SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

REPORTAGEM DE CAPA

Cães e gatos também lidam com sentimentos de ansiedade e tristeza

Veterinários começam a desvendar a mente dos bichos e atestam: eles sofrem de dramas psicológicos semelhantes aos dos homens

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 30/10/2016 08:00 / atualizado em 29/10/2016 17:56

Bárbara Cabral/Esp. Correio/D.A Press/CB
Freud acreditava que poderia curar a mente humana por meio da fala. Após um século, a psicologia está firmada como a ciência que trata e compreende o cérebro do homem. Mas, e os outros animais, como escutá-los? "Os animais têm uma linguagem própria e não verbal. Há testes importantes para aferir desvios comportamentais, que dão os indicativos de uma doença psíquica. Sabemos como eles devem agir, então, oferecemos desafios para os bichos e vemos se eles corresponderão aos nossos estímulos", esclarece a veterinária Ceres Berger Faraco, integrante da Comissão de Ética, Bioética e Bem-Estar Animal (Cebea), do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).

Além do comportamento, são analisados três outros dados antes de finalizar qualquer diagnóstico: o primeiro é sobre o período de desenvolvimento, que se refere às emoções que o bicho experimentou na infância; o segundo, o ambiente no qual ele está inserido; e o terceiro tem a ver com a herança genética. "Muitos fatores podem afetar a saúde mental dos animais, como o abandono durante a criação e as turbulências ao longo da gestação. Às vezes, eles entram em um quadro de estresse, ansiedade e depressão por não conseguirem dar vasão a necessidades evolutivas", afirma Faraco.

Para a veterinária, cada espécie possui particularidades que devem ser respeitadas:"Cães são gregários, necessitam de interação social, porém, muitos vivem grande parte do dia isolados, gerando problemas como automutilação e dermatites." Em contrapartida, personalidades diferentes também apresentam riscos de fragilidade nas emoções. "Os gatos não são totalmente domesticados. São animais solitários, obrigados a conviver com outros animais e pessoas. Isso pode gerar muitos conflitos, pois eles precisam de muito movimento, mas, vivem confinados em espaços pequenos. Essa questão ambiental está gerando animais estressados, ansiosos e obesos", acrescenta Ceres.

Uma vez identificado algum problema, as terapias para tratar os bichinhos são personalizadas. É necessário seguir alguns protocolos durante o tratamento de animais com transtornos psíquicos: o manejo, que é a mudança de como os tutores agem com o animal; o ambiente, que é modificar o lar para melhor adequá-lo ao animal; e o terapêutico, que é intervenção farmacológica. Existem casos crônicos que devem ser acompanhados pelo resto da vida. "São usados os mesmos ativos dos seres humanos. Isso assusta muito os tutores, que enxergam com desconfiança o uso de medicação psicotrópica. Via de regra, é necessário fazer uma revisão da medicação a cada dois ou três meses. Em casos crônicos, é feita uma avaliação de seis em seis meses", esclarece a especialista, que possui formação em psicologia e na área de comportamento animal. 

Luto felino

Frajola, de 11 anos, sempre viveu cercada da mais fina companhia. A gata podia contar com a presença de outra gata, a Nina, sua amiga de brincadeiras, além dos cães Simba e Nala. Pouco a pouco, os seus companheiros morreram e a gatinha passou por maus bocados. Ela começou a desenvolver uma cistite intersticial emocional, que é uma inflamação da parede da bexiga devido às perdas.

"Ano passado, a Nina teve um problema de linfoma intestinal, e os veterinários não conseguiam descobrir o que era. Ela foi passando de clínica em clínica. A Frajola acompanhou todo esse processo e, antes da Nina partir, ela apresentou uma cistite emocional. Como era um problema psicológico, começou a tomar uma medicação sedativa. Ela ficava ‘chapada’ e ficava o dia todo dormindo", afirma a tutora Regina Uchoa, 67 anos.

Após um período usando a medicação, a gata passou por uma desintoxicação e ganhou uma nova rotina de atividades. "Tudo vai depender do manejo com o animal. Às vezes, uma rotina de brincadeiras consegue solucionar muitos problemas de ansiedade e de estresse. É necessário criar estímulos/exercícios que consigam sanar as necessidades de cada bicho", afirma Humberto Martins, veterinário comportamental.

Depois de quase um ano de luto, Frajola, com o carinho da família, dá sinais de recuperação. "Ano que vem vamos fazer uma reforma na casa, por isso, chamamos o Humberto para fazer uma avaliação e nos guiar no modo como devemos agir com ela. Ela está alegre novamente. Não podemos ignorar todo o sofrimento físico e psicológico que os animais sofrem durante a vida, seja nas casas, nas fazendas ou nos matadouros", reflete a aposentada.

Leia a reportagem completa na edição nº 598 da Revista do Correio.

publicidade

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.
 
Adeilsa
Adeilsa - 31 de Outubro às 07:56
AMOR AOS ANIMAIS!
 
filomena
filomena - 30 de Outubro às 18:43
O ser humano esta muito aquem de entender os animais mas, se pensarmos que sao construidos com o mersmo tipo de celulas, devemos compreender que a unica diferenca e' na forma do corpo, as necessidades sao as mesmas do ser humano. Eles tem uma vantagem sobre nos, nao existe uma grama de maldade neles. Eu anseio pelo dia em que o Paraiso sera' restabelecido e somente os humanos que aprenderam a amar e respeitar os animais estarao la com todos os animais desde a criacao da terra. Meu cachorrinho e' tratado como meu filho, o melhor deles.

publicidade