FITNESS

Com cuidados especiais, grávidas podem praticar crossfit

O crossfit é conhecido por ser puxado e exaustivo, mas não está vetado para grávidas, desde que a mulher já tenha o preparo físico exigido e nenhum fator de risco na gestação

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postado em 02/04/2017 08:00 / atualizado em 01/04/2017 11:51

Por Amanda Ferreira (estagiária sob supervisão de Gustavo T. Falleiros)
 
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
 
A gravidez não é — e não deve ser — desculpa para a falta de exercícios. Durante os meses de gestação, por mais sensível que o corpo esteja, é essencial praticar alguma atividade física. Além de controlar diversas patologias, uma rotina ativa pode prevenir partos prematuros e fazer com que a futura mamãe esteja mais preparada para a dor. Karine Caldeira, 29 anos, sempre foi muito ativa. A administradora começou a praticar crossfit há cinco anos e, desde então, não se vê fazendo outra coisa. Agora, no quarto mês de gestação, ela mantém uma rotina de exercícios — mais leve, é verdade.

“Acho importante me manter ativa durante toda a gravidez. O ritmo que me aguarda com a chegada da bebê pede um bom preparo físico. Pretendo fazer até o fim da gestação se estiver me sentindo bem”, afirma. Karine conta que mantém o obstetra informado de todos os seus movimentos. “O médico me tranquilizou e liberou o crossfit, mas pediu que eu usasse o bom-senso.” Nessa nova rotina, atividades pesadas foram substituídas por agachamentos, exercícios na barra e corrida leve.

Para a ginecologista obstetra Janaína Sturari, a grávida só deve deixar de praticar atividades físicas se tiver alguma restrição ou se a gestação for de alto risco. “Se a gestante já praticava a atividade, pode continuar normalmente. Caso não tenha o costume, é bom ter cautela nos três primeiros meses, quando o corpo fica mais frágil”, recomenda. A especialista ressalta que, com exceção de luta e futebol, praticamente todas as modalidades são válidas, inclusive o crossfit. Nesse caso, cabe ao instrutor adaptar a amplitude dos movimentos e zelar para que a temperatura corporal não suba em excesso.

No caso da estudante Nathália Nadesko, 25 anos, a surpresa da gravidez veio acompanhada de inúmeras inseguranças quanto à rotina de malhação. A jovem, que costumava atingir seu limite durante os treinos, viu-se forçada a diminuir o ritmo. A recomendação médica foi enfática. “Com o tempo e um pouco de pressão por parte da família, resolvi abrir mão do crossfit. No início, foi muito difícil, pois o exercício era fundamental para o meu bem-estar, minha saúde mental e minha disciplina no dia a dia”, lamenta. Nathália conta que, depois de quatro meses, tentou retomar, com exercícios leves, mas o ímpeto não durou muito.

“Comecei a sentir novas dores, como na lombar, por exemplo. Comentei com a minha obstetra que não estava praticando nenhuma atividade e ela me chamou a atenção”, relata a estudante que, a partir do sétimo mês, optou pela prática de pilates para gestantes, onde aprendeu técnicas de relaxamento e fortalecimento para o trabalho de parto. A obstetra Janaína Sturari explica que esses são apenas dois dos vários benefícios que o esporte traz na rotina da futura mamãe. “Os exercícios fortalecem a musculatura, controlam a pressão e o ganho de peso, evitam o parto prematuro e trabalham a dor durante e após o parto”, atesta.

A gestante malhadora deve sempre controlar a frequência cardíaca, a temperatura corporal e a temperatura do ambiente. A hidratação também não pode ser negligenciada. Recomenda-se a prática em horários mais amenos. Segundo Felipe Maldaner, professor de educação física que trabalha há cinco anos com crossfit, durante a gestação, os exercícios têm foco no fortalecimento do assoalho pélvico, grupo muscular importante para o trabalho de parto. “Os treinos são adaptados à necessidade de cada aluna e é essencial o acompanhamento de um profissional para a prática de movimentos seguros”, alerta.

Mesmo para as mamães que não gostam de atividades pesadas, como é o caso da empresária Juliana de Almeida, 32 anos, a recomendação do professor é que a prática de exercícios não seja deixada de lado. Em sua terceira gravidez, Juliana conta que, desde o início, praticava natação, musculação e alongamento. “O exercício é sempre bom quando feito sem exageros. Meu foco é o meu bem-estar e o do bebê”, afirma. Por experiência própria, ela garante: as vantagens se estendem ao pós-parto. A recuperação é muito mais rápida. “O que importa é a gestante se sentir bem e se preparar fisicamente para a chegada do bebê”, resume a obstetra Janaína Sturari.
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