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Tudo sobre os 'amigos de aluguel', guias nativos que te mostram uma cidade

Já pensou em contratar um morador para te mostrar uma cidade além dos pontos turísticos? Ou em receber visitantes onde você mora e ganhar um extra por isso? Conheça a plataforma que reúne interessados no serviço

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postado em 13/11/2015 14:00 / atualizado em 13/11/2015 19:29

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

Há várias formas de viajar e conhecer outras cidades. Muitas pessoas se contentam com o que se pode chamar de turismo tradicional, ou seja, ir aos pontos turísticos indicados nos principais guias de viagem. Mas se você não é um desses viajantes e prefere ter um gostinho do que é ser um morador do lugar, a dica é frequentar os mesmos espaços com algum desses cidadãos. Para aproximar quem quer de quem pode oferece a experiência, surgiu a plataforma Rent a Local Friend (www.rentalocalfriend.com), cujo nome é autoexplicativo: você aluga um amigo para mostrar a cidade dele do ponto de vista de um local.

A servidora pública Claudia Foschete, 41 anos, aderiu ao serviço no ano passado, após ver uma publicação no Facebook. Quando a Copa do Mundo estava quase no fim, ela fez o cadastro no site e se tornou uma local friend. “Gosto muito de viajar, de ter contato com quem é de fora, e adoro Brasília, o que facilita muito na hora de mostrar a cidade”, opina.

Claudia oferece duas opções de preço para os visitantes que queiram contratar seu serviço: US$ 100 por quatro horas de passeio e US$ 200 por 8 horas (um dia inteiro). Com o câmbio atual, o valor pode parecer alto, mas para os turistas que têm o dólar ou o euro como moeda nacional, há muitas vantagens. “Eu incluo nessa conta o transporte, utilizando meu próprio carro nos trajetos, o que é uma grande vantagem aqui, visto que o transporte público não cobre todos os lugares e os táxis são muito caros”, defende. No caso de Claudia, foi ainda mais útil, pois a primeira pessoa que recebeu foi um francês que tinha dificuldade de locomoção.

O grande benefício dos visitantes é conhecer locais da cidade que não fazem parte do roteiro turístico mais conhecido. Após perguntar ao contratante que tipo de experiência ele gostaria de ter, Claudia elaborou ao francês um roteiro que foi além da tradicional Esplanada dos Ministérios: passou pela Igrejinha, pela 308 Sul (a quadra modelo), pelo Santuário Dom Bosco e incluiu um tour por dentro do Palácio do Itamaraty, um almoço no restaurante Tribos e um passeio pela Ermida.

Segundo a servidora, os local friends também saem ganhando com o trabalho, ao praticar o inglês (dependendo da nacionalidade do visitante), receber dinheiro extra e fazer uma troca cultural com os viajantes. “Faço isso porque gosto e me dá prazer oferecer meu olhar sobre Brasília a quem não conhece.”


Arquivo Pessoal

De blog a startup
Além da versão em inglês, o site Rent a Local Friend pode vir em espanhol ou, ainda, em português. Isso porque a criadora da plataforma é uma brasileira. A jornalista carioca Alice Moura, 33, teve a ideia em 2011, quando morava em Lisboa. “Na época, eu conheci muita gente de várias partes do mundo e viajava muito para visitar esses amigos distantes, ou seja, eu já tinha essa experiência de conhecer as cidades do ponto de vista dos locais. O que resolvi fazer foi profissionalizar isso e aproximar as pessoas interessadas.”

De início, era apenas um blog e Alice era a única local friend: ela se disponibilizou a mostrar lugares interessantes da capital portuguesa cobrando pelo serviço. “Muita gente entrou em contato comigo para dizer que queria fazer o mesmo nas suas cidades e a rede cresceu. Passei a disponibilizar uma forma de cadastramento dos interessados, em um portal mais interativo, e hoje somos 1.800 pessoas em 52 cidades de vários países”, conta.

Interessou-se? Para se tornar um local friend é preciso preencher o formulário de cadastro no site e, posteriormente, a equipe entra em contato com os aplicantes pelo Skype. “Explico como funciona, que o valor mínimo a se cobrar deve ser de US$ 50, e vejo se a pessoa entendeu nosso conceito. Você tem que frequentar os lugares que quer apresentar aos outros e saber montar roteiros flexíveis, de acordo com o que o viajante gosta de fazer”, orienta. Quem contrata pode falar com quem oferece o serviço em um chat da página. Depois, para fazer a reserva, é necessário pagar 30% do valor. O restante é entregue pessoalmente, em mãos, para o local friend.

