MODA

Espetáculos na passarela. Semanas de moda agitam o cenário internacional

Semanas de moda internacionais apresentaram desde protestos políticos e decolagem de foguete à volta da liberdade dos anos 1980, com suas polêmicas ombreiras e indefectíveis peças coloridas

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postado em 12/03/2017 08:00 / atualizado em 10/03/2017 18:49

AFP / Patrick KOVARIK

Karl Lagerfeld costuma surpreender com os desfiles da Chanel na semana de moda de Paris e não decepcionou o público nesta temporada. Na última terça-feira, o estilista apresentou a coleção de inverno da maison em meio a um cenário de filme de ficção. A pegada futurista e sessentista das peças desfiladas casava perfeitamente com o foguete de 35 metros de altura instalado no meio do salão no Grand Palais, famoso prédio parisiense.

Ao fim da apresentação, o foguete, personalizado com a logomarca da Chanel, “decolou” ao som de Rocket Man, de Elton John. Surpreendendo os convidados, a construção futurista chegou a se distanciar 10 metros do solo, indo em direção à abóbada de vidro do local. As modelos desfilaram faixas de cabelo em fios cheios de volume enquanto vestiam tailleurs de linhas retas, tubinhos e macacões. Os prateados, bordados e tricôs tomaram conta dos looks.

 

Moda democrática


A semana de moda de Nova York Outono-Inverno 2017/18 causou muito burburinho. Os estilistas aproveitaram a visibilidade dos desfiles para desconstruir a bandeira americana e mesclar a proposta de moda a um protesto contra o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Um dos destaques desse movimento foi a Calvin Klein, com a estreia de Raf Simons. O artista usou as cores da bandeira dos EUA em alguns looks e colocou na passarela uma trilha sonora de David Bowie que dizia: “Isso não é a América”.

 

AFP / Angela Weiss e Slaven Vlasic

Já a Prabal desfilou camisetas nas quais se liam as frases: “A revolução não tem fronteiras”, “Quebrem os muros” e “Mantenha-se acordado”. Outras marcas também se manifestaram contra a xenofobia do presidente, tornando uma das semanas de moda mais badaladas do mundo ainda mais agitada. Assim como a Public School, que desfilou o verdadeiro estilo do street style novaiorquino e também usou a roupa para reforçar a insatisfação com o momento político do país.

Além das questões políticas, depois dos anos 1970 — que dominaram as últimas temporadas com gladiadoras, plataformas e a calças flare em várias versões —, agora é a vez de os anos 1980 darem um refresh no olhar dos fashionistas. Muitas grifes internacionais já mostraram que a década promete voltar com tudo.

 

AFP / KENA BETANCUR e  ANGELA WEISS

Seguindo a inspiração, tem a volta das ombreiras e dos ombros marcados, como os vistos no desfile de Philip Lim e da Michael Kors. Pode-se esperar ainda o retorno dos minivestidos, um dos grandes destaques do desfile de Brandon Max Well. Será forte a presença do veludo molhado, do vinil e das botas que vão até o joelho, como aposta a estilista Victoria Beckham. O glitter e a cintilância exagerada voltaram com tudo também. Por isso, aposte no brilho.

Já nas passarelas britânicas, o desfile da Burberry, no formato “see-now, buy-now” (modelo de compra das peças logo após a apresentação da coleção), foi um dos mais belos da semana, com direção do estilista Christopher Bailey. A marca apostou nas assimetrias e nos tricôs. Destaque também para os modelos mais comerciais, como a camisa de alfaiataria com pequenas alterações no shape: uma boa jogada de marketing que prova que a grife está antenada ao novo caminho tomado pela moda.

 

ANGELA WEISS e DANIEL LEAL-OLIVAS

Peles artificiais e muitas cores são algumas das tendências antecipadas para o outono/inverno. Os estilistas também apostaram no estilo esportivo para o próximo inverno que, ao que tudo indica, será bem colorido. A estilista Roksanda Ilineic, que desfilou nas passarelas de Londres, escolheu cores vibrantes, como azul elétrico e o bordô, outra forte presença que também apareceu no desfile da Ralph Lauren e da Calvin Klein, na semana de moda de NY.
 

NIKLAS HALLE'N e ANGELA WEISS
 

* Estagiário sob a supervisão de Flávia Duarte

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