Redes sociais invadem o universo dos pequeninos e até dos que não nasceram

Não há idade para se comunicar pela internet. Mas não é exagero mandar recados virtuais, via e-mails e Facebook, para bebês?

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postado em 16/11/2010 09:52


Marcelo Ferreira/CB/DA Press

Papais e mamães ficam orgulhos quando os filhos nascem ou estão para nascer. Então, divulgam fotos e novidades sobre os pequeninos para vizinhos, amigos, colegas de trabalho e, se for possível, para o mundo. Para demostrar todo esse afeto, parece que vale tudo: criar e-mail, perfis no Orkut, no Twitter e no Facebook são opções para quem quer conectar, desde cedo, os pimpolhos ao mundo virtual.

A ideia é mais comum do que se pensa. Uma pesquisa da fabricante de softwares de segurança AVG Technologies, feita com 2,2 mil mães da América do Norte, Europa e países da Ásia, mostra que 81% das crianças na idade de dois anos já possuem algum tipo de perfil na internet e 7% dos bebês têm endereço de e-mail. A pesquisa vai mais longe: até que não nasceu também tem espaço na vida digital. Tudo começa quando os pais postam ultrassonografias, experiências da gravidez, fotos da trajetória do nascimento e exames de pré-natal na internet.

O envolvimento da criançada com as redes sociais avança pelo planeta. A realidade brasileira, por enquanto, é tímida, mas cresce com o número de acessos à internet. Para avaliar a situação no país, o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) divulgou uma pesquisa em que revela que o uso do computador com os jogos entre as crianças ainda é maior do que as atividades que envolvem comunicação. Apesar disso, o Brasil caminha para alcançar o cenário dos outros países. Em mais de 2,5 mil casas visitadas, 30% das crianças de 5 a 9 anos declararam acessar redes sociais e 31% possuem uma conta de e-mail.

Ainda estar na barriga da mãe não é empecilho para entrar na onda da comunicação virtual. Davi, de seis meses de gestação, tem perfil no Twitter garantido. “Olha só que legal! Meus pais @aleh e @saralilian deixaram eu contar pra vocês qual é o meu nome. Eu sou o Davi Alexandre, gente!”, diz a última postagem na página que o pai, Alessandro Andrade, fez questão de criar.

Andrade, 30 anos, é servidor público e adora estar conectado. “A ideia surgiu pela corujice do pai nerd mesmo.” Ele acredita que é importante os pais reservarem um espaço, mesmo que virtual, para o bebê dentro da família. “Se já tínhamos um perfil no Twitter, porque não fazer um para o Davi?”, questiona.

No início, a mãe, Sara Lilian, 28, resistiu à ideia de expor o bebê, mas concordou. “Depois, ao ler a primeira frase como se fosse ele quem estivesse falando, fiquei emocionada”, afirma. Desde então, os dois atualizam o perfil com textos, imagens e até fotos das ecografias. “Tudo para dizer ao mundo que o bebê está chutando ao vivo”, sorri o papai.

O casal conta que o momento mais emocionante foi quando tuitaram o sexo do bebê no mesmo dia em que descobriram. “Várias pessoas interagiram nesse dia, dando os parabéns”, comentam empolgados. Para os pais de Davi, usar a internet é só uma das formas de transmitir e receber mensagens de carinho.

Ao clicar em links do perfil, os usuários podem conhecer ainda mais sobre o menino, mas os pais fazem questão de dizer que são apenas pessoas conhecidas e que se preocupam com a privacidade. Este é o principal contraponto quando se fala de rede social. O especialista em tecnologias na educação Gilberto Lacerda chama atenção para as implicações desses novos hábitos infantis.

Lacerda acredita que inserir bebês no mundo virtual não interfere diretamente na vida das crianças porque é um ambiente manipulado pelos pais. “Este é um dispositivo de exposição dos filhos, se usa este meio para se comunicar com os familiares distantes, para que estes tenham um acesso mais fácil às fotos da criança.”

Porém, a superexposição pode levar meninos e meninas a usar precocemente as redes sociais e é preciso maturidade para saber separar o que é bom e ruim da internet. Segundo o professor, as informações sobre o assunto no Brasil são novas e os estudiosos têm que mapear melhor a situação. “Não temos certeza das repercussões futuras deste tipo de mídia na sociedade”, diz ele.



Nunca é cedo para navegar

92%
das crianças americanas já estão on-line aos dois anos

73%
das crianças dos países da União Europeia também estão on-line nesta idade

37%
dos recém-nascidos do Reino Unido têm vida on-line a partir do nascimento

37%
das crianças do Canadá iniciam a vida virtual quando os pais postam exames de pré-natal na internet

7%
dos bebês e das crianças pequenas têm um endereço de e-mail criado pelos pais

5%
têm perfil em rede social

70%
dos pais disseram que o objetivo é compartilhar informações com amigos e familiares

22%
das mãe assumiram que queriam acrescentar mais conteúdo aos seus perfis nas redes sociais

Fonte: AVG Tecnologies