Brasil decola na indústria de apps e mercado acumula lucros nesta década

De um lado, o mercado consumidor do Brasil figura entre os principais do mundo; do outro, desenvolvedores nacionais assumem protagonismo numa bolada de US$ 25 bilhões. Série do Correio mostra o presente, o passado e o futuro dos aplicativos

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postado em 11/05/2015 09:46 / atualizado em 12/05/2015 17:02

Mirelle Pinheiro

Menos de 40 anos de idade e um punhado de milhões de reais na conta. A matemática não é sempre tão exata, mas os números arredondam bem o perfil dos brasileiros que tiveram sucesso na indústria de aplicativos nesta década. Muitos começaram a desenvolver softwares nas universidades e hoje são donos de empresas com estrutura enxuta e faturamento alto. O mercado nacional ajuda investidores e desenvolvedores: atualmente, ele movimenta US$ 25 bilhões anuais, com expectativa de alcançar US$ 70 bilhões em 2017, de acordo com projeção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Tudo isso impulsionado pela disseminação crescente de hardware: levantamento do IBGE mostra que mais da metade dos brasileiros com acesso à internet usa smartphones e tablets para navegar. Os dados estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente a 2013.

Os números registrados pelas duas principais lojas virtuais da indústria dos aplicativos, também conhecidos como “apps”, sustentam o poder e a aparentemente ilimitada capacidade de propagação (leia quadro abaixo). Sobre as prateleiras digitais dessas duas plataformas, acumulam-se quase 3 milhões de softwares. Com isso, só no ano passado, desenvolvedores de aplicativos em todo o mundo acumularam aproximadamente US$ 17 bilhões em receita, o que corresponde a aumento de 50% no faturamento médio das empresas envolvidas com apps.

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Apenas no Google Play, que abastece com programas o sistema operacional Android, todos os aplicativos renderam US$ 7 bilhões às empresas entre fevereiro de 2014 e de 2015, segundo informou ao Correio Regina Chamma, diretora de apps & games para a América Latina. “Qualquer desenvolvedor pode criar uma aplicação e expandi-la ao mercado global, de maneira incrivelmente rápida e rentável. Presenciamos inúmeras empresas que se tornaram gigantescas apenas com a publicação de um app, como o Instagram e o WhatsApp, por exemplo”, anima-se André Vilas Boas, diretor de uma empresa especializada em softwares.

Na hora de acertar a Mega-Sena de qualquer app store (loja de aplicativos), muitos projetos começam na esfera acadêmica. Fabrício Bloisi, um dos fundadores e CEO de uma empresa nacional que já criou aplicativos com 50 milhões de usuários, desenvolveu as primeiras telas na incubadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 1998, quando tecnologia móvel ainda era tão inconsistente quanto o embrionário mercado de telefonia celular. “Começamos a trabalhar com SMS em 2000, quando esse era o primeiro formato para se comunicar. A partir daí, investimos pesadamente em inovação”, lembra. Hoje, a empresa conta com mais de 700 funcionários e 11 escritórios no Brasil, Argentina, Peru, Colômbia, México e Estados Unidos. Com apenas 29 anos, Thelma Valverde, CEO da eMiolo, empresa sediada em Juiz de Fora (MG), deixou receios de lado e criou a empresa em 2005. O grande sucesso da startup é o Qranio, jogo de perguntas e respostas que conquistou mais de 1,2 milhões de usuários. “Contratamos uma equipe só para se dedicar ao aplicativo”, pontuou.

Os universitários brasilienses Bryan de Holanda Fernandes, da UNB, André Santana Ferreira, da UCB e Marcelly Godinho da UNB, desenvolveram o app RecTag, disponível na App Store, e comemoram o sucesso do app. O aplicativo permite fazer gravações de áudio e adicionar marcação nelas. O utilitário foi desenvolvido no projeto BEPiD na Universidade Católica de Brasília.



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