Do que mais rimos: relembre os memes e virais que fizeram sucesso em 2015

Segundo especialistas, para fazer sucesso na rede mundial de computadores, postagens devem ser bem humoradas e estar em sintonia com temas da atualidade

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postado em 28/12/2015 15:02 / atualizado em 28/12/2015 15:24

Facebook/Reprodução


De janeiro a dezembro, a internet reproduziu à exaustão os chamados memes. Teve para todo gosto: de vestidos que mudam de cor a novos conceitos, como o “deboísmo”. Mas, afinal, o que é um meme? Para começar, a palavra foi utilizada pela primeira vez em 1976, no primeiro livro do etólogo e biólogo Richard Dawkins, O gene egoísta. O texto apresenta uma teoria que explica a evolução das espécies a partir dos genes e não dos organismos ou das espécies. Resumidamente, Dawkins encontrou padrões culturais que se repetiam continuamente e que seriam responsáveis pela evolução. Mas o que isso tem a ver com as imagens, vídeos e frases engraçadas que se espalham pela web feito vírus? Tudo: a definição de meme nada mais é do que “uma coisa que se repete continuamente”, assim como os genes, explica o especialista em mídias na sociedade da Universidade de Brasília (UnB) Gilberto Lacerda Santos.

Os memes da internet são apenas um entre os vários tipos de meme. Eles são muito comuns e estão por toda parte. Os filmes, por serem reproduzidos em massa, causam nas pessoas a vontade de imitar comportamentos que aparecem na tela, como bordões de personagens (mesmo quando quem repete a frase não viu o filme em si). Outros exemplos são piadas, provérbios, aforismos (sentenças com preceitos morais), poemas épicos e canções de ninar. Quanto mais pertinência com temas atuais tem um meme, mais longo é seu tempo de vida — essa é a fórmula para o sucesso.

Santos acrescenta que há dois elementos facilitadores da propagação dos memes. Em primeiro lugar, eles têm uma pegada de marketing — surgem de acordo com os interesses do interlocutor e fazem com que ele reproduza o elemento em sua rede de contatos. Outro fator que influencia a difusão: a própria internet. Os memes se aproveitam das características da web e das facilidades que novos meios baseados nela oferecem. Com praticamente toda a população com um smartphone à mão, nunca foi tão fácil divulgar uma informação para centenas de amigos em questão de segundos.

Dialeto único
Imagine um tiranossauro rex pintado de azul, com uma boca enorme, mas sem a parte inferior da mandíbula. Nem fanho, nem dentuço, mas dono de um dialeto exclusivo, o Dinofauro é um personagem que começou a se espalhar pela internet em maio deste ano. Caso você se depare com uma publicação na web em que todas as consoantes do texto tenham sido substituídas pela letra F, só falta uma coisa para virar fã do personagem: dominar a linguagem dele e se divertir com as situações em que ele é colocado. As publicações da página do Facebook têm o objetivo de divertir, mas também envolvem temas atuais, como a crise política e econômica pela qual o país está passando.

O idealizador do simpático animal, André Crevilaro, 33 anos, ressalta que ele e a equipe evitam se envolver em temáticas polêmicas. Depois de sete meses de trabalho original e criativo, diz André, ele ainda se impressiona com o sucesso de sua cria. “Vi uma imagem do Dinofauro há algum tempo na internet e quis criar a página. Fiz dois posts e fui ao cinema com a minha esposa. Quando voltei, já havia mais de mil curtidas”, lembra. O alcance individual das publicações chegou a 1 milhão de usuários do Facebook nos tempos áureos em que a página foi lançada. Depois, decaiu para pouco mais de 400 mil pessoas e chega, hoje, à média de 45 mil.

 

Arquivo Pessoal/Divulgação

 

A escapatória para evitar o esquecimento foi transformar o Dinofauro em personagem, em vez de deixá-lo morrer como meme. Mais que criar publicações engraçadas, a aposta do idealizador é injetar nele personalidade própria. “Percebi que as pessoas estavam se ligando emocionalmente a ele.” Website e página no Facebook não são o limite. O personagem tem até aplicativo móvel, o Dinofauro — Fhe Game. O jogo funciona assim: você escuta o que ele tem a dizer e completa a palavra oculta antes que o tempo acabe, para salvá-lo da forca.

Outro artifício para fidelizar os fãs é um boneco de pelúcia, igualmente azul e dentuço, que pode ser comprado pela internet. “Quando eu aparecia com ele nos eventos, as pessoas gostavam muito, queriam roubá-lo de mim”, brinca André. Para o futuro, há até a possibilidade de escrever um livro para narrar uma grande aventura do Dinofauro. “Só falta tempo”, pondera.

Como acontece com todo novo projeto, o Dinofauro também enfrentou dificuldades. A primeira foi com o nome, que, mesmo depois de registrado na Biblioteca Nacional, continua a ser reproduzido. Outro desafio para a sobrevivência da página foi que, à época do nascimento, foram feitas críticas quanto ao personagem em si. “Algumas pessoas disseram que estávamos tirando sarro de pessoas com deficiência.” Em seguida, uma fonoaudióloga resolveu se pronunciar, apoiada pelos administradores da página, e criou um texto voltado a quem tem algum tipo de dificuldade na fala. O conselho dela foi claro: em casos como o do personagem, o ideal é procurar um médico.

