Fitness & Nutrição

Dança do ventre beneficia desde a saúde até o autoconhecimento

Basta começar a dançar para esquecer todos os problemas, garante quem pratica a dança do ventre. Aeróbica, atividade fortalece músculos, coração, autoestima, e vale para todas as idades

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postado em 22/10/2017 08:00 / atualizado em 25/10/2017 15:19

O ambiente da sala e o som da música fazem qualquer um esquecer o mundo agitado lá fora. Muito brilho, saias longas, rendas e babados embelezam as bailarinas e caracterizam a dança do ventre. Oito Maya, básico egípcio, Shimmy de barriga e batidas de quadril parecem passos impossíveis para quem vê de longe. De perto, a simplicidade e a sensualidade deixam qualquer um boquiaberto. Mas o bailado com ritmo especial envolve muito mais do que isso — o ambiente é de autoconhecimento, aceitação e, acima de tudo, amizade.

Além de reacender a feminilidade, a dança traz inúmeros benefícios para a saúde, que são, aos poucos, percebidos no dia a dia fora do estúdio. De acordo com a coreógrafa, bailarina e professora Shalimar Mattar, a mulher brasileira tende a ter afinidade com a dança do ventre por conta do gingado. “Existem muitas semelhanças com os ritmos brasileiros, principalmente na parte percussiva, assim como o destaque para os movimentos dos quadris, a energia da dança e, sobretudo, a valorização do estilo pessoal da dançarina. Nessas duas modalidades o mais importante é exteriorizar sua essência”, explica.
Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press

Outro motivo para tal empatia é o fato de a dança ser extremamente rica: existem inúmeras formas de executá-la, em diferentes tipos de músicas. “Temos a dança tradicional, a rotina clássica, moderna e algumas fusões. Podemos utilizar uma série de materiais, como lenços e espadas, o que torna tudo ainda mais interessante.”

Os movimentos tremidos, circulares e ondulatórios executados com o quadril, abdômen e braços expressam toda a sensualidade das bailarinas. Além de ser uma ótima atividade aeróbica, contribui com o funcionamento do sistema digestivo, cardiovascular e fortalece tanto o assoalho pélvico quanto a musculatura do períneo. “A atividade tonifica os músculos, promovendo o alongamento. Apesar de ser uma dança, trabalhamos desde a pontinha do pé até a cabeça”, diz Shalimar.


Aceitação

Muitas bailarinas e estudantes da dança do ventre, segundo a professora, começaram por recomendação de um psicólogo, clínico geral e até mesmo ginecologista. Os benefícios são tantos para o corpo, que atingem o emocional: quem chega para dançar se sente em um local feliz, aconchegante e aprende a se aceitar. “Estamos na dança para aprender técnicas, não para reparar na estética dos nossos corpos”, garante a empresária Paula Jibrin, 35 anos, uma das alunas e também professora da Dalilah Companhia de Dança do Ventre, atual Marhaba.

De família árabe, a moça não levava a sério o talento para a dança até o momento em que foi convidada por sua professora para fazer parte da companhia. “Lido com homens o tempo todo, por conta do meu trabalho. Aqui, é o meu momento de ser mulher, de olhar mais para dentro de mim.” Para Paula, basta colocar os pés dentro da academia de dança para deixar de lado todos os problemas. E é só acompanhar o início de uma aula para entender que ela está certa: a integração e o sentimento de carinho entre as dançarinas garantem leveza ao aprendizado.

A arquiteta Taisa Braga, 30, procurou a companhia depois do primeiro contato com a cultura, em uma viagem aos Emirados Árabes. Encantada com a sensualidade da dança, logo percebeu que se apaixonaria ainda mais. “É uma dança bonita, mas não é vulgar, apesar de mostrar o corpo. É uma terapia. É um dia da semana que tiro para olhar para mim”, revela. Há um ano a arquiteta convive com o que, para ela, é uma forma de arte.

Quem concorda com Taisa é Dalilah Lopes, professora de dança há 18 anos. Segundo ela, a dança do ventre é algo que vive no inconsciente coletivo tanto de homens quanto de mulheres e contribui para a expressão individual. “É uma arte milenar que devolve à mulher a autoestima, autoconhecimento e feminilidade. É sobre ser quem você é e expressar, na dança, como você vê o mundo. É um resgate para nos sentirmos realmente empoderadas”, afirma. A professora conta que recebe alunas das mais variadas idades e que não existe nenhum limite para dançar: tudo é adaptável.
Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press

Diversidade

Para as crianças, uma aula mais lúdica aborda os conceitos da dança e movimenta o corpo. Para os demais, esse conceito é trabalhado junto ao autoconhecimento. “O mais incrível é ver meninas se desenvolvendo perto de tanta diversidade, histórias incríveis de vivência e diferentes classes sociais. A dança do ventre une todas nós. A minha aluna mais jovem tem 72 anos”, brinca. Dalilah garante que é apenas com expressão que a dança pode alcançar sua plenitude.

A dança do ventre, há oito anos, ajudou a professora Mahira Khawalla, 25, a se reencontrar. Desde então, os dias dela são divididos entre a sala de aula e a academia de dança. Lá, como aluna e também como professora, desenvolveu confiança e fez amizades muito especiais. “Tenho um pouco de dificuldade de ver toda essa sensualidade envolvida. Para mim, é sobre olhar no espelho e enxergar quem realmente sou.” O ritmo e a paixão fazem com que ela pratique todos os dias, em casa, e duas vezes por semana, na academia de dança.

De acordo com Mahira, a dança do ventre a ajudou a treinar os ouvidos para o diferente, trabalhar o corpo e traduzir a música. “É isto que me chama para a dança: sentir a música e colocá-la para fora.” Para professoras e alunas, o cenário é de união. “Como é uma manifestação cultural, acaba agregando conhecimento e nos deixando mais próximos uns dos outros. Cada um tem seu espaço, a sua dança”, garante Mahira. Indicação é o que não falta: independentemente de idade, altura ou peso. Basta querer aprender e estar aberta a todos os pontos positivos da dança.

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