ESPANHA

De vinhos a cavalos: fuja do tradicional e conheça o interior da Espanha

Jerez de La Frontera, a menos de 100 quilômetros de Sevilha, é a terra do vinho jerez, que tem denominação de origem. A cidade reúne turistas e espanhóis para a Feria del Caballo, uma das festas típicas

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postado em 05/08/2015 19:00 / atualizado em 05/08/2015 18:58

Wikimedia/Divulgação

Tal como França e Itália, a Espanha também tem um charmoso interior para ser desfrutado com suavidade. No sul do país, na comunidade autônoma da Andaluzia, pequenos vilarejos se oferecem ao encantamento do turista que troca as autopistas pelas estradinhas vicinais. Em comum, eles se apresentam “vestidos” de um branco capaz de apaziguar o calor da fronteira com a África e que, no inverno, se mistura com a neve que cobre os telhados. A Rota dos Pueblos Blancos, ou Rota das Aldeias Brancas, oferece uma volta no tempo e um contato com uma Espanha rural que em nada lembra seus destinos mais famosos: Madri e Barcelona.


Uma clássica dobradinha é unir Sevilha à rota dos pueblos blancos e, passando por Jerez de La Frontera — comece o passeio por lá —, terra do vinho jerez e do cavalo andaluz, e Ronda — seu desfiladeiro e pôr do sol reúnem fotógrafos carregados de equipamentos em busca da foto perfeita. Para os que entendem as touradas como uma manifestação cultural, outro presente: a Plaza de Toros de Ronda é considerada a mais antiga da Espanha.

Jerez de La Frontera está a 91 quilômetros de Sevilha. A cidade é a terra do jerez, o “primo espanhol” do vinho do Porto. Fortificado, licoroso e feito, principalmente, com uva-palomino, o jerez tem denominação de origem controlada (DOC). Só pode ser considerado um autêntico jerez, portanto, o vinho com essas características, com uvas cultivadas na região. Isso faz da cidade um destino dos amantes do vinho, que podem conhecer seu processo de produção nas bodegas abertas a visitação. A mais famosa é a González Byass, que produz o líder de mercado, Tio Pepe, vinho conhecido mundialmente pelo seu logotipo: uma garrafa vestida com jaqueta e sombreiro vermelho, carregando um violão.

Nos dias mais quentes, os nativos costumam misturar o jerez a gelo e água gasosa. Essa é também a bebida típica da Feria del Caballo. Se tiver que escolher um mês para conhecer a cidade, não hesite em preferir a semana de maio que faz a cidade parar.

Renato Ferraz/CB/D.A Press

Férias

Na Andaluzia, as ferias são festas típicas, famosas pela caracterização das mulheres, que se vestem com o traje típico da sevilhana, uma dança popular flamenca. No parque de exposições da cidade, e mesmo nos ônibus que levam ao endereço, todas, não importa a idade, estarão vestidas assim nas dezenas de “casetas” que recebem o público para comer, beber e bailar. Veladamente, há uma disputa pela produção mais caprichada e, para se mostrarem, as famílias “desfilam” nas carruagens, ou enganches, lindamente decoradas.

Jerez é a terra do vinho que leva seu nome e também do cavalo andaluz, raça originária da Andaluzia ainda no domínio mouro. Lá se encontra a sede da Fundación Real Escuela Andaluza del Arte Ecuestre, onde são feitas as apresentações Cómo bailan los caballos andaluces, um autêntico balé de cavalos ao som de música espanhola e caracterização do século 18. Os shows são às terças e às quintas. A duração é de 90 minutos e os preços variam de 21 a 27 euros.


Conheça

Catedral de Jerez de La Frontera
Como uma construção que durou mais de 80 anos até ser finalizada, a catedral da cidade impressiona pelo estilo gótico, sendo formada por cinco naves de alturas desiguais e arcos uniformes. No interior, há quadros de grande valor artístico, como El Cristo de la Viga, do fim do século 15, e a Virgen Niña, ambos de Francisco de Zurbarán, além de Custodia procesional de plata, obra de 1951, feita por Aurelio Gómez Millán. Fica na Plaza de la Encarnación.

Cartuja de Jerez de la Frontera
Declarado como Patrimônio Histórico-Artístico, o monastério cartuja de Jerez de la Frontera foi construída no século 15 e tem como destaque na arquitetura o seu pórtico greco-romano, a capela de Santa María de la Defensión, e o claustro, que é de estilo gótico. Atualmente, as monjas de Belén, de la Asunción de la Virgen e de San Bruno tomam conta do local. Fica na Carrera de Jerez a Algeciras, km 5.


Abores
Um bom vinho inspira bons pratos e a cozinha do Albores é uma escolha acertada em Jerez de La Frontera. No miolinho da cidade, próximo à prefeitura, o bar e restaurante serve fartos e deliciosos pratos. No balcão mesmo, prove a ensaladilla: a salada russa com atum de almadraba vai cair como “comida caseira” se você já estiver há dias fora do Brasil. Entre as tapas mais tradicionais estão a que leva queijo de cabra, cebolas caramelizadas no mel e nozes. O kebab kofte, almôndegas de cordeiro grelhadas com molho de iogurte e salada de cuscuz, revela a influência moura na gastronomia local. E, claro, não deixe de provar as azeitonas frescas, e da região, servidas como cortesia. Fica na Calle Consistorio 12.
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