Fitness & nutrição

Atividades físicas auxiliam no reencontro de corpo e mente

Como ajudam a manter o sistema nervoso organizado, atividades físicas são essenciais para superar transtornos mentais e estresses. Aeróbicas são as mais recomendadas

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postado em 24/09/2017 08:00 / atualizado em 24/09/2017 17:53

Transtornos como ansiedade, depressão, bipolaridade, síndrome do pânico, entre outros, precisam de tratamentos médicos completos e devem ser levados a sério, assim como qualquer doença. Visitas ao psiquiatra, uso de medicamentos, quando receitados, e acompanhamento psicológico costumam ser os principais eixos de tratamento. Porém, existe um grande aliado que também pode — e deve — fazer parte das ferramentas usadas na manutenção da qualidade de vida desses pacientes: o exercício físico.

A indicação tem embasamento médico e científico. O neurologista e neurocirurgião Sizenando da Silva Campos Junior afirma que, para funcionar melhor, o cérebro precisa de boa oxigenação e fluxo sanguíneo regular. “Quando fazemos atividades físicas, estimulamos a circulação, mantendo a saúde dos vasos sanguíneos em dia e promovendo o funcionamento correto do sistema nervoso.”

Um sistema nervoso saudável ajuda na prevenção de distúrbios e, no caso das pessoas que já apresentam diagnósticos de transtorno, a estimulação auxilia na sensação de bem-estar. Sizenando diz que a atividade física previne inflamações e o estresse oxidativo, que reduz os mecanismos de defesa do organismo. “A atividade física provoca a liberação de substâncias químicas chamadas endorfinas e substâncias com características anti-inflamatórias. Isso promove a sensação de bem-estar e auxilia em doenças com quadros depressivos”, explica.

O neurologista reconhece que, dependendo do nível do distúrbio e da condição do paciente, o simples ato de sair para praticar o exercício físico pode ser uma grande dificuldade, por isso ressalta a importância do tratamento médico. “Uma das primeiras coisas afetadas nesses pacientes é a disposição física. Em casos mais graves, a pessoa tem dificuldade em se levantar da cama. Nessas situações, é importante o uso de medicação e terapias que despertem a disposição.”

Minervino Junior/CB/D.A Press
Quando o tratamento começa a fazer efeito, o paciente ganha um novo ânimo. E, para ajudar a mantê-lo, é importante introduzir o exercício físico. Entre as atividades mais indicadas, Sizenando ressalta as aeróbicas, como caminhadas diárias, corridas, natação e bicicleta, e o fortalecimento muscular. Atividades voltadas ao equilíbrio corporal, como pilates e ioga, também são grandes aliadas, como comprova a advogada Laís Cristiny de Sousa Ferro, 29 anos.

Em 2013, Laís passou por um período de conflitos internos e desenvolveu o transtorno de ansiedade generalizada. Com o pensamento focado excessivamente no futuro, e uma alta carga de estresse, o seu equilíbrio físico foi afetado. “Sentia fortes dores de cabeça e nas costas, e passei a ter crises de gastrite. Comecei a fazer terapia, mas não queria tomar medicação para a ansiedade. Meu médico explicou que precisava encontrar uma forma de aliviar esse estresse”, lembra.

Na busca por uma atividade que a ajudasse a lidar com a ansiedade, Laís começou a praticar lutas. “Não funcionou para mim e resolvi me render à ioga. Minha mãe e minha irmã já faziam e insistiam para que eu tentasse também.” Quando experimentou uma aula bem cedo, pela manhã, Laís encontrou o exercício que seria o grande aliado na luta contra a ansiedade. “Descobri também uma nova paixão e hoje, depois de fazer o curso de formação, comecei a dar aulas de ioga para tentar passar essa experiência para os outros”, afirma.

Para Laís, o processo de equilibrar o organismo a partir da respiração, a tomada de consciência do corpo e o foco no presente a ajudaram a lidar com as crises. “Aprendi a ter mais paciência também, focando no presente e deixando de pensar tanto no futuro. Enquanto você faz as posturas e  os exercícios, fica muito presente naquela atividade e isso ajuda muito.”

Minervino Junior/CB/D.A Press
A ioga é de grande auxílio no caso de pessoas que lutam com algum tipo de problema psicológico e pode ser adaptada de acordo com a necessidade e a idade de cada pessoa, explica Iolanda Brasiliense. Professora de ioga de Laís, ela diz que cada aluno é um universo. “É fundamental que ele perceba que pode aprender e dominar a prática por si mesmo, que é capaz de mudar toda a sua vivência.”

Os princípios básicos da ioga, de acordo com Iolanda, são simples e trabalham o físico de forma que ele vai moldando a mente. “A respiração, muito trabalhada nessa prática, chama o aluno para si mesmo, permitindo que alcance uma  reconexão consigo mesmo”, assegura.

Tensão acumulada

Patrícia Shimata Kikuchi, fisioterapeuta especializada em estresse pós-traumático, lembra que os sistemas fisiológicos precisam estar organizados para que exista a sensação de bem-estar. Segundo ela, pessoas com transtornos psiquiátricos ou psicológicos se encontram com o organismo em desequilíbrio e, quando enfrentam situações de estresse, recebem um estímulo com o qual o corpo não consegue lidar.

“O sistema nervoso não consegue se regular, ocorre a descarga de adrenalina no sangue e os batimentos cardíacos aumentam a frequência para levar sangue aos músculos, que se tensionam para que a pessoa fuja, enfrente o problema ou mesmo para que se dissocie da situação”, explica. Se o indivíduo não dá vazão, a tensão permanece no organismo, em níveis muscular e vascular, afetando o funcionamento do corpo.

Ao fazer exercícios físicos, as tensões acumuladas no organismo são liberadas aos poucos. Os músculos são trabalhados, ativam a circulação e colocam todos os sistemas do organismo em funcionamento, liberando endorfinas que trazem sensação de bem-estar e relaxamento. As atividades promovem ainda o equilíbrio da pressão arterial, e isso otimiza o trabalho das glândulas, que passam a produzir os hormônios com mais eficiência, auxiliando o corpo no combate do transtorno.

Assim como o neurologista Sizenando Junior, Patrícia indica os exercícios aeróbicos. “São movimentos musculares ritmados que envolvem o funcionamento contínuo do coração associado ao sistema respiratório. Também são atividades que promovem uma consciência muito ativa dos movimentos, promovendo um engajamento mental além do físico”, esclarece.

A fisioterapeuta acrescenta que, ao enfrentar dificuldades, o indivíduo se desconecta de si mesmo e o exercício permite que ele se reencontre, reconectando mente e corpo e ganhando consciência de si mesmo, processo valioso no tratamento de transtornos psicológicos. As atividades físicas, segundo Patrícia, também auxiliam pessoas com transtornos a se reconectarem com outros indivíduos. “O engajamento social é uma das formas de trabalhar o sistema autônomo nervoso, para que ele tenha reações mais equilibradas quando confrontado ou em situação de conflito ou medo.”


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