Quem é o bilionário que tem revolucionado a conquista do espaço

O sul-africano Elon Musk concluiu, nesta semana, uma operação que pode ser irreversível na exploração do universo

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postado em 23/12/2015 19:27 / atualizado em 28/12/2015 14:22

Correio Braziliense

REUTERS/Lucy Nicholson/Files - 25/10/2013


Quando o magnata Jeff Bezos conseguiu lançar ao espaço e trazer de volta à Terra o foguete New Shepard no fim do mês passado, o bilionário Elon Musk não demorou muito a parabenizar o fundador e CEO da Amazon.com pelo feito: "Parabéns a Jeff Bezos e à equipe da Blue Origin por conseguir decolar e aterrissar verticalmente em seu impulsionador", escreveu no Twitter. "Contudo, é importante deixar clara a diferença entre 'espaço' e 'órbita'", completou, direcionando o rival a um site didático de "respostas científicas sérias a perguntas hipotéticas absurdas", que explicava o quão simples é chegar ao espaço, distante 100 km da superfície terrestre. 



Na última segunda-feira, exatamente 28 dias após as provocações, Musk já comemorava a façanha que o tirava da lanterna na conquista do universo: a SpaceX, empresa estadunidense de transporte espacial, que só com a Nasa mantém contratos de 1,6 bilhão de dólares, fez com que o foguete não tripulado Falcon 9 colocasse em órbita 11 satélites de comunicação e voltasse à Terra minutos depois - e a apenas 10 quilômetros de onde havia decolado, na Flórida. “Bem-vindo de volta, bebê!”, publicou o empresário no Twitter - que encarregou-se de transmitir o acontecimento ao vivo.

A proeza foi saudada pelo principal jornal dos Estados Unidos, segundo o qual as pessoas que vivem no centro da costa atlântica, que aproveitam há décadas o lançamento de foguetes ao espaço, tiveram uma nova visão do que pode se tornar comum: retornos e pousos suaves de veículos espaciais - em contrapartida ao que ocorre com as cápsulas atuais, que são abandonadas para se desintegrarem naturalmente. 

O êxito da Falcon 9 valida os empreendimentos ambiciosos de Musk desde a criação da SpaceX, em 2002: a reutilização de foguetes (para baratear o custo de voos espaciais) e a ocupação de outros planetas. “Penso que aumentou dramaticamente a minha confiança de que uma cidade em Marte é possível”, declarou, em coletiva de imprensa, após a aterrizagem do projétil. "É disso que isso tudo se trata."

AFP PHOTO/SPACEX - 21/12/2015


Enquanto a exploração do Planeta Vermelho não é exatamente uma realidade, o empresário de 44 anos divide-se entre negócios mais fáceis, como a criação de carros elétricos que dirigem sem motoristas, a concepção de um sistema de transportes duas vezes mais rápido que os trens-bala ou a produção de baterias para o abastecimento energético de casas. Além da SpaceX, Musk encabeça as companhias de tecnologia Tesla Motors, Tesla Energy, SolarCity, Gigafactory e, mais recentemente, OpenAI, um laboratório sem fins lucrativos de pesquisas abertas em inteligência artificial (anunciado também na última segunda-feira). 

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As empresas de Musk podem não ser tão familiares aos brasileiros, mas o visionário leva no currículo uma invenção que ficou bem popular por aqui. Atribui-se a ele a criação dos serviços de pagamentos online em 1999 - quando o navegador mais ágil ainda era o Explorer - com a empresa X.com, que deu origem à uma das companhias mais populares no ramo, a PayPal. 

O primeiro engenho bem-sucedido do sul africano, que mudou-se para o Canadá (terra natural da mãe) aos 18 anos, foi, entretanto, bem antes disso, aos 12, com a venda de um protótipo de videogame para uma revista especializada. O empresário, contudo, nunca cursou engenharia. Formou-se em física e administração na Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos - e abandonou o PhD em física aplicada na Universidade de Stanford na primeira semana de aulas.  

Justin Sullivan/Getty Images/AFP - 29/9/2015


Apesar do salário oficial de apenas um dólar na Tesla Motors, o empreendedor está entre os 100 bilionários na lista geral da Forbes - com fortuna avaliada em 12,8 bilhões de dólares -, é o 15º na relação liderada por Bill Gates que enumera os maiores do ramo tecnológico e foi considerado em 2015 o 38º homem mais poderoso do mundo, subindo 12 posições no ranking em um ano. Não por menos, acredita-se que Elon Musk seja a referência para a criação da versão de Robert Downey Jr. do herói bem-sucedido Tony Stark nos cinemas. Ao menos para Jeff Bezos e o restante da concorrência, vai ser difícil derrotar o Homem de Ferro da vida real nos próximos anos. 
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