Tecido criado por pesquisadores pode ser usado para ajudar na locomoção

O material se expande e contrai conforme a corrente elétrica recebida

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postado em 30/01/2017 06:00

Tecelagem e tricô não são técnicas novas ou especialmente avançadas: existem indícios de a primeira acompanhar a humanidade desde o paleolítico, enquanto a peça tricotada mais antiga, um par de meias vermelhas, foi encontrada no Egito e datada entre os séculos III e V. No futuro, porém, essas práticas poderão ser usadas na criação de músculos artificiais e ajudar idosos e deficientes a se locomover.

Ao revestir peças de tecido com um material que muda de volume quando recebe eletricidade, cientistas da Universidade Linkönping e da Universidade de Borås — ambas na Suécia — conseguiram fazer com que os panos se comportassem como fibras musculares, contraindo, expandindo e até levantando um pequeno peso.

Na pesquisa, detalhada na última edição da revista Science Advances, eles usaram o polímero chamado polipirrol, que expande ao ser atravessado por corrente elétrica, para revestir tecidos feitos com fios de celulose, uma fibra biodegradável de origem vegetal. O método é semelhante ao utilizado para tingir tecidos, e forma uma fina camada de polipirrol sobre os fios.


A força e a elasticidade resultantes variam conforme o tipo de tecido utilizado, mas dependem ainda mais da forma como ele é entrelaçado. Peças feitas com tecelagem são mais rígidas e exercem força maior, enquanto as tricotadas são maleáveis e permitem que o tecido se estique mais. Essas características do pano podem ser ajustadas de acordo com as necessidades do paciente.

Os “músculos têxteis”, como são descritos no artigo, poderão ser aplicados em peças de roupa, como calças ou blusas, para permitir que o usuário exerça mais força com menor esforço físico, o que é especialmente útil para quem tem dificuldades de locomoção. Os pesquisadores sugerem que os músculos artificiais sejam uma alternativa mais prática e confortável aos exoesqueletos rígidos usados atualmente, feitos com motores e estruturas de metal.


Força X elasticidade


A tecelagem e o tricô apresentam grandes vantagens para esse tipo de solução tecnológica. Ambas são técnicas antigas, refinadas através dos séculos, podem ser utilizadas para a produção em massa e têm alta qualidade e bom custo/benefício. O que diferencia as duas é a forma como os fios são montados.

Na tecelagem, eles são entrelaçados de forma simples, passando ora por baixo, ora por cima de um fio de trama, que serve como base para o material. O resultado é chamado de tecido plano, mais forte e rígido. No tricô, os fios formam laços entre si, criando um tecido mais maleável, chamado malha (veja o infográfico).

“Os tecidos planos são melhor aplicados em situações em que você precisa de mais força”, diz ao Correio Edwin Jager, professor-associado na Divisão de Sistemas Sensores e Atuadores da Universidade Linkönping e autor da pesquisa. Ele usa como exemplo o pedaço com três centímetros de comprimento usado, durante a pesquisa, para mover um braço robótico e que foi capaz de levantar um peso de dois gramas.

“Já as malhas seriam mais adequadas para aplicações que precisam de distensão maior”, compara Jager. Segundo o cientista, os músculos têxteis conseguem exercer pressões altas, mais até do que os músculos esqueléticos naturais dos mamíferos, responsáveis pelos movimentos dos membros.

* Estagiário sob a supervisão de Carmen Souza

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