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Análise: erros técnicos ofuscam o ótimo potencial de Just Cause 3

Telas de loading de até dois minutos e quedas constantes de framerate atrapalham. Já a navegação, o gráfico e as missões secundárias o fazem valer a pena

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postado em 25/12/2015 17:51 / atualizado em 25/12/2015 17:50

Álvaro Tadeu , Especial para o Correio

Xbox/Divulgação
 
Just Cause sempre se levou muito a sério. Baseada na navegação como principal chamativo, a série te coloca na pele de Rico Rodriguez (curiosamente, um dos poucos protagonistas latinos na indústria), cujo papel é desbancar alguma espécie de ditador que tem domínio sobre uma ilha ou país fictício. A premissa seria dramática se no terceiro game da saga não fosse, basicamente, a mesma. De tanta repetição, mais parece o roteiro de um filme pastelão da década de 80. E não haveria problema se Just Cause assumisse esse tom debochado, mas sério como é, e ainda com erros destoantes de seu tom, causam confusão no jogador. 

No mais recente título publicado pela Square Enix, Rico Rodriguez volta para a terra natal, a ilha de Médici, com o objetivo de (novamente) combater o ditador Di Ravello. A história é descartável. Contém personagens unidimensionais e arquetípicos que beiram o estereótipo, trama previsível e entediante, e uma narrativa justificada por explosões - que, convenhamos, são as mais bonitas já vistas em jogos de videogame. Apesar disso, é prazeroso explorar o arquipélogo de Médici.
 
As novidades nesta sequência aparecem em detalhes da jogabilidade - alguns, inclusive, elevam a experiência de navegação da franquia.

Ótima combinação

No terceiro jogo, a experiência de navegação é ainda melhor que nos anteriores, por causa de uma implementação: a wingsuit, um traje planador que te permite explorar as locações do game de diferentes formas. A adição potencializa o uso dos outros dois elementos de navegação (gancho e pára-quedas) já conhecidos. Não só é responsável por tornar o jogo mais ágil, ao ponto de você quase não precisar usar carros, como também é essencial para a combinação com os lindos gráficos do game. 

Eles constroem uma ambientação excepcional. A sensação de liberdade ao explorar as locações mediterrâneas se aproxima à de quando se joga Forza Horizon 2 e é mais vertical e heterogênea, o que cabe bem à proposta do título. É fácil se perder voando por Médici e admirando os vilarejos cercados por vinhedos e plantações de girassol - até Rico se estabacar de cara com o chão.

Outra adição de peso na jogabilidade são os ganchos remotos. Agora, Rico pode disparar uma espécie de gancho de duas pontas que se ligam por uma corda retrátil. A possibilidade de situações absurdas e hilárias vão desde prender uma vaca a um poste de luz até ligar um helicóptero a outro e uma pessoa entre ambos. Ao apertar o botão traseiro esquerdo superior do console, a corda entre os dois ganchos retrai, fazendo do mecanismo uma máquina mortífera aleatória e cômica dentro do contexto do jogo - bônus para a combinação com os propulsores explosivos.
 
É esse tipo de detalhe que contrasta com o tom sério da história de Just Cause, o que, naturalmente acaba confundindo o jogador. Enquanto seu personagem tem a possibilidade de juntar vacas a prédios e cidadãos a helicópteros, a preocupação principal do jogo é com um ditador que aterroriza os habitantes. 

As missões secundárias do game são muito mais atrativas que as principais, que pecam pela repetitividade e péssima configuração visual. Enquanto você é livre para fazer o que bem entender no universo do game, as missões principais fazem o inverso: te dão pouquíssimas opções e chegam a restringir a área - elemento ultrapassado de game design. 
 
YouTube/Reprodução
 
 
O mapa do jogo, incrivelmente grande, é dividido em províncias. Cada cidade principal é dominada por capangas de Di Ravello, com alto-falantes que transmitem mensagens do ditador, projetores de filmes, outdoors, bases militares e até uma estátua do tirano. Ao eliminar todos os “resquícios” de ditadura, Rico libera a cidade e, por conseguinte, as missões secundárias da província. É um modo divertido de progressão do game, muito mais interessante que as missões principais.

Para desbloquear melhorias de Rico, você tem de conquistar desafios específicos. Para aperfeiçoar os carros (como turbo e a habilidade de fazer o veículo pular), existem as corridas contra o tempo em percursos do mapa. Os desafios de pára-quedas melhoram a velocidade, os da wingsuit dão habilidades no ar, e por aí vai. 

Erros técnicos

Com tantos acertos em criar um universo proveitoso, os erros técnicos mancham a experiência de Just Cause 3. As explosões, por exemplo, diminuem o framerate (em todas as versões do game!) e chegam a impedir o jogador de continuar. Além disso, o jogo tem de se conectar aos servidores da Square Enix, o que acabou ocasionando um dos maiores loadings do ano: é maior que os de Bloodborne, acredite. Em teste feito pelo Tecnologia, um dos loadings chegou a inexplicáveis dois minutos. 

Just Cause 3 tinha um potencial incrível de estar entre os melhores jogos de 2015. Sua característica única ao focar em mecanismos de navegação e liberdade se complementa com cenários lindos e efeitos visuais ainda melhores. A trava, porém, fica nos erros técnicos e no tom do jogo, que se leva tão a sério que torna seus erros ainda mais inaceitáveis. Para o bem e para o mal, é um ótimo jogo para se passar uma tarde - na tela de loading. O game mesmo você pode jogar à noite.

Nota: 8

Informações técnicas:
- Publicação: Square Enix
- Desenvolvimento: Avalanche Studios
- Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC
- Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos
- Jogadores: 1 (off-line)
- Preço: R$ 229,90 (consoles) R$ 129,90 (PC)

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