PREVENÇÃO

Será que é possível ser criança e não ter medo da cadeira do dentista?

Assustar-se nas primeiras visitas ao consultório do odontopediatra é comum na infância. Brincadeiras e muita conversa podem dar fim ao medo

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postado em 04/10/2016 14:53 / atualizado em 05/10/2016 16:33

O medo de dentista é clássico entre as crianças e acomete até alguns adultos. Se alguém visse, hoje, João Pedro Aires, 6 anos, na cadeira de dentista, comportado, assistindo ao desenho do cachorro Scooby Doo, enquanto sua boca era examinada, não imaginaria o chilique que ele deu na visita de estreia a um consultório. A primeira experiência foi há dois anos e lhe pareceu realmente assustadora. A mãe do garoto, Marina Aires, lamentou não ter levado ele e o outro filho, Rafael, 9, para se consultarem antes. É que ela, erroneamente, não via necessidade. “Como sempre cuidamos bem, nunca tinha marcado uma consulta, mas minhas amigas começaram a falar sobre levar os filhos e me senti mal”, conta Marina.


 Breno Fortes/CB/D.A Press
De fato, a saúde bucal dos dois irmãos estava quase impecável, a não ser por uma cárie recém-aparecida em João. O menino, inclusive, fantasia e diz à reportagem que eram sete: “Não doeu para tirar. Ela puxou com um ganchinho”, relata. Ao chegar ao consultório, naquela primeira vez, porém, ele se recusou a entrar. Fez birra e se jogou no chão. A mãe respondeu de forma dura e avisou que ele entraria de qualquer forma. Foi aí que a dentista interrompeu e repreendeu Marina. Ela assumiria a tarefa de convencer o pequeno paciente que o local era seguro e sem riscos.

 

O trabalho que seria feito naquela consulta foi adiado para uma segunda sessão, quando João já estivesse habituado ao ambiente e à profissional. Para Rafael, a situação foi mais fácil: “Deu um medinho, mas fui vendo que a tia era confiável. Fui me sentindo em casa e fiquei relaxado”, conta. Afinal, como irmão mais velho, queria ser exemplo para o caçula.

A odontopediatra Ilana Marques, com quase 18 anos de profissão, está acostumada à rejeição dos pequenos ao dentista. É tão comum entre os pacientes de pouca idade que criou alguns macetes para deixá-los mais calmos. Uma das estratégias encontradas foi a elaboração de um livro, em 2006, no qual explica aos pequenos o que é feito na boca deles. É uma oportunidade de mostrar outras crianças vivendo a mesma situação, na mesma cadeira de dentista. Ela ainda aproveita para ensinar o que é uma cárie. “Na fase entre os 5 e os 11 anos, acontecem muitas coisas na vida das crianças: a troca e o amadurecimento dos dentes”, explica. “O material permite que pais e filhos vejam coisas importantes e aceitem melhor certos tratamentos”, acrescenta.

 

Agora, sempre que uma criança chega ao consultório assustada, ou com o mínimo de receio, uma das primeiras coisas que ela faz é mostrar o livro. Antes, tinha outra didática: usava fotos do próprio filho, hoje com 11 anos. “As crianças menores ficavam no colo dos pais, então, mostrava foto do meu filho pequeno de boca aberta e elas abriam também”, relembra. “Eles chegam achando que dentista é um bicho de sete cabeças, mas quando veem outra criança fazendo algo, ficam curiosos e copiam”, completa.

Segundo levantamento informal, realizado no primeiro semestre de 2002 pelo psicólogo Áderson Luiz Costa Junior — com 250 pessoas residentes na capital —, de todas as classes sociais, uma em cada três pessoas afirmou ter medo de ir ao dentista. Além disso,  um em cada quatro entrevistados afirmou que costuma ir ao dentista a cada seis meses; e duas em cada cinco contam que somente procuram o especialista quando têm dor de dente ou sintomas suficientemente desagradáveis. “Não ir ao dentista por medo ou receio de dor, além de prejudicial à saúde, estabelece uma situação de reforçamento positivo da própria crença”, explica o psicólogo.

 

Fernando Lopes/CB/D.A Press

 

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