Retrospectiva

Relembre alguns dos memes que certamente apareceram na tela do seu computador ou celular ao longo deste ano:

 

Vestido que muda de cor
“Gente, por favor, me ajudem! Este vestido é branco e dourado ou azul e preto?” A pergunta foi feita por uma usuária do Tumblr que estava confusa quanto às cores de um vestido de renda. Internautas do mundo inteiro iniciaram um debate que parecia não ter fim: afinal, a vestimenta é azul e preta ou branca e dourada? A discussão gerou tanta polêmica que a roupa com crise de identidade ficou no topo dos assuntos mais comentados do Twitter (foram mais de 11 milhões de publicações sobre o assunto em apenas um dia). Depois de tanta repercussão, a equipe de fotografia dos Serviços Mundiais da BBC usou um software para mostrar que o vestido era, definitivamente, azul e preto.

 

Facebook/Reprodução

 

“Senhora, senhora”
Flagrada no início de setembro batendo ponto e indo embora sem cumprir o horário de expediente, uma servidora da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) acabou virando meme após correr de uma repórter da TV Anhanguera, afiliada da Rede Globo, que tentava fazer com que ela se explicasse. No vídeo, a jornalista corre atrás da servidora e chama por ela durante a perseguição, dizendo: “Senhora, Senhora! Volte aqui!”. Assim que a matéria foi ao ar, no Jornal Nacional, montagens da “senhora” em diversas situações tomaram conta da internet. O assunto gerou tanta polêmica que a funcionária foi exonerada do cargo público e optou por se mudar de cidade.

 

Youtube/Reprodução
 

 

Já acabou, Jéssica?

Duas meninas foram filmadas trocando tapas, socos e pontapés nas proximidades de uma escola em Alto Jequitibá (MG). Depois da briga, já ao chão, uma delas se levanta, olha para a rival e pergunta, com tom desafiador: “Já acabou, Jéssica?”. Apesar de reproduzir cenas de agressão, o vídeo viralizou no Facebook e ganhou centenas de memes, que recriaram o momento em contextos diferentes do original. A coragem da jovem mineira ao se levantar do chão para dar a volta por cima também foi bastante comentada nas redes sociais.

 

Youtube/Reprodução

 

DJ André Marques
O apresentador e ator André Marques não poderia imaginar que um vídeo dele em uma festa há cinco anos faria sucesso. A gravação mostra o famoso fazendo caras e bocas e arriscando alguns passinhos enquanto anima uma festa na piscina em Jurerê (SC). É claro que a internet não perdoou — André, que na época esbanjava alguns quilinhos a mais, se transformou em mais um dos memes de 2015.

 

Youtube/Reprodução

 

Deboísmo
Em 2015, a internet decidiu se converter a uma nova religião: o deboísmo. Pregando o amor ao próximo, o estado de espírito de “ser de boas” e o respeito às opiniões alheias, essa espécie de doutrina do bem é representada por um bicho preguiça. O novo estilo de vida percorreu a internet e chegou a ser reproduzido pelas páginas do Habbib’s e do Ministério do Trabalho e Emprego, com conteúdo próprio.

Facebook/Reprodução

 

John Travolta confuso
Quem diria que Vincent Vega, personagem de John Travolta no filme Pulp fiction — Tempo de violência, voltaria a fazer sucesso depois de 21 anos. As redes sociais foram à loucura nas primeiras semanas de dezembro, quando GIFs com o personagem foram compartilhados. A atitude do personagem na cena em que ele fica confuso ao entrar na casa de Mia Wallace (Uma Thurman) e ouve a voz da assassina nos alto-falantes da casa é mantida, mas o cenário muda. O gângster é posicionado em várias situações, como procurando o carro no estacionamento ou tentando escolher uma boneca numa loja de brinquedos.

 

Youtube/Reprodução
 

 

“Me solta”
Séculos depois de pintar o L’amour désarmé (Amor desarmado), o francês William-Adolphe Bouguereau ficaria surpreso ao ver a obra bombar no Brasil. Em 2008, um designer brasileiro caprichou na releitura e substituiu o cupido segurado pela moça no quadro original por um alienígena — tudo isso para participar de um concurso de Photoshop. Depois de vencida a competição, a montagem foi deixada de lado e só voltou a chamar atenção em 2015, quando páginas de humor começaram a publicar fotos da imagem. O meme fez tanto sucesso que a página ME SOLTA, MIGA, no Facebook, ostenta hoje quase 1 milhão de curtidas.

 

Facebook/Reprodução
 

 

Meme x viral
Meme é qualquer coisa — uma frase, uma foto ou um vídeo — que se repete continuamente. Lembre-se: os memes da internet são apenas um dos tipos de meme. Quando um meme da web se propaga em grandes proporções, ele pode ser considerado viral, ou seja, que se espalha rapidamente e em larga escala.

 

Com informações de Álef Calado e Rafaella Panceri. 

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