Apple vale o mesmo que todos os 32 maiores bancos da União Europeia juntos

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postado em 20/08/2011 09:09 / atualizado em 20/08/2011 09:19

A Apple tem o mesmo valor que o de todos os 32 maiores bancos da União Europeia (UE) somados, segundo estatísticas apuradas ontem pela agência Thomson Reuters. A comparação é resultado de uma queda acentuada no preço das ações das instituições financeiras, incluindo Santander, BNP Paribas, Deutsche Bank e Unicredit ante o valor estável dos papéis da companhia de tecnologia norte-americana, fabricante do iPad, do iPhone e do iPod.

Ontem, o índice DJ STOXX, que mede o movimento das ações de bancos europeus, caiu 4%, o que reduziu o valor de mercado de seus 32 integrantes para US$ 340 bilhões, exatamente o quanto vale a Apple para os investidores. Desde o começo de julho, o indicador das instituições financeiras perdeu um terço de seu valor, atingido pelo temor de perdas bilionárias relacionadas ao risco de calote nos títulos públicos de alguns países da Zona do Euro, como Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. Os bancos têm esses bônus entre seus ativos e sofrerão muito em caso de inadimplência.

Em contrapartida, o valor da Apple aumenta de forma exponencial e deve atingir um novo pico nos próximos meses. A companhia está trabalhando com fornecedores de componentes e sua parceira de produção na Ásia para a fabricação, a partir de outubro, do iPad 3, a próxima versão do seu tablet. Segundo o jornal The Wall Street Journal, a empresa encomendou componentes, como telas e chips, para a montagem do novo aparelho. O lançamento está previsto para o início de 2012. O mercado espera que o equipamento tenha tela com uma resolução mais alta, de 2.048 por 1.536 pixels

Encomenda
Fabricantes contratados pela Apple na China, na Coreia do Sul e no Japão já teriam iniciado a produção. Segundo o jornal, a companhia já encomendou 1,5 milhão de unidades do iPad 3 para serem montadas ainda no último trimestre do ano. O primeiro iPad chegou no início de abril de 2010. O modelo atual, a versão nº 2, foi lançado 11 meses depois, em março de 2011.

A Apple domina amplamente o mercado de tablets e tem como principal concorrente as fabricantes que utilizam o sistema operacional Android, do Google. Na quinta-feira, a HP anunciou o fim da fabricação do TouchPad, criado para competir com o produto da Apple. A Samsung teve um revés, quando a Apple conseguiu na Justiça a proibição da venda do Galaxy na União Europeia. A companhia de Steve Jobs alega que o aparelho sul-coreano é uma cópia do norte-americano.


Ação da HP cai 20,03%
As ações da Hewlett-Packard, a maior fabricante mundial de computadores, se desvalorizaram em 20,03% ontem, na Bolsa de Valores de Nova York, um dia após a companhia anunciar uma grande reestruturação, que implicará a venda de sua divisão de máquinas pessoais (PC) e seu virtual abandono do segmento. Além disso, ela também reduziu a projeção de lucros anuais, o que levou duas corretoras a rebaixarem o valor de referência para a compra dos papéis. Elas mencionaram as despesas da reformulação e as incertezas quanto ao sucesso da empreitada.

“A HP está conduzindo uma transformação estratégica sólida ao se concentrar nas oportunidades de alto crescimento e margens elevadas nos mercados empresarial e comercial”, afirmou a corretora Gleacher em nota. “No entanto, nós subestimamos materialmente a magnitude e o cronograma desse movimento, ou seja, o declínio das margens em tecnologia da informação e os problemas de crescimento em negócios de armazenagem.” A Gleacher reduziu a US$ 39 o preço-alvo para as ações da HP, contra os atuais US$ 50, mas manteve a recomendação de compra.

Símbolo
A companhia também suspendeu a produção do tablet TouchPad, com sistema operacional WebOS, que não conquistou os consumidores, e anunciou a aquisição da companhia britânica de software Autonomy para reforçar as operações em computação em nuvem. A Cypress Semiconductor, principal fornecedora de telas de toque para o TouchPad, também sairia prejudicada no caso de cancelamento do produto, segundo a corretora

Collins Stewart. A HP, que por anos foi uma das empresas símbolo do Vale do Silício, nos Estados Unidos, vem enfrentando problemas na divisão de computadores. A dificuldade é concorrer com aparelhos mais modernos, como o iPad, que ganha amplas fatias de mercado.

Anteontem, a HP havia diminuído a projeção de receita anual de até US$ 130 bilhões para um piso de US$ 127,2 bilhões. Da mesma forma, também reduziu a projeção de lucro por ação de US$ 4,27 para uma faixa entre US$ 3,59 e US$ 3,70.

Grandes demais
As operações de computadores pessoais da Hewlett-Packard podem ser grandes demais para que uma empresa asiática de tecnologia as adquira integralmente, mas existem potenciais interessados caso a HP decida mesmo dividir a área. O negócio é avaliado em até US$ 12 bilhões. “A dimensão do grupo de sistemas pessoais significa que é improvável uma aquisição da divisão inteira por uma única empresa”, disse Carter Lusher, analista do grupo de pesquisa Ovum. Eventuais interessadas incluem rivais da HP, como a Lenovo (China) e a Acer (Taiwan).
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