Quanto mais velhos ficamos, menos riscos queremos assumir. Verdade ou mito?

O neurologista Ricardo Teixeira explica que estudos americanos revelam que o medo de correr riscos está relacionado ao envelhecimento de determinada região do cérebro

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postado em 19/12/2016 16:57 / atualizado em 19/12/2016 17:17

Por Ricardo Teixeira*  
 
Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
 
Parece que a redução do volume da região parietal posterior do cérebro é mais importante que a idade por si só para essa aversão a riscos. Esta é a conclusão de um estudo recém-publicado pela prestigiada revista Nature Communications.
 
A população está envelhecendo como nunca. Calcula-se que em 30 anos, pela primeira vez na historia, existirão mais pessoas com mais de 60 anos do que crianças. É um grande contingente da população tendo que tomar decisões o tempo todo, médicas, financeiras, etc.

Pesquisadores da Universidade de Nova Iorque já haviam demonstrado, em adultos jovens, que quanto menor o volume da região parietal posterior do cérebro, menor a tendência em correr riscos. Esta é uma região especialmente vulnerável à redução volumétrica normal do cérebro associado à idade. Então os mesmos pesquisadores perguntaram se a redução dessa área cerebral com o envelhecimento era mais preditiva que a idade por si só para o desenvolvimento de uma dificuldade em se envolver em riscos. Dito e feito. A análise de situações de risco de 52 voluntários com idades entre 18 e 88 anos mostrou que essa região cerebral faz mais diferença que a idade. Foram testes como escolher entre ganhar $5 ou apostar em ganhar $20 com 25% de chance de êxito. Esta região parietal também está envolvida no planejamento de movimentos, localização espacial e atenção.
 
*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília e professor de pós-graduação em divulgação científica e cultural na Unicamp. 
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