Dispositivo intravaginal reproduz música sem distorção a bebês em gestação

Chamado de Babypod, o aparelho já é vendido na Europa, mas alguns especialistas acham que mais estudos sobre os efeitos nas crianças são necessários

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postado em 29/10/2015 09:21

Curioso com a possibilidade de o bebê ter contato com a música ainda no útero sem as distorções causadas pelas diversas camadas protetoras, um grupo de pesquisadores espanhóis criou uma tecnologia que busca oferecer música para bebês em gestação e aumentar a interação entre pais e filhos no pré e no pós-natal. Chamado de Babypod, o dispositivo é introduzido pela vagina, possui um alto-falante como o de um fone de ouvido e uma saída para plugar em reprodutores de música (como celulares, aparelhos de som, tablets etc.). Além disso, ele vem com uma porta para plugar fones de ouvido, possibilitando que mais pessoas escutem a música ao mesmo tempo que a criança.

A invenção foi publicada na revista científica britânica Ultrasound. De acordo com os cientistas do Instituto Marquès, em Barcelona, a criação do dispositivo trouxe um novo dado sobre o desenvolvimento do feto: segundo os autores, ele escuta e reage à música a partir do quarto mês de gestação — até então, outros estudos afirmavam ser na 21ª semana, pouco mais de cinco meses da gravidez.

Os pesquisadores partiram da ideia de que a única forma de um bebê em gestação ouvir músicas da mesma maneira que uma pessoa fora do ambiente uterino seria por via vaginal. Isso porque as ondas sonoras da música ambiente ou emitida por fones de ouvido colocados sobre a barriga da mãe precisam atravessar mais do que o dobro de camadas (entre elas, a pele, o tecido adiposo, os músculos e parede uterina), o que faz com que o som chegue à criança praticamente inaudível.

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O Babypod, que já está sendo comercializado na Europa, foi testado em 100 grávidas voluntárias, com gestações entre 14 e 39 semanas. Os especialistas garantem que o invento não apresenta riscos para a gravidez, pois é feito com um material de silicone hipoalergênico e não possui bateria, bluetooth ou radiofrequência. Ainda assim, é contraindicado em casos de dilatação do colo uterino ou quando estão ocorrendo as contrações do parto, além de situações de infecção vaginal e de gestação de alto risco.



Nos testes, os cientistas compararam as reações do feto — ou fetos, nos casos de gêmeos — quando a música era transmitida por fones colocados na barriga e quando era emitida por via vaginal. O que chamou a atenção foi que, com o Babypod, os bebês reagiam à música, fazendo movimentos com a boca e a língua quando a música chegava pela vagina, o que os inventores supõem serem sinais de vocalização e estimulação à linguagem e à comunicação. “O som que chega do exterior quase não é escutado pelo bebê. Ele o percebe como um sussurro e de forma distorcida porque os tecidos abdominais e do interior da mãe absorvem as ondas sonoras”, explica ao Correio a especialista em ginecologia Marisa López-Teijón, principal autora da pesquisa.

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