SAÚDE

Falsa miopia: um problema real

Mudanças de comportamento também provocam alterações no corpo. Passar muitas horas diante das telas de computadores, tablets, telefones pode alterar a visão e levar a uma dificuldade de enxergar de longe

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postado em 31/12/2016 09:00

Thiago Fagundes/CB/D.A. Press
 

 

Smartphones, tablets e computadores já fazem parte da nossa rotina. Para crianças e adolescentes, que cresceram imersos no ambiente digital, os gadgets parecem ser uma febre ainda maior. O uso exagerado de dispositivos eletrônicos, contudo, pode causar problemas de visão. “A chance de crianças, que estão com a visão em formação, desenvolverem miopia acomodativa é quase o dobro se comparado às que não estão expostas”, reforça Patrícia Rocha, oftalmologista da Oftalmed. A médica cita como exemplo um estudo feito em Campinas (SP), de 2014. Na ocasião, foram analisadas 360 crianças de 9 a 12 anos. O trabalho mostrou uma prevalência de 21% de miopia em crianças expostas a monitores por até seis horas por dia. O normal para esta faixa etária, de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), é de 12%.

Ainda segundo Patrícia Rocha, a miopia pode ter fatores genéticos, mas os elementos ambientais, como os monitores, também influenciam. Quando o problema é causado por fatores externos, recebe o nome de miopia acomodativa. “Temos um músculo no olho chamado ciliar, que se contrai para focalizar imagens próximas”, explica. Crianças com a visão em formação e que ficam muitas horas por dia na frente de monitores permanecem com esse músculo contraído o tempo inteiro. Uma vez passado o prazo de seis horas, quando a criança tenta olhar para longe, o ciliar precisa relaxar para focalizar as imagens distantes. “O problema é que o músculo entra em fadiga devido ao esforço constante e não relaxa”, diz a médica.

A visão então embaça levando a sintomas da “falsa” miopia. Em adultos, essa miopia acomodativa não necessariamente levará o paciente a ser míope de fato. Mas as crianças estão mais vulneráveis. “Estudos muito respeitados identificaram que, além de danificar o filme lacrimal, a exposição às telas por longos períodos diminui a produção de lágrimas”, acrescenta Patrícia Rocha.

Outros estudos mostraram, segundo a médica, que piscamos cerca de cinco vezes menos quando estamos em frente às telas. Lacrimejamento, vermelhidão e sensibilidade à luz são os principais sinais de que a visão pode estar sendo comprometida. “A lágrima é o que protege a superfície ocular. Quando há uma diminuição dela, podem acontecer infecções constantes. Em casos mais severos, pode ocorrer perfuração ocular por afinamento corneano, provocado por úlceras de córnea repetitivas”, alerta a especialista. Por isso, é importante lembrar de piscar sempre e dar pausas de cinco minutos a cada hora passada em frente às telas.

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