Fitness & Nutrição

Crossfit e musculação atraem as adolescentes, mas é preciso cuidado

Nessa idade, o corpo da menina é mais frágil e ainda está em crescimento. Exercícios de alta intensidade e peso podem ser perigosos

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postado em 08/05/2016 08:00 / atualizado em 05/05/2016 16:19

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
A preocupação com a aparência não respeita os limites da idade. Cada vez mais cedo, tanto mulheres quanto homens procuram se encaixar em um desejado padrão de beleza. Assim, meninas, na faixa etária de 11 a 15 anos já querem entrar no mundo fitness e se preocupam com o corpo e com a alimentação desde muito cedo.

Modalidades como crossfit e musculação são as mais procuradas por muitas delas quando o objetivo é alcançar o corpo ideal. Mas, é preciso ter cautela. Antes de completar 16 anos de idade, o corpo feminino ainda está em fase de formação. É muito sensível e propenso a sofrer lesões que podem ser levadas para o resto da vida. Por isso, o ideal é apostar em atividades mais simples, como corrida, bicicleta ou natação, para manter a saúde, criar o hábito de exercitar e melhorar as curvas.

Só que elas querem mais. Sonham com resultados rápidos, desejam fazer o exercício da moda, praticado pela celebridade ou pelas musas fitness. Treinam pesado e se dedicam à musculação e ao crossfit, por exemplo. É preciso, porém, respeitar as limitações do corpo em crescimento.

A musculação é uma atividade física versátil que, normalmente, faz uso de pesos para ajudar no condicionamento físico da pessoa, seja ela atleta ou não. A prática tem inúmeros benefícios, como aumento da massa muscular e da densidade óssea, além da redução da gordura corporal. Já o crossfit é um método de treinamento que exercita todas as partes do corpo. A modalidade, que atrai mais e mais adeptos de todas as idades, é baseada em movimentos funcionais de alta intensidade e inclui três modalidades: levantamento de peso, ginástica olímpica e condicionamento cardiovascular.

Apesar de serem atividades físicas eficientes para o emagrecimento e para a definição corporal, meninas que ainda estão na fase da adolescência devem ter muito cuidado ao praticá-las. Quando executadas de forma incorreta ou em excesso, podem provocar inúmeros problemas, entre elas patologias reumatológicas, como artrites idiopáticas juvenis, uma doença inflamatória das articulações; e até mesmo levar à desaceleração do crescimento.

O educador físico Marcelo Boia, também coordenador do curso de Educação Física do UniCeub, alerta sobre a importância de ter acompanhamento de um profissional experiente quando a aluna ainda está na adolescência. "Cada caso deve ser muito bem analisado para se conhecer melhor a estrutura do corpo dela. De qualquer forma, é necessário ter um direcionamento mais apropriado para essa faixa etária. A ideia é que a pré-adolescente possa ter mais saúde, e não desenvolver problemas anatômicos e até fisiológicos", explica.

 

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
 

 

Especialistas afirmam que a musculação é bem-vinda em qualquer idade, mas é necessário saber a dosagem certa e o nível de estresse que cada organismo está preparado para receber. Muitas vezes, uma menina com menos de 15 anos não tem condições físicas de aguentar uma sobrecarga de peso, por mais leve que seja. No crossfit, por exemplo, há uma grande exigência cardiovascular. Quando o esforço do músculo cardíaco, o miocárdio, é excedido, a jovem aluna está exposta a complicações, como uma distensão ou contratura muscular. "Não é proibido à adolescente fazer exercícios como esses, porém, é necessário ter um controle eficiente em relação à faixa etária", acrescenta Marcelo.

Eduarda Morais, 11 anos, faz esportes por gosto e não pela aparência. Desde os 3, pratica judô. Também nada e joga futebol, mas entre as atividades preferidas está o crossfit. Há cerca de um ano, Eduarda se preparava para uma competição de judô e decidiu começar no crossfit para entrar em forma. Filha de educador físico e dono de uma academia, agora, a adolescente treina todos os dias. "Sentia que estava fora de forma para as competições de judô, mas depois comecei a gostar muito e continuei".

"Ela treina por vontade própria. Gosta tanto que, às vezes, preciso até dizer quando é dia de descansar e dar um alívio na articulação para não causar lesões", comenta o pai e treinador Eduardo Barros. No tempo livre, a menina sempre pratica alguma atividade física. Agora, uma das metas é convencer as amigas a se dedicarem ao crossfit. "Estou combinando com meu pai de chamar todas elas para fazermos uma aula. Quem sabe elas também gostam!"

Com a orientação do pai, no início, a menina estreou na modalidade com os exercícios nos quais são trabalhados a lateralidade, a psicomotricidade e o equilíbrio da criança. São treinos lúdicos e o pequeno praticante quase não pega carga. "A Dudinha começou nessa categoria, de leve, sem muito peso, mas ficava brava comigo porque queria logo pegar a barra. Hoje, ela treina normalmente. Entre as atletas que tenho na academia, é ela quem tem a maior dedicação", orgulha-se.

Ele argumenta que, se a atividade for bem orientada, não há problema nenhum em praticá-la, mas, em virtude do peso e da idade de Eduarda, as atividades são diferenciadas. "Embora a articulação dela seja bem trabalhada, pois ela sempre fez atividade física, não vou sobrecarregá-la", acrescenta o pai.

Bom senso é o segredo. O ginecologista William César Bento enfatiza que é preciso saber dosar a quantidade de exercício à qual a adolescente é submetida. "Nessa idade, a menina está desenvolvendo seu eixo hormonal e várias glândulas produtoras de hormônios, como hipófise, neuro-hipófise, além dos ovários. Então, quando há excesso de exercício físico, o corpo acaba liberando mais cortisol, o que tira o corpo do equilíbrio. Acontece o hipermetabolismo, que é o metabolismo superacelerado", esclarece. Além disso, o médico alerta sobre uma possível disfunção hormonal. "Geralmente, quando os exercícios de alta intensidade são praticados na adolescência, a menina pode vir a sofrer de amenorreia — ausência de menstruação". Por isso, antes de investir na malhação, a avaliação do especialista é de extrema importância.

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Andrea
Andrea - 10 de Maio às 11:40
Mais um modismo insano.