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Dez lugares que revelam a história e a arquitetura do Recife

Como em uma viagem no tempo, passear pela capital leva o turista dos dias de hoje até o século 16. O Turismo fez uma lista de locais importantes para conhecer

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postado em 17/08/2015 09:00 / atualizado em 16/08/2015 23:45

Guilherme Carréra

Fundada em 1537, Ribeira do Mar dos Arrecifes, como era chamado o Recife de hoje, é um dos logradouros mais antigos do Brasil. Em quase cinco séculos de história, coleciona monumentos, personagens e anedotas incontáveis. Um passeio mais atento pela cidade pode revelar aspectos que passam batido para a maioria dos 3,8 milhões que habitam a sétima região metropolitana mais populosa do país. A descaracterização do centro histórico impediu que o Recife se tornasse Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco como a vizinha Olinda, mas ainda há muito o que enaltecer. O Turismo percorreu 10 pontos imperdíveis para quem quer conhecer um pouco mais da história da capital do estado de Pernambuco.

Julio Jacobina/DP/D.A Press

Faculdade de Direito do Recife (1911)
Nem todo mundo sabe que a origem da Faculdade de Direito do Recife está em Olinda. Em 1827, o imperador Dom Pedro I ordenou a criação de dois cursos de ciências jurídicas e sociais, um na cidade de São Paulo e outro na de Olinda, os primeiros do Brasil. Conhecidos como cursos jurídicos, o de Olinda se instalou logo no ano seguinte no Mosteiro de São Bento. Em 1852 e 1859, viu seu endereço mudar por duas vezes. Entre 1889 e 1911, foi erguida aquela que viria a se tornar a imponente sede da faculdade até os dias de hoje. No ano de 1912, já sob governo republicano, os estudantes passaram a frequentar as aulas na Praça Doutor Adolfo Cirne, bairro da Boa Vista, centro do Recife. Construído por José de Almeida Pernambuco, o prédio ocupa uma área de 3,6 mil m².

Wikimedia/Reprodução

Forte do Brum (1629)
Conhecido como Forte do Brum, o Forte de São João Batista do Brum, originalmente Forte do Bom Jesus, foi construído por donatários da antiga capitania de Pernambuco na primeira metade do século 17. Erguido em uma posição estratégica, foi equipado com sete canhões de metais, sendo dois de 24 libras, um de 18, um de 16 e um de 10 libras, além de duas bombardas. Em virtude de conflitos políticos, a fortaleza passou por diversas reformas. Em um dos projetos de reconstrução, foi edificada uma capela sob a invocação de São João Batista do Brum, o que determinou a atual nomenclatura. Hoje, funciona como um museu militar, que exibe armas, canhões e fotos da época da invasão holandesa. Aberto à visitação de terça a sexta-feira, das 9h30 às 16h30; e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 17h. Ingressos a R$ 5. Militares, idosos e crianças menores de 10 anos não pagam.

Inaldo Menezes/Prefeitura do Recife/Divulgação

Sinagoga Kahal Zur (1636)
Entre os anos de 1636 e 1654, a Sinagoga Kahal Zur funcionou como a primeira das Américas na antiga Rua dos Judeus, hoje Rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife. Atualmente, o espaço recebe turistas do mundo todo. Painéis com textos e fotos informam sobre a ocupação judaica em Pernambuco dos anos 1500 ao Período Holandês, ressaltando a perseguição sofrida pelos cristãos novos. No primeiro andar da casa, uma exposição aborda, ainda, a vida dos que fugiram da Europa no século 20 e fundaram a Companhia de Teatro Idiche no Recife. O piso, o teto e a mobília de uma sinagoga da Amsterdã do século 17 servem de inspiração para a reconstituição aqui proposta. De terça a sexta-feira, das 9h às 16h30, aos domingos, das 14h às 17h30. Inteira, R$ 10; meia-entrada, R$ 5.

Teresa Maia/DP/D.A Press

Ponte Maurício de Nassau (1644)
Os planos para construir o que viria a ser a primeira ponte do Recife começaram em 1630. Doze anos depois, Conde Maurício de Nassau, então governador, ordenou o início da obra. Por motivos desconhecidos, a construção precisou ser interrompida no ano seguinte. Há quem diga até que os holandeses não se empenharam o suficiente. O fato é que Conde Nassau comprou a briga e bancou o término da obra. Domingo, 28 de fevereiro de 1644, a ponte, enfim, foi inaugurada. Nos dias de hoje, o elevado liga o Bairro do Recife a Santo Antônio.

