Saúde

Entenda a displasia que faz o ator de Stranger Things sorrir sem dentes

De nome difícil, mas popularizado em série americana de tevê, displasia cleidocraniana retém muitos dentes embaixo da gengiva

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postado em 17/12/2017 07:00 / atualizado em 14/12/2017 15:38

Quem assistiu à série Stranger Things se encantou com cada personagem interpretado pelos atores mirins da produção da Netflix, mas um deles ganhou atenção especial do público. Gaten Matarazzo, hoje com 15 anos, levou para as telas seu sorriso quase sem dentes, por conta de uma síndrome rara que atinge uma em cada 1 milhão de pessoas. 
 
A disfunção se popularizou quando Dustin, personagem interpretado pelo ator, a explicou, já no primeiro episódio da série. “Eu já falei milhões de vezes, meus dentes vão crescer! O nome é displasia cleidocraniana!”, disse ele, aos meninos do colégio que o transformaram em alvo de bullying.
 
Esse termo complicado pode ser facilmente compreendido, como esclarece a dentista Heloísa Crisóstomo, presidente da Associação Brasileira de Odontologia do Distrito Federal. “Displasia significa uma má formação, e cleidocraniana se refere à má formação da clavícula e do crânio”, detalha. Na prática, isso quer dizer que pessoas como Gaten têm prejuízos no desenvolvimento dos ossos e uma grande quantidade de dentes escondidos embaixo da gengiva.
 
Reprodução Netflix
 
 
Na verdade, a boca que aparenta estar banguela acumula muitos dentes, que ficam sem espaço para nascer. “Quem vê a pessoa com a displasia acha que ela não tem dentes, mas é o contrário. Quando os dentes de leite caem, os permanentes não aparecem, ficam perdidos, sem ter onde nascer e retidos na gengiva”, diz Heloísa. 

Já a clavícula das pessoas com a disfunção demonstra sinais mais claros da displasia. Na maioria dos casos, ela tende a ser mais curta, deixando os ombros bem mais próximos do que nas situações comuns.
 

Sinais de alerta

- Dentes de leite não caem naturalmente
- Dentes permanentes não aparecem após a queda dos dentes de leite
- Ombros são mais próximos um do outro
- Região craniana um pouco maior

Características físicas

Ausência de dentes visíveis após a queda dos dentes de leite
Céu da boca em formato mais ogival 
Pouco desenvolvimento na região do terço inferior da face
Clavícula encurtada ou a ausência de clavícula

Apoio 

O ator Gaten Matarazzo ajudou a criar a organização sem fins lucrativos CCD Smiles, que trabalha para financiar tratamentos de pessoas com a displasia que não podem pagar por eles: https://ccdsmiles.org/ 
 

Palavra do especialista

Dr. Eduardo Rosa é cirurgião-dentista, especialista em cirurgia bucomaxilofacial e doutor em ciências médicas pela UnB.

1. Devido a displasia ser rara, o paciente com tal disfunção pode recorrer ao tratamento com qualquer odontologista, ou deve procurar uma especialidade específica?
O paciente com displasia cleidocraniana - como qualquer outra pessoa - precisa de um dentista clínico geral, se for adulto, ou odontopediatra, quando se tratar de criança, para fazer o acompanhamento odontológico ao longo da vida e o tratamento das doenças comuns da boca, como a cárie e a doença periodontal dentre outras. Esse profissional, através do exame clínico e radiográficos, pode fazer o diagnóstico da síndrome. Os  pacientes também necessitarão de especialistas para tratar as manifestações bucais da displasia cleidocraniana.

2. Quais as principais características de quem tem a displasia?
As deformidades cranianas e principalmente as clavículas pequenas ou ausentes são características marcantes dessa desordem genética, porém, em geral não necessitam de tratamento. As alterações dos ossos da face e dos dentes, por outro lado, causam problemas clínicos e necessitarão de correção. Uma das principais manifestações é a presença de vários dentes supranumerários, ou seja muitos dentes a mais que o normal. Os dentes extras e até mesmo os dentes normais, apresentam dificuldade para erupcionar - ou seja, para nascer - e muitos acabam ficando inclusos. 

3. Como ocorre o tratamento dela?
Para remover os dentes extras, que podem ser dez ou até mais, o especialista indicado é o cirurgião bucomaxilofacial. Muitas vezes, para alcançar esse objetivo, serão necessárias algumas cirurgias sob anestesia geral. Os dentes considerados normais que não conseguem nascer podem ser trazidos para boca com ajuda de aparelhos ortodônticos. Nesses casos o ortodontista é o especialista que, em conjunto com o cirurgião, vai conduzir esse processo. Eventualmente, em adultos, as deformidades do esqueleto facial também poderão necessitar de correção cirúrgica, mais uma vez o cirurgião bucomaxilofacial em conjunto com o ortodontista serão os especialistas capacitados para isso. Quando o tratamento se inicia na infância os efeitos sobre o esqueleto facial podem ser minimizados.
 
 
 
* Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio
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