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CRÔNICA DA CIDADE

Uma árvore qualquer

Desci do carro para ver a árvore de perto. Quis fotografá-la, mas as fotos decepcionam...

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postado em 19/11/2016 17:03 / atualizado em 19/11/2016 17:11

Gustavo Falleiros

Normal. A superlua, por exemplo, fica desmilinguida toda vez que tentam capturá-la. A bem da verdade, a árvore a que me refiro não tem nada de especial. A caminho do trabalho, sempre cruzo por ela. Foram anos de observação a distância.

 

Gustavo Falleiros/CB/D.A Press


Essa árvore só se destaca das outras porque parece fugida do Parque Burle Marx. Fica na beira da pista, como se pedisse carona. Se houvesse uma faixa de pedestres no asfalto, não duvido que os motoristas parassem e aguardassem a travessia. Bem em frente, uma placa limita a velocidade a 60km/h. Surgiu um esqueleto de concreto no horizonte faz pouco tempo. Quem vem das 700 Norte, imagina um navio encalhado.

A árvore prensada entre o Setor Noroeste e o asfalto está amarrada por um arame que lhe aperta a cintura. Senti vontade de libertá-la.

Depois, pensei: que bobagem se afeiçoar a um único exemplar, como se fosse possível recortá-lo do reino vegetal... E que absurdo humanizar a planta, projetar nela sentimentos. É muito narcisismo, muita pretensão...

Essa luta mental durou pouco. A simpatia pela árvore em questão continua de pé. Não estou sozinho nesse barco. Quinhentos metros adiante da “minha” árvore, existe uma outra, que se destaca pela beleza. Quando visitei a casa do grande artista Fernando Lopes, descobri que ele era obcecado pela “majestosa”. Pintou várias telas em sua homenagem. Na ocasião, reclamou do recuo do cerrado. Fernando é sincero em sua devoção e não sei o que seria do Parque Ecológico das Sucupiras, no Sudoeste, sem o seu engajamento.

No mês passado, Leandro Honda, também artista plástico, divulgou uma série de desenhos incríveis de árvores. Perguntei o porquê desse tema. No Facebook, escreveu: “Tinha um ipê branco no quintal de casa, quando morava com meus pais, ele era sinistrão de bonito. Tempo bom.” Pensando bem, “sinistrão de bonito” é um adjetivo que se aplica ao famoso flamboaiã do jardim do TJDFT. Ameaçado por um fungo, ele cai-não-cai. Depois que foi escorado e tratado, voltou a florescer. Desconfio que seja a árvore favorita de muita gente.

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