Alcione Ferreira/DP/D.A Press

Capela Dourada (1724)
Na Rua Imperador Dom Pedro II, a fachada do Museu Franciscano de Arte Sacra esconde uma joia barroca. Localizada no bairro de Santo Antônio, a Capela Dourada da Ordem Terceira de São Francisco do Recife, cuja pedra fundamental foi lançada em 1696 e inaugurada em 1724, é considerada o maior exemplar da arte sacra barroca no Brasil. Para visitá-la, é cobrada uma taxa de R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia-entrada). O pagante também pode circular pela sacristia, que data do ano de 1731, e pelo claustro, espécie de pátio franciscano, construído em 1867.

Paulo Paiva/DP/D.A Press

Teatro Apolo (1842)
Localizado na Praça da República, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, o Teatro de Santa Isabel foi inaugurado em 1850. Embora secular, não é o mais antigo em atividade. Quatro anos antes, o Teatro Apolo, hoje Cine Teatro Apolo, veio a público. Na rua homônima, próximo à Praça do Arsenal, no Bairro do Recife, funcionou por 18 anos e fechou as cortinas. Foi reaberto em 1982, com capacidade para 396 pessoas. Ainda hostenta a fachada em mármore português, com um brasão da Sociedade Harmônica Teatral esculpido em pedra de lioz.

Alcione Ferreira/DP/D.A Press

Mercado de São José (1875)
Carro-chefe dos mercados públicos do Recife, o Mercado de São José é tido como uma das primeiras construções do Brasil com toda a sua estrutura feita em ferro. Inaugurado em 1875, o projeto seguiu o modelo do famoso Mercado de Grenelle, na França. No passado, funcionava o Sítio dos Coqueiros, seguido pelo Largo da Ribeira do Peixe e, finalmente, o Mercado da Ribeira do Peixe. Hoje é conhecido como Praça do Mercado, onde fica a Basílica de Nossa Senhora da Penha (1870). São 542 boxes que vendem artesanato, vestuário e peixes frescos.

YouTube/Reprodução

Restaurante Leite (1882)
Em frente à Praça Joaquim Nabuco, o Leite recebe a sociedade desde tempos imperiais. Em 1882, a casa abria as portas pelas mãos do português Manoel Leite. Entre os aparatos, louça inglesa, talheres de prata e taças de cristal Baccarat. Os Irmãos Dias assumiram o negócio desde 1955. Políticos, empresários e intelectuais continuam se encontrando no local para o tradicional almoço. As 40 mesas comportam até 200 pessoas. O famoso bolinho de bacalhau é o indispensável abre-alas. O Leite, gaba-se, é o mais antigo restaurante do Brasil em funcionamento.

Wikimedia/Reprodução

Praça de Casa Forte (1934)
Casa Forte teve destaque a partir do conflito entre pernambucanos e holandeses. Era como a população conhecia o engenho de Anna Paes, epicentro do embate. O nome passou a ser referência ao povoado e, depois, ao bairro da Zona Norte. Chamada de Campina de Casa Forte, a praça foi remodelada no início do século 20. Em 1933, o então prefeito Antônio de Góes revitalizou o espaço, com um projeto do paisagista Roberto Burle Marx no ano seguinte. Icônica, a praça possui traçado geométrico, formas regulares e uma sucessão de espelhos d’água.


Edifício Acaiaca (1958)
O arquiteto franco-suíço Charles-Édouard Jeanneret-Gris , ns cido em 1887, transformou os conceitos da arquitetura. Conhecido como Le Corbusier, é um dos criadores da arquitetura modernista, escola seguida mundo afora, inclusive, no Recife. Principal representante dessa corrente, o edifício Acaiaca foi desenhado pelo português Delfim Amorim, sob forte influência corbusiana. À beira-mar da praia de Boa Viagem, Zona Sul da cidade, é ponto referencial dos frequentadores da orla. Na altura do Segundo Jardim, o Acaiaca possui 11 andares e 44 apartamentos.
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