CANCÚN

O legado maia e os mistérios de Chichén-Itzá, uma das sete novas maravilhas

Eleito como uma das sete novas maravilhas do mundo, o complexo tem uma das pirâmides mais bem conservadas do México. O local recebe cerca de 10 mil visitantes por dia

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postado em 22/10/2015 14:18 / atualizado em 22/10/2015 13:18

Laisa Queiroz /

Laísa Queiroz/CB/D.A Press

Passar as férias em Cancún está nos planos de muitos brasileiros. Ter o mar bicolor do Caribe a poucos metros do hotel é, de fato, um excelente motivo para ir até lá. Mas a cidade também serve como porta de entrada para diversos outros locais, de paraísos naturais a ruínas dos povos que ali viviam antes da colonização espanhola. Um deles é a zona arqueológica de Chichén-Itzá, no estado de Yucatán, a 188km de distância.


Segundo os estudos mais recentes, a cidade, com a arquitetura mantida até hoje, adquirida depois da invasão tolteca, foi construída entre 600 e 800d.C. Era um importante centro econômico e cultural maia, mas os motivos de seu declínio ainda estão envoltos em mistérios e divergem entre os historiadores. Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1988, Chichén-Itzá foi eleita, em 2007, uma das sete novas maravilhas do mundo moderno, devido à imponência e ao bom estado de conservação.


De todas as construções do sítio arqueológico de 20km², a que chama mais a atenção, especialmente por ter sido cuidadosamente restaurada, é a pirâmide de Kukulcán, também chamada de El Castillo. Com 30m, ela tem quatro escadas (uma de cada lado) de 91 degraus que levam até o templo, no topo — vale lembrar que, para preservar o local, não é permitido subir em nenhuma das edificações. Na entrada do templo, há mais um degrau, contabilizando 365, em alusão aos dias do ano, que tem a mesma quantidade no calendário maia. Em algumas épocas do ano, reflexos do sol permitem ver o desenho de uma serpente na pirâmide. Não se sabe se é coincidência ou não, mas um dos principais deuses maias é Kukulcán, a serpente emplumada. O que é provado, na prática, é o poder acústico da construção. Fique de frente para a pirâmide, nas proximidades, e bata palmas para ter uma surpresa.

Laísa Queiroz/CB/D.A Press

Outros pontos de interesse são: a plataforma de Vênus, o cenote sagrado (local onde eram realizados sacrifícios humanos), o templo dos guerreiros, a parede de crânios, o observatório astronômico, chamado de El Caracol, e o campo de jogos. O “futebol” maia era bastante diferente: os jogadores tinham uma bola pesada feita de couro ou borracha e o objetivo era que ela atravessasse aros pequenos e altíssimos, mas não se podia usar as mãos e os pés para lançá-la, apenas as outras partes do corpo (o que parece muito difícil). Esse podia ser um momento de descontração para a maior parte dos cidadãos, mas não para os capitães, pois acredita-se que o líder do time perdedor era decapitado em oferenda aos deuses. Na realidade, o jogo mesoamericano não é exclusividade dos maias e o mais provável é que tenha sido trazido pelos toltecas, que invadiram o território e disseminaram a prática dos sacrifícios humanos, que até então não era comum naquela sociedade.

Como chegar
Para ir até lá, você pode alugar um carro, pegar um ônibus (as melhores opções para quem não gosta de horários apertados) ou contratar um tour. Os hotéis normalmente contam com agências terceirizadas que oferecem o serviço. Os pacotes para um dia de passeio custam em torno de US$ 90 e têm guia, almoço e visita a um cenote inclusos. Para quem vai por conta própria, é possível contratar um guia na entrada. Sites de pacotes turísticos, como o Viator, ainda oferecem passeios diferenciados, como o que leva os turistas para ver o sol nascer em Chichén-Itzá e o show de luzes noturno, apresentado na pirâmide. Segundo a prefeitura, o local recebe mais de 10 mil visitantes por dia.

Laísa Queiroz/CB/D.A Press

Algumas observações são importantes para programar uma boa viagem. Vale a pena conhecer Chichén-Itzá com um guia, para saber as histórias de cada monumento, descobrir curiosidades e tirar dúvidas, mas, se estiver em um tour com o tempo contado, é bom perguntar para a pessoa quanto tempo livre vai sobrar e, se for do seu agrado, pedir uma apresentação mais rápida. Há muitos vendedores de artesanato na cidade e os preços, embora não sejam baixos, são negociáveis. Réplicas do famoso calendário maia e do deus Kukulcán são os suvenires mais populares.


Dica: faz muito calor em Chichén-Itzá a maior parte do ano e a má notícia é que quase não há sombra para se abrigar no parque. Portanto, abuse do protetor solar e, de preferência, leve um boné ou chapéu para amenizar os efeitos do sol. Além disso, o ideal é levar duas garrafinhas de água por pessoa.

 

Serviço

Zona Arqueológica
de Chichén-Itzá
www.chichenitza.inah.gob.mx
Horário: todos os dias, das 8h às 17h
Preço: 64 pesos + taxa do governo do estado de Yucatán (visitas com guias tem um custo adicional). Crianças menores de 13 anos, estudantes, professores e idosos não pagam.

 

Cenote Ik-Kil

Wikimedia/Divulgação
 

Devido à formação geológica da península de Yucatán, a região não tem rios ou lagos na superfície. A água doce fica localizada em rios subterrâneos, e parte deles podem ser vistos por meio de cavidades (resultado de colapsos das rochas), chamadas de cenotes. São, basicamente, piscinas naturais dentro de um buraco. No estado mexicano, o local de maior incidência de cenotes do mundo, pelo menos 2.400 já foram catalogados (mas calcula-se que existam mais de 6 mil) e muitos tours que saem de Cancún para fazer o passeio de Chichén-Itzá passam por algum deles, abertos para banho. O mais conhecido é o Ik-Kil, a 3km do sítio arqueológico.


Situado 26 metros abaixo do nível do solo, a piscina tem mais de 40m de profundidade —  ou seja, é preciso saber nadar ou, então, alugar um colete salva-vidas. Para descer até o local, há uma escada de madeira, e o que mais chama a atenção é a vegetação, com vários cipós pairando sobre o poço. Nos dias ensolarados, o local é ainda mais bonito, pois a água adquire um tom de azul-turquesa.

 

Um suvenir diferente

Laísa Queiroz/CB/D.A Press
 

No estado de Yucatán, alguns estabelecimentos fazem uma joia maia para os turistas na hora. Trata-se de um pingente de colar, em formato retangular, que pode ser feito com prata ou ouro. Nele, você pode escrever o que quiser, como o seu nome ou apenas as iniciais: as letras são substituídas por símbolos do alfabeto maia. Detalhe: o preço da varia de acordo com a quantidade de letras: quanto maior o nome, mais cara fica. As mais baratas custam cerca de US$ 40.

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