Encontro com o Chef

Irmãs dão delicadeza a doces de Goiás e renovam as tradições

Três irmãs resgatam os tradicionais doces produzidos na Cidade de Goiás. Com uma nova roupagem e o mesmo sabor, eles se tornam os protagonistas de festas em Brasília e São Paulo

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postado em 19/11/2017 07:00 / atualizado em 16/11/2017 17:27

Era uma vez três irmãs nascidas em Goiânia e que, ainda pequenas, foram morar em São Paulo. Longe das origens familiares, elas aguardavam ansiosas a chegada das férias para voltar à terra natal. Todos os anos, o ritual era o mesmo: dividiam-se entre a capital e a Cidade de Goiás, onde boa parte dos parentes vivia.

Nas lembranças mais gostosas, estavam a bisavó Bárbara, sentada em uma cadeira de balanço no quintal, e o cheiro dos doces que vinha dos tachos de ferro das tias da Cidade de Goiás. O tempo passou, as irmãs cresceram, estudaram, tiveram filhos e cada uma seguiu seu rumo. A mais velha, Ruth Jardim, veio morar em Brasília; Simone Jardim permaneceu em São Paulo; e a caçula, Regina Jardim, voltou para Goiânia com a mãe, Ester Jardim.

Há cerca de cinco anos, Simone retornou a Goiás Velho e ficou decepcionada com o que viu. “Comecei a procurar alguns doces e senti dificuldade de encontrar. Não achei com facilidade as rosas de coco, os doces de limão-galego...” A dentista voltou para São Paulo incomodada com aquilo e decidiu que precisava resgatar a tradição que, de certa forma, fazia parte da própria história.

Sibele Negromonte/CB/D.A Press
A bisavó Bárbara, tão presente nas lembranças de Ruth, Simone e Regina, criou os 11 filhos — nove paridos e dois sobrinhos, filhos da irmã gêmea, que morreu muito jovem — vendendo e preparando doce no tacho. “O meu avô era, na verdade, sobrinho dela, mas a tinha como mãe”, relembra Regina. “Esse é um trabalho muito feminino, que ressalta a força da mulher, não pode, simplesmente, desaparecer”, completa Ruth.

No ano passado, Simone voltou à Cidade de Goiás com um objetivo: pôr em prática um projeto, que envolvia toda a família, de resgate das origens. E, assim, começou um trabalho de formiguinha, visitando e conversando com as doceiras que ainda seguem com a tradição. “Esbarrei na pessoa certa. Eliana Martins faz doces desde menina, na própria fazenda, com a ajuda de uma tia e de duas filhas.”

Depois de várias idas à fazenda de Eliana e de muita troca de experiências, as irmãs Jardim fecharam negócio com a doceira, que passou a ser a fornecedora da nova empreitada do trio. “Os doces de Goiás são muito rústicos, cortados sem padrão. Nossa ideia era transformá-los em delicados bombons, mas sem perder o sabor centenário, e apresentá-los para o mundo”, explica Simone. Assim surgia o Doces Família Jardim.

As irmãs fazem as encomendas às doceiras e os produtos vêm diretamente de lá. Em Brasília, elas inauguraram, na semana passada, um ateliê de degustação, local onde os doces são finalizados. Aqui, eles ganham forminhas delicadas e refinadas, são recheados e distribuídos. “Já fizemos festa no Itamaraty, na Embaixada da China, além de aniversários e casamentos”, enumera Ruth.

“Este mês, debutaremos em São Paulo com a nossa primeira festa de 15 anos”, comemora Simone. E os planos não param por aí. A ideia é, em breve, transformar o ateliê, no Sudoeste, também em um café, onde será possível comer as delícias goianas. Em um futuro não tão distante, elas pretendem implantar um projeto de cunho social mais abrangente na Cidade de Goiás. “Queremos ajudar as doceiras a se capacitarem. Muitas delas não têm sequer condições de trabalho”, ressalta Ruth.

Entre as opções disponíveis estão os doces cristalizados de abóbora, abacaxi, laranja, goiaba, além de figo, pasta de caju do cerrado e limão-galego recheados com doce de leite. Tem ainda as famosas rosas de coco, produzidas por Taline Velasco, também de Goiás Velho, e os tradicionais pastelinhos goianos. “Esses doces têm origem portuguesa. Quando chegaram a Goiás, o recheio de ovo foi substituído pelo de doce de leite, produto que eles tinham em abundância”, ensina Simone.

As frutas usadas também são típicas da região. “As casas da Cidade de Goiás, geralmente, têm um quintal enorme. É lá onde as mulheres plantam e retiram as frutas para preparar os doces. Nenhum deles leva conservante”, ressalta Simone. As irmãs lamentam que tudo isso seja tão pouco valorizado. “Esses foram os doces do casamento dos nossos pais, preparados pelas mulheres da família. E não temos uma única foto disso. Só do bolo e da noiva”, lamenta Regina.

Os doces, sobretudo, uniram ainda mais as irmãs Jardim, até então separadas pela distância. “Simone é a criativa; Ruth, a cerebral; e eu, a operacional”, resume Regina. “E a nossa mãe, dona Ester, é o controle de qualidade”, brinca Simone.


Rosa de coco

Sibele Negromonte/CB/D.A Press

Ingredientes
1 coco seco
1 xícara de açúcar cristal
Água

Modo de fazer
1 - Fure o coco, tire a água e reserve.
2 - Leve o coco ao forno por 10 minutos em temperatura alta.
3 - Ainda quente, retire a polpa do coco e, com a ajuda de uma plaina de madeira (espécie de cortador) pequena, corte finas lâminas.
4 - Coloque as lâminas em uma panela com a água do coco e acrescente água até cobrir as fibras.
5 - Acrescente o açúcar cristalizado e leve ao fogo alto por 25 minutos.
6 - Retire do fogo e, ainda quente, separe as tiras e enrole em forma de rosas.

Dica de Simone
A plaina de madeira usada para cortar as lâminas de coco é a menor possível, tamanho 12–101. “Já tentei usar o cortador de legumes e não deu certo. Só a plaina dará o efeito desejado.”

Serviço

Doces Família Jardim
CLSW 302, Bloco B, 
Loja 45, Subsolo
Telefone: 3046-8021
E-mail: docesfamiliajardim@hotmail.com
Instagram: @docesfamiliajardim

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