PESCARIA

De caniço e samburá, só linha e anzol não bastam, é preciso muito mais

Para pescar é necessário ter autorização do Ibama. O hobby virou um negócio próspero. Somente em 2010, foram registrados 25 milhões de pescadores ocasionais

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postado em 05/02/2016 15:00 / atualizado em 05/02/2016 14:46

Thiago Sá/Arquivo ADTUR/Diivulgação

A máxima “viajar para pescar” tem se expandido entre turistas brasileiros e estrangeiros. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 40 milhões de pessoas exercitaram a pesca amadora em 2008. No Brasil, segundo o Ministério do Turismo, o segmento começou a ganhar força a partir dos anos 1990. Para se ter uma ideia, 190 mil licenças de pesca amadora foram emitidas em 2009. O número mais que dobrou em uma década. Em 2010, foram registrados cerca de 25 milhões de pescadores ocasionais no país.

A pesca sem fins comerciais, praticada por lazer, é permitida em todo o território nacional. Dados do Ibama indicam que cerca de 33,4% dos pescadores exercem a atividade uma vez por mês. Os locais preferidos de 86,6% deles são rios e lagos, seguidos de pesque e pague (34,6%). O Ministério do Turismo incentiva a pesca seguida da soltura, para garantir a reprodução das espécies e a continuidade do turismo de pesca.

O cenário próspero é celeiro de empresas que investem no modelo de viagens voltado a clientes apaixonados pela arte de pescar. A agência Dourado Bus é especializada no segmento e dona de um vasto portfólio. Os destinos oferecidos vão do Pantanal ao Panamá. O foco são viagens em grupos de 12 a 30 pessoas.

Os pacotes incluem todo o material necessário (vara com carretilha, molinete, linha, anzóis etc.), além de hospedagem e alimentação. Segundo o proprietário da agência de viagens, Maiquel Bittencourt, o viajante só precisa se preocupar em levar, na bagagem, roupas adequadas para a chuva, protetor solar, óculos de sol, boné ou chapéu. A jornada é longa: a cada dia de viagem, o grupo pesca durante cerca de oito horas.

Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press

Charme

Segurança também é um fator que depende de cada pescador. “É preciso ter cuidado na hora do arremesso. Não se posicionar muito próximo ao companheiro é importante, além de ver se a linha não está enrolada na ponta do caniço (parte da vara)”, destaca Maiquel. O coronel reformado da PM Estevam Iemini de Rezende, 76 anos, já viajou com a agência e chama a atenção para as experiências de vida que adquiriu ao longo de quase 30 anos de pescaria. “Quando me aposentei, achei que conhecia o Brasil, mas só quando comecei a pescar é que conheci de verdade”. Para ele, todas as viagens têm seu charme, pois há sempre um “ponto alto”, algo memorável que vira história.

Integrante de um grupo de brasilienses que sai da cidade em busca de peixes além do Paranoá, Rezende, como é conhecido entre os colegas, dá um conselho de pescador para pescador. “É só seguir a regra do jogo”.

 

Verdade ou mentira? 

Tubarão detetive

Os australianos Charles e Albert Hobson pescaram um imenso tubarão na costa de Sydney, que foi levado para o aquário Coogee. Dias depois, o tubarão começou a vomitar um braço humano. O braço tinha uma corda amarrada ao pulso. Estudos e uma autópsia mostraram que o braço não foi arrancado pelo tubarão, mas, sim, por uma faca.

Hanna-Barbera/Reprodução

 

O caso seria esquecido se o braço não tivesse uma tatuagem que levou as investigações até o seu dono. Jim Smith, um ex boxeador, havia se envolvido com criminosos e como forma de quitação de dívidas, eles o mataram e o esquartejaram, jogando o corpo partido em um baú no fundo do mar. O assassino foi pego e o caso solucionado.

Fonte: hype.science.com

 

Seja legal

 

Siga as regras básicas e evite que a diversão vá por água abaixo:

A pesca amadora é praticada por lazer, esporte ou turismo. Logo, não pode ter fins comerciais.

A pesca esportiva é uma modalidade da pesca amadora. Ao praticá-la, a regra é pescar e soltar.

Competições de pesca são permitidas, mas dependem de autorização do Ibama. Um pedido deve ser enviado ao órgão 30 dias antes do evento.

A pesca amadora de peixes ornamentais é permitida com puçás (tipo de peneira com haste) ou peneiras de, no máximo, 50cm de diâmetro.

Na pesca embarcada, toda pessoa que estiver a bordo deve portar a licença de pesca.

Não precisam da licença para pescar: menores de 18 anos, homens com mais de 65 anos e mulheres com mais de 60, aposentados, pescadores amadores desembarcados que utilizem linha de mão ou vara, linha e anzol.

O limite de captura e transporte por pescador amador é de 10kg mais um exemplar para pesca em águas continentais. Em águas marinhas e de transição entre rio e mar, o limite é de 15kg mais um exemplar.

É proibido pescar no período em que ocorre a piracema (período de desova), de 1º de outubro a 30 de janeiro, nos cursos d’água, em água parada ou mar.

Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativas ou em rota migratória sem a devida permissão da autoridade competente resulta em detenção de seis meses a um ano, além de multa.

Fontes: Portaria nº4/2009 (Ibama); Lei nº 9.605 de 12 de fevereiro de 1998; e Lei nº 7.653, de 12 de fevereiro de 1998.
 

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