Encontro com o Chef

Experiência gastronômica em polo produtor de café encanta

A reportagem visitou o município Carmo de Minas (MG), considerado uma das regiões que mais produzem de café no Brasil

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postado em 22/05/2016 08:00 / atualizado em 20/05/2016 18:30

Rafael Campos/CB/D.A Press

 

"Eu preciso escrever nossa história. Por isso guardo tudo. E se eu bater com o rabo na cerca?", brinca Maria Lúcia Junqueira Pereira, usando uma expressão bem mineira (o equivalente a "bater as botas"), enquanto me mostra parte da trajetória da sua família de produtores de café no pequeno município de Carmo de Minas (MG). Na casa em estilo colonial, que faz as vezes de sede da Fazenda Sertão e de museu dedicado aos Pereiras, é possível entender melhor por que, ainda hoje, o café é a bebida mais amada pelo brasileiro. E não só isso: compreende-se o quanto sua plantação garante a continuidade do clã que produz alguns dos grãos mais premiados do mundo.

Na última semana, fiz parte de um grupo de jornalistas que presenciou o processo que torna o fruto adocicado que catamos em meio ao cafezal no líquido negro que, espero, você já tenha tomado hoje. Em meio às centenas de hectares plantados até onde a vista alcança, ouvi da boca dos produtores não só declarações de amor ao cultivo do café, mas a constatação de que os grãos brasileiros conquistaram o mercado mundial de cafés especiais por conta da qualidade.

Ainda que pequeno — apenas 10% da produção em todo o mundo pode ser considerada especial —, esse nicho é o que separa quem apenas necessita de cafeína para suportar o dia daqueles, dos que têm no café um prazer gastronômico. E o quanto esse segundo grupo está disposto a pagar a mais para ter um deleite diário? "A pessoa mais difícil de convencer a investir nisso foi meu pai", conta Jacques Pereira Carneiro, diretor da CarmoCoffees, que hoje exporta grande parte dos grãos produzidos em Carmo de Minas.

 

Rafael Campos/CB/D.A Press

 

Ele garante que um teve um insight há mais de 10 anos, ao se dar conta que a alta qualidade do terroir (veja quadro) brasileiro poderia garantir uma nova fronteira no plantio, na colheita e na distribuição do café da sua região, atraindo empresas exigentes, como a Nespresso, que me convidou a participar dessa imersão. Foi quando decidiu que investiria nisso para garantir o futuro do histórico familiar na cultura cafeicultora mineira. "Há 10 anos, se você perguntasse a um grupo de produtores quem queria produzir café especial, veria duas ou três mãos se levantando. Agora, em qualquer lugar do país, todos querem produzi-lo", garante.

A mudança de pensamento trouxe uma nova realidade para aquela parte do sul de Minas. Desde 2011, o programa Nespresso AAA Sustainable Quality, que soma ações de qualidade, sustentabilidade e produtividade nas fazendas em Carmo de Minas, oferece formação necessária para os fazendeiros que buscam aperfeiçoar sua produtividade. Embaixadora da marca para a América Latina, a especialista em análise sensorial Claudia Leite nos acompanhou durante os dois dias de viagem. Entre outras coisas, ela explicou de que forma essa relação é benéfica para o produtor — que recebe instrução para aprimorar sua lavoura — e para a empresa, que pode comprar um café dentro das suas rígidas especificações (apenas 2% de toda a produção mundial está dentro dos padrões buscados pela marca).

Rafael Campos/CB/D.A Press
"Damos estímulo aos que conseguem atingir esse patamar, pagando entre 30% a 40% a mais por esse café. Mas não exigimos contrato de exclusividade. Os produtores podem vender para qualquer empresa no mundo", ressaltou Claudia. Dessa forma, os fazendeiros também entendem melhor suas obrigações em relação ao meio ambiente, algo que faz parte das metas da empresa suíça até 2020. Por meio da estratégia The Positive Cup, que pretende investir 500 milhões de francos suíços, eles desenvolvem ações para diminuir os impactos negativos da produção e, claro, reforçar o lado bom do plantio. "O café corre na nossa veia. Criei meus três filhos por causa dele. E aprendi que, hoje em dia, você não permanece no mercado só com um grão comum", reforçou José Antônio Carneiro Pereira, da fazenda Serrado.

 

A partir da próxima terça-feira, começa a colheita de 2016. Até meados de agosto, todo o esforço que envolve plantio, irrigação, controle de pragas, colheita, lavagem, secagem e mais outros tantos passos será colocado à prova para determinar se, novamente, o café produzido na região de Carmo de Minas vai continuar entre os melhores do mundo. Pelo que ouvi dos produtores, pelo amor que eles dispensam ao trabalho, pelo sabor que senti em cada gole das muitas xícaras que provei, não há dúvida: a história que Maria Lúcia Junqueira Pereira se esforçar tanto em guardar ainda vai ganhar novos capítulos. E muitas novas safras.

 

*O repórter viajou a convite da Nespresso.

 

Sobre o café

 

O Brasil é o maior produtor e o segundo maior consumidor de café no mundo, responsável por 33,6% de toda a produção;

São 274 mil produtores e 2.339.630 hectares de plantação;

 

O país é o maio fornecedor de café para a Nespresso, que compra de 2.200 produtores;

 

Terroir: palavra francesa sem tradução que denota a conjunção entre solo, altitude e microclima para determinar o tipo de café. O bourbon amarelo, da espécie arábica, plantado em Carmo de Minas é considerado o melhor do mundo;

 

O café produzido na fazenda Sertão ganhou, em 2005, o Cup of Excellence, com a maior pontuação da história: 95,85 de 100. A partir de 80 pontos, o café é considerado especial;

 

Essa pontuação segue regras determinadas pela Specialty Coffee Association Of America (SCAA) e analisa detalhes como aroma, doçura, acidez, sabor etc.

 

 

Serviço

Boutique Nespresso

Endereço: Iguatemi Shopping

Telefone: 0800-777-7737

 

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