“A comunidade avalia os serviços e tudo fica registrado no site, ao acesso de todos, para dar mais segurança”, afirma. O próximo passo para o crescimento da startup é um aplicativo, que será disponibilizado para Android e iOS em dezembro deste ano. “Queremos agilizar o processo, para que as mensagens dos chats sejam respondidas mais rápido, pelo smartphone”, finaliza.

 

Boa companhia

“Eu aluguei um local friend em São Paulo. Fiquei realmente satisfeita, porque o Eduardo, meu guia, foi muito atencioso, desde a minha partida, a chegada na cidade, até a partida seguinte, para Salvador. Levando em conta o quanto ele me ajudou, eu poderia ter pagado até mais do que ele pediu. Eu tinha lido que em São Paulo havia muitos bons artistas no grafite e pedi para ele me levar a alguns locais para ver esses trabalhos. Gostei muito de caminhar na cidade e ainda visitei o Masp. Uma das maiores vantagens é a personalização do passeio. Você pode fazer quantas perguntas quiser, ir a locais fora do limite turístico. Senti como se estivesse com um amigo mesmo, e não como uma turista.”

Arquivo Pessoal

Maria Gerda Opague,
31 anos, enfermeira, Filipina, mora na Arábia Saudita


“O site apareceu nos resultados de uma busca que fiz na internet. Eu nunca tinha ouvido falar. Gostei da ideia de ter alguém que vive no local para me mostrar Bogotá, na Colômbia, onde fui no ano passado. Eu estava viajando sozinha para uma nova cidade (para mim) com pouco tempo disponível para o máximo possível e escolhi o Rent a Local Friend, também, por segurança. Foi uma excelente experiência e meu local friend, Juan Manuel Pena, levou a namorada dele, Paula, para o passeio, o que trouxe uma perspectiva feminina sobre os locais. Gostei de ter pessoas para responder minhas perguntas quando eu estava curiosa sobre as coisas e que falavam espanhol (pois eu não sei a língua). Eu pude ir no meu ritmo e ficar o tempo que eu queria nos locais que visitamos. O conceito é ótimo e eu, com certeza, usaria de novo em outro lugar.”

Arquivo Pessoal

Kaye Newland,
52 anos, cuidadora, Napier, Nova Zelândia


“Vi um anúncio por acidente na internet quando estava olhando opções de hotéis para ficar em São Paulo nos meus dias livres, antes de começar um trabalho. De início, fiquei um pouco receoso, mas decidi tentar. Tive um pouco de dificuldade de conseguir alguém que pudesse me atender no meu horário, mas depois que consegui, fiquei muito satisfeito. Eu paguei US$ 30 para a organização e US$ 70 para a guia. Nós fomos a um jogo de futebol, a várias áreas de São Paulo e também à rodoviária, onde pude comprar uma passagem para São Sebastião. Fiquei alguns dias em Ilhabela antes de trabalhar. A menina que me guiou tinha carro. Nós nos locomovemos com ele, e pelo metrô também. O melhor era ter alguém que falava inglês comigo, pois tive a possibilidade de perguntar sobre o modo de viver dos brasileiros.”
Jarmo Kainumaa,
53 anos, conferencista, Lohja, Finlândia


“Conheci o site através da Nathalia, uma local friend em São Paulo. Gostei da ideia e me inscrevi. Já recebi cerca de 30 pessoas aqui nesses quase cinco anos em que faço parte da rede. A maioria foi de norte-americanos, mas também vieram pessoas da Itália, da França, da Austrália etc. Atualmente, cobro cerca de US$ 200 por um dia inteiro. O local friend deseja proporcionar uma experiência completa, verdadeira e o mais personalizada possível. Sem “armadilhas” para turistas, sem o estresse de não saber onde comer, o que visitar, quando ir. É tudo mais simples e seguro, na minha opinião. Às vezes, a gente acaba fazendo amizades a partir desse encontro. Aconteceu recentemente entre eu e uma senhora carioca que veio visitar Lisboa, a Ana. Trocamos e-mails até hoje e prometi uma visita a ela no Rio de Janeiro. Para se tornar um local friend, você tem que ser sociável e gostar de conhecer pessoas novas e culturas diferentes. E, claro, tem que amar muito a sua cidade.”
Andreia Bastos Silva,
32 anos, arquiteta paisagista, Lisboa, Portugal

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Gabriela
Gabriela - 08 de Maio às 09:16
O exercício da profissão de Guia de turismo, no Brasil é regulado pela LEI Nº 8.623, DE 28 DE JANEIRO DE 1993. Art. 2º Para os efeitos desta lei, é considerado Guia de Turismo o profissional que, devidamente cadastrado no Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), exerça atividades de acompanhar, orientar e transmitir informações a pessoas ou grupos, em visitas, excursões urbanas, municipais, estaduais, interestaduais, internacionais ou especializadas