Moda

Estilistas homens também ganham espaço no mundo fashion

Em um universo predominado pelo feminino, estilistas homens brilham no cenário da moda

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postado em 19/11/2017 07:00 / atualizado em 16/11/2017 16:05

Em um cenário em que as mulheres predominantemente estão à frente das direções criativas de marcas brasileiras, poucos estilistas ainda se mantêm no ramo da moda, mesclando o tradicional e o inovador nas criações. Conheça alguns desses nomes, como Valdemar Iódice, Ricardo Almeida e João Foltran.

Da criação ao chão da fábrica

Desde a infância, quando observava a mãe fazer moldes de roupas, Valdemar Iódice começou a treinar a sensibilidade e o olhar para a moda. A paixão pela área e a descendência italiana — que, segundo o estilista, é responsável pelo seu bom gosto — são resultado de uma carreira sólida e de sucesso, que já dura 30 anos.

À frente da criação e dos negócios, o estilista ainda vai diariamente à fábrica da marca, em São Paulo. “Eu vejo que a Iódice é uma criança que ainda está caminhando. Por isso, continuo sempre presente.” Ele confessa que tem trabalhado até mais do que no início da marca. 
Sergio Caddah/Fotosite.

A proximidade com os funcionários e com os processos de criação ajudaram Iódice a driblar a crise, em meados de 2010. Em direção contrária às dificuldades financeiras do país, a antiga confecção de Pinheiros se mudou para a Vila Leopoldina com quase o dobro de metros quadrados de espaço. O motivo? “Contato com o desenvolvimento do produto. Eu centralizo o trabalho e estou próximo de todo o processo de produção. Isso faz total diferença”, acredita.

A presença da Iódice no calendário de moda também o ajudou a se firmar no mercado. Até hoje, Valdemar não abre mão dos desfiles. “Passarela é diferente de showroom, é outra perspectiva. E a moda feminina pede isso. O processo de produção exige uma cartela de cor nova a cada estação. É mais emocionante, mostra o DNA da marca, reforça a identidade”, argumenta.

Nesse ritmo, em 27 de agosto, Iódice celebrou 30 anos de grife em um desfile luxuoso no Palácio Tangará, em São Paulo. Por meio de um tropicalismo ultrafeminino e sofisticado, ele reforçou a identidade da marca.Iódice fez pela primeira vez um desfile see now buy now — conceito em que as peças ficam dispostas à venda logo após a apresentação. 

O foco agora está na inovação e no futuro. Iódice sente que precisa fazer mais do que já fez. “A marca é constante, ela não teve muitos altos e baixos. Vejo como uma ladeira subindo. Nessa subida, fomos alcançando patamares de posicionamento, de inovações. O que eu sinto, agora, é que não posso repetir.”


Criação sob medida

Doda Miranda, Gustavo Kuerten, Edson Celulari, Gabriel Medina e Neymar. Todos eles — e outros tantos famosos — têm em comum o fato de terem escolhido Ricardo Almeida para se vestir. Reconhecido como o mestre da alfaiataria, o estilista continua, ao longo de 34 anos de carreira, a inovar.

Dentro do segmento de luxo, Ricardo sempre prezou por tecidos de alta qualidade e exclusivos. Ao relembrar o início da carreira, o estilista dispara: “Acreditei em fazer diferente. Queria importar tecidos para as marcas para quem trabalhava, e eles não toparam. Abri a importação em 1991”.
Arquivo Pessoal

Aos 62 anos, a rotina de produção continua em ritmo constante — ou até crescente. De moto, para não perder tempo no trânsito de São Paulo, Ricardo visita a fábrica do Bom Retiro todos os dias, às 6h30 da manhã. Atende a clientela, supervisiona os departamentos e vai a Bela Sintra para encontrar mais clientes — que acabam virando amigos próximos, parceiros de pingue-pongue, sinuca e videogame.

Estes, que vão de celebridades a executivos, foram conquistados pela perfeição nas peças sob medida de Ricardo. Se preciso, é feito um braço maior que o outro, se o cliente o tiver — caso de Gustavo Kuerten, o Guga. Afinal, o terno se adapta a quem veste, e não o contrário. “O segredo para qualquer pessoa é o bom caimento, o modelo mais justo ao corpo”, ensina.

Fora das semanas de moda há 10 anos por opção, Ricardo tem exclusividade ao apresentar suas coleções em eventos privados, organizados por ele. Escolhe a dedo os convidados, promove jantares e, claro, diversão.

Quando decidiu abandonar a São Paulo Fashion Week, em 2007, Ricardo já previa o see now buy now. Queria proporcionar imediatismo aos consumidores e, a partir daí, começou a fazer os próprios desfiles. “Não desconsidero a importância de semanas de moda, mas queria trabalhar minha marca de uma forma mais exclusiva, sem dividir passarela.”

No mês passado, ao lançar a coleção verão 2018 com novidade de tecidos — a mistura suave e sofisticada de vicunha e cashmere aparece de forma singular nas peças —, Ricardo anunciou a retomada da linha de alfaiataria feminina. Além disso, a expansão está entre as metas do estilista. Atualmente, a Ricardo Almeida possui 22 lojas — 19 masculinas, três femininas e um outlet. Empreendedor, aposta em 30 estabelecimentos de alfaiataria masculina e 40 femininas até 2022. Uma coisa é certa: Brasília está no mapa.  

O mestre dos jeans premium

Para João Foltran, moda é arte e forma de expressão. “Tem a ver com desejo, com o momento que a pessoa está vivendo. Por meio dela, podemos criar coisas incríveis.” Tais criações se resumem à nova empreitada do estilista: a Motor Oil Denim, grife de jeans premium criada em apenas três meses e com espaço inaugurado na Oscar Freire, em São Paulo, em outubro.
Motor Oil/Divulgação

Reconhecido inicialmente como fundador da John John Denim, marca que conquistou o público brasileiro e internacional pela originalidade do jeans, Foltran se arrisca agora em produzir jeans sustentáveis com acabamento personalizado e exclusivo. “Tenho muita atração por peças customizadas e tinha o desejo de voltar a ter a minha marca premium. Todos em minha família têm o DNA da moda e resolvemos voltar ao mercado com um produto que trouxesse inovação em jeans.”

Ao receber a equipe da Revista no recém-inaugurado showroom, um terraço projetado por ele, Foltran explicou a nova fase pós-John John — o estilista vendeu a marca para o grupo Restoque, em 2011. A Motor Oil utiliza tecido importado no acabamento das peças e não adere à água no processo de lavagem do jeans.

“É um procedimento 100% manual, um segredo para a indústria. Somos a única marca no Brasil a fazer isso.” Foltran garante que economiza cerca de 80 litros de água em uma saia e 150 litros em uma calça, por exemplo.

Outra novidade é o selvedge. “Sabe o que eu fiz? Quando recebi o tecido na fábrica, desenrolei o pacote de cada um e dormi neles”, brinca o estilista. O episódio representa, para Foltran, a qualidade e o conforto da matéria-prima. Exclusivo da marca italiana Candiani no Brasil, ele faz o acabamento com o tecido italiano, o selvedge, por dentro e fora das peças.

Com 26 anos de experiência, os próximos passos de João Foltran já estão alinhados à paixão de continuar a empreendeer e a fazer jeans únicos. Caminhando e apresentando, orgulhosamente, o espaço inaugurado, ele garante vendas on-line para todo o Brasil e revendas locais em Brasília em breve.

 
* Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte 
Tags: moda estilo
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