/D.A Press

Atualmente, existem também diversas plataformas gratuitas na internet para as crianças aprenderem noções de programação. As aulas são descomplicadas, mas é preciso, no entanto, um grande esforço e um grau maior de autodidatismo para aproveitar tudo que elas têm a oferecer. Uma delas é a EducaTic Code Wars, disponível desde dezembro de 2014, que oferece desafios on-line que envolvem conhecimentos de programação, matemática e inglês. Segundo o site, 67% dos usuários têm até 13 anos.

A EducaTic começou como um projeto social, levando ensino de programação a escolas públicas. Foram mil alunos presenciais. As crianças, então, continuavam em casa o aprendizado. Mas a plataforma cresceu e já há 15 mil inscritos. "Nós percebemos que as crianças (meus filhos, inclusive) são dominadas pela tecnologia. A gente sempre diz: ‘Aprende a programar ou seja programado’", conta Soraia Novaes, coordenadora do projeto.

As meninas também programam. Na última edição da Campus Party Brasil, no fim do ano passado, Larissa Garcia, 11 anos, liderou um bate-papo sobre sua experiência pessoal. Ela também deu dicas de como educadores podem ensinar programação a crianças, já que percebeu a dificuldade do pai quando tentava ensiná-la. Filha de engenheiros da computação, ela mexe com programação desde os 6 anos. No evento, 2,28% dos participantes eram menores de idade.

Na plataforma também gratuita Programaê!, é possível trabalhar sobre o universo temático de Star wars, Angry Birds e Frozen — tudo para atrair qualquer perfil de criança. Lucas Machado, coordenador de projetos da Fundação Lemann, responsável pela plataforma, explica que a ideia não é só aprender a programar, mas programar aprendendo, e que as crianças podem ser as protagonistas dessa história, e não meras consumidoras.

Milionário antes dos 15

No início do ano passado, o alagoano Davi Braga, 14 anos, inventou um aplicativo para facilitar a compra de material escolar. É só preencher o nome do colégio e a série do aluno que os itens aparecem. Se algo não se aplicar, basta desmarcar a caixa. Com isso, ele fatura, em média, R$ 100 mil por mês. O dinheiro é rigorosamente controlado pelos pais e a renda é quase toda revertida para investimentos futuros. Além disso, o garoto conta com a assessoria de um especialista do Sebrae, que dá dicas de empreendedorismo.

Preguiçosos

Nos Estados Unidos, Ethan Duggan, 12 anos, estava cansado de sempre repetir as mesmas frases quando a mãe perguntava sobre a aparência dela. Criou um aplicativo que vem com uma série de respostas prontas para perguntas que todos os acompanhantes ouvem: "Querido, estou gorda?", "O que você achou do meu cabelo?", "Qual roupa você prefere?" etc.

Para aprender em casa

www.code.org

www.codecademy.com/pt

pt.khanacademy.org/hourofcode

scratch.mit.edu

fabricadeaplicativos.com.br

www.proggy.com.br

http://programae.org.br

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