Fitness & nutrição

Bons hábitos alimentares devem ser iniciados após os seis meses de vida

Uma dieta saudável e balanceada deve começar bem cedo, desde a introdução dos alimentos sólidos na alimentação do bebê

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postado em 03/09/2017 08:00 / atualizado em 04/09/2017 12:21

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
Controlar o que os pequenos comem em meio à correria do dia a dia pode ser um desafio. A preocupação dos pais para que os filhos tenham uma alimentação saudável acaba se tornando um grande quebra-cabeça quando o assunto é introduzir esses alimentos nas refeições e pensar no que colocar na lancheirinha da escola. Lanches preparados em casa ajudam a manter a dieta das crianças e dos jovens sob controle e a construir hábitos saudáveis desde cedo.

Os alimentos devem ser introduzidos após os seis primeiros meses de vida, de forma lenta e gradual — antes disso, o aleitamento materno exclusivo é o bastante para manter o bebê saudável. Por volta do primeiro ano, os pequenos podem se alimentar da mesma forma que o restante da família, com refeições balanceadas com cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e verduras.

Especialistas indicam que a alimentação seja baseada na curva da pirâmide alimentar, na qual é possível observar quantidades adequadas de açúcares, carboidratos, óleos e gorduras. “É importante desenvolver o cuidado com alimentação da criança desde cedo para que, no estágio pré-escolar e escolar, ela tenha uma noção maior e aceite as opções saudáveis oferecidas tanto em casa quanto na lancheira”, recomenda a pediatra Nathália Sarkis, do Hospital Santa Lúcia e membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Quem sempre cuidou da alimentação da filha foi a médica Juliana Henriques, 35 anos, mãe de Luiza, de apenas 1 ano e 10 meses. Desde antes do nascimento da menina, a rotina da casa já se adaptava à chegada de um bebê. “Sempre fui contra o consumo de alimentos industrializados, embutidos, massas e carboidratos. Evitava-os mesmo antes da gravidez. Agora, com a Luíza, apenas continuamos com o costume.”

Logo quando iniciou a alimentação sólida, a pequena criou uma rotina e, por isso, segundo a mãe, ela não sente necessidade de comer besteiras. “Sempre andamos com as comidinhas dela separadas em vasilhas térmicas. Quando vamos a alguma festa de aniversário, por exemplo, ela vem até mim e pede o jantar. Não come os salgadinhos”, diz. Em casa, só se bebe água natural, do coco e suco integral. “Incentivar isso agora é a garantia de saúde que ela pode precisar mais para a frente.”

Estudos mostram que algumas doenças da vida adulta, como obesidade, câncer, osteoporose, doenças do coração e diabetes, normalmente, resultam de escolhas alimentares erradas desde a infância. Além disso, uma dieta sem qualidade e em quantidades inadequadas pode resultar na queda da imunidade e até mesmo prejudicar o rendimento escolar em alguns casos.

A pediatra Nathália Sarkis ressalta que, se não for influenciada e educada nesses aspectos, mesmo com a lancheira recheada de proteínas, carboidratos e frutas, a criança não consumirá tais alimentos. “A lancheira é uma extensão de casa, então, é preciso ter o hábito.”

Foi pensando nisso que a advogada e empresária Iza Garcia, 36, preocupada em criar bons hábitos alimentares em casa e na filha, Bruna Garcia, 6, sempre procurou informações para fazer as melhores escolhas de cardápio para a pequena, tanto em casa quanto na escola. Desde a introdução alimentar, até hoje, as refeições de Bruna são acompanhadas por uma nutricionista. “Aqui nada é proibido. Priorizamos hábitos saudáveis, mas equilibramos a importância deles também com a leveza, necessária para que o dia a dia seja mais feliz”, afirma Iza.

