DINAMARCA

Recanto dos que se consideram os latinos da Europa, apesar do frio

A hospitalidade do povo - eleito o mais feliz do mundo - aquece o coração de qualquer visitante. Os dinamarqueses se consideram os latinos da Europa. O clima é frio, mas o sangue é quente

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postado em 01/07/2015 19:31 / atualizado em 06/07/2015 13:12

Mariana Laboissière

VisitDenmark/Divulgação

Eles são os latino-americanos da Europa. Em meio ao verão dinamarquês, que mais se assemelha ao inverno brasileiro, é fácil encontrar anfitriões calorosos e receptivos. Pedem desculpas até pelos termômetros. “Nesta época do ano, costuma ser mais quente”, dizem, em todos os locais por onde os turistas passam. Donos de castelos, de exuberantes paisagens naturais e de um design de dar inveja, os dinamarqueses são avessos à ostentação e praticam a humildade. O sorriso é o cartão de visita de um povo que já foi eleito o mais feliz do mundo. Longe do bairrismo, deixam facilmente o dinamarquês de lado —  língua oficial da população — para falar um inglês fluente e se comunicarem melhor com o visitante.


Na capital, Copenhague, as construções dos monarcas e as igrejas seculares dividem espaço com a arquitetura moderna, como a do Black Diamond — edifício preto espelhado que abriga uma imensa biblioteca pública. Na metrópole é possível respirar sobriedade, harmonia e tranquilidade, traduzidas em cores calmas e neutras, como o cinza, o branco e o amarelo, amalgamadas nas edificações recentes. Em alguns pontos da maior cidade dinamarquesa, a calmaria preenche os espaços vazios das ruas. O silêncio é quebrado na rotina de pequenos comércios salpicados na paisagem, como é o caso de cafeterias e de brechós enfiados em pequenos corredores, em térreos e em subterrâneos.

Nicolai Perjesi/Divulgação

Uma tendência aparente nas áreas residenciais de Copenhague são as varandas. Até mesmo antigos edifícios ganharam esses anexos charmosos, anos depois de construídos, acompanhando o crescimento das famílias nas cidades. Isso é o que explica o assessor de imprensa internacional Henrik Thierlein, do escritório de turismo local. Se países desenvolvidos, como a Dinamarca, amargam baixas progressivas nas taxas de natalidade, é curioso observar a quantidade de carrinhos de bebês nas ruas da capital. Eles, aliás, são tão comuns quanto as bicicletas, praticamente onipresentes na rotina de quem vive ali.


É impossível ignorar esses veículos de duas rodas, seja estacionados em frente a uma casa colonial, ou nas ruas movimentadas do centro — algumas vezes sem qualquer segurança que os impeça de serem levados. E, normalmente, não se tratam de modelos caríssimos de fibra de carbono ou com marchas infinitas, mas exemplares que remontam às décadas de 1940 e 1950. Ciclismo em Copenhague é coisa séria, mas não como modalidade esportiva, e sim como estilo de vida. Cerca de 55% dos habitantes da capital usam as bikes para ir ao trabalho. O meio de transporte ganha maior fôlego amparado nos investimentos do governo em infraestrutura. O país conta 11 ciclovias, que somam mais de 12 mil quilômetros.

VisitDenmark/Divulgação

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