A rotina familiar é compartilhado por Iza em um blog, no qual a empresária, com a ajuda de uma amiga, passa para outras mães a importância de inúmeros cuidados e hábitos saudáveis para o crescimento dos pequenos. A hashtag #lancheiradabruna, no Instagram, é uma forma que a mãe escolheu compartilhar com os leitores as refeições balanceadas feitas para a filha. “Eu me preocupo em escolher frutas, proteínas e carboidratos. Sei que na escola ela está em contato com outras crianças que nem sempre têm os mesmos hábitos, então, costumo deixar essa refeição mais livre.” Iza se considera rigorosa em refeições como café da manhã, almoço e jantar. Na lancheira, a mãe opta por frutas, mas também acrescenta lanches especiais, como pipoca caseira, bolos integrais caseiros, iogurte, sanduíches naturais, biscoitos e pães de queijo.

A pediatra orienta que os pais tentem inserir a criança na rotina da cozinha, no preparo de alimentos e na escolha de frutas e legumes no mercado. “Opte por alimentos coloridos, que chamem a atenção. Cortar verduras e legumes de forma diferente pode deixar a refeição ainda mais divertida. O ideal é ter apresentações diferentes para um mesmo alimento que a criança não gosta muito”, indica Nathália.
Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

Dieta para os pequenos

O programa Vigilantes do Peso desenvolveu um projeto especial para jovens entre 10 e 17 anos. Quem participa, normalmente, é indicado por um médico e acompanhado pelo profissional. “Estimulamos o emagrecimento pelo programa pró-pontos, em que toda a informação do alimento, nas questões proteínas, fibras e gordura, é calculada e pontuada”, explica o coordenador de nutrição do Vigilantes do Peso, Matheus Motta.

O médico que acompanha o jovem participante traça a curva de perda de peso e decide quantos quilos devem ficar para trás para que se alcance uma faixa saudável. “Depois que a meta é definida, o emagrecimento é lento, em torno de 450g por mês, uma vez que a dieta não pode ser muito radical para não prejudicar o crescimento e o desenvolvimento da criança ou do adolescente.” Os resultados, segundo o coordenador, costumam ser bastante eficazes quando a mudança de hábito vem acompanhada de transformações em toda a família. “Os pais têm papel fundamental, assim como as escolas. A conscientização precisa vir de cada um nea busca por um futuro mais saudável”, acredita.

Para a nutricionista do Hospital Brasília Viviane de Oliveira, uma boa alimentação é aquela que mantém o organismo em estado de saúde, ou seja, com ossos e dentes fortes, peso e estatura de acordo com o biotipo, boa disposição, resistência às enfermidades e vontade de se manter ativo. “É importante envolver a criança no processo de montagem da lancheira. Peça a sua opinião e ajuda para despertar o interesse pela alimentação balanceada.”

A especialista recomenda a preferência de pães, bolos ou biscoitos integrais, multigrãos, de arroz ou de milho, em vez de pães brancos, bisnaguinhas, bolachas recheadas e salgadinhos. Varie as opções de proteínas — leite, iogurte, queijo branco, ricota temperada, requeijão, creme de ricota, cream cheese, patês caseiros. Os queijos são ótimos para fazer criações — rolinhos e formatos com moldes de biscoitos.

No caso do pequeno Pedro Henrique Andrade, 5, a alimentação balanceada veio como consequência de problemas de intolerância à lactose e algumas alergias. A mãe, Fernanda Andrade, 35, ao consultar diversos especialistas, descobriu que a mudança seria essencial para o bem-estar e para a saúde do pequeno. “Quando descobrimos, ele era menorzinho e, mesmo assim, sentiu a mudança nos hábitos. Hoje, é acostumado e sabe o que pode ou não pode comer. Acho que tudo é questão de conversa, de conscientização dos pais.” A lancheira de Pedro é recheada de saúde: iogurtes zero lactose, suco natural e sanduíches com queijo frio.

Os doces, segundo a pediatra, não devem ser introduzidos até os 2 anos. “O ideal é que o consumo seja no máximo uma vez na semana ou em situações espaçadas”, recomenda a especialista. De acordo com Nathália, uma alimentação balanceada fortalece a imunidade e reduz riscos de diabetes e de alterações nos níveis de gordura do sangue. Uma vida saudável vem acompanhada ainda da constante ingestão de água, que também deve ser influenciada tanto pelos pais quanto no ambiente escolar. “É uma conscientização para a vida.”
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