Cachaça

Genuinamente brasileira e familiar, a pinga é parte da nossa cultura

Minas é um dos maiores produtores de aguardente do país, mas roteiros de lazer para conhecer a produção e a degustação da bebida ainda carecem de infraestrutura para os turistas

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postado em 06/02/2016 09:00 / atualizado em 05/02/2016 18:33

Beto Novaes/EM/D.A Press

Cachaça não é só uma bebida. Pode ser meio marvada, mas é uma moça tão bonita e dengosa que fica difícil não se apaixonar pela danada. Como é tão familiar, brasileira, talvez não seduza tanto quanto um vinho francês. Mas a pinga é parte da nossa cultura e ingrediente essencial no cardápio de sabores tipicamente brasileiros.

E pensar em cachaça sem falar em Minas é impossível. Em Salinas, no norte das Gerais, é produzida nada menos que a Havana, uma das mais famosas e valorizadas marcas do Brasil. Além disso, o estado é responsável por 60% da produção da bebida em alambique do país. E é exatamente no processo artesanal e em sua identificação regional que a pinga vem ganhando valor. Paralelo a isso, os produtores começaram a abrir os olhos para o potencial turístico pouco explorado ligado a ela.

Hospitalidade
Conhecer um alambique e o processo de produção artesanal da cachaça pode pedir certo engajamento ao interessado. Existem poucos passeios organizados, e a maioria das destilarias não está preparada para o turismo. Mas a hospitalidade é marca dos mineiros. Vários pequenos produtores não têm problema em receber visitantes e eles mesmos mostrarem parte de sua história de vida.

Wellington Pedro/EM/D.A Press
 

Por isso, é importante sempre lembrar: cachaça não é só uma bebida. É uma viagem que passa por sentidos, sabores, culturas e histórias. Em um único gole, é possível se aproximar de costumes e tradições de regiões e épocas distantes. Afinal, se você se interessa em conhecer vinhedos em Bourgogne, na França, por que não ir a um pequeno alambique em São Gonçalo do Bação para entender um pouco mais sobre a nossa identidade?

 

Marcos Michelin/EM/D.A Press
Por dentro dos alambiques

 

Para conhecer o processo de fabricação, operadoras de turismo oferecem passeios:

Veredas do Paraopeba (Brumadinho)
HT HAPPY TRAVEL
Contatos: Marcela ou Cida
marcela@hthappytravel. com
Tels: (31) 4117-0333/ 9949-7969

Fazenda Século XVIII (Coronel Xavier Chaves)
UAI TRIP
Contatos: Dalton ou Cristiane
contato@uaitrip.com.br
Tels: (32) 3355-1161/ 8848-3283

Engenho Boa Vista (Coronel Xavier Chaves)
RUMO EM ROTAS
Contatos: Ana Cristina
contato@rumosemrotas. com.br
Tels: (32) 3372-5689/ 8815-8327

 

A marvada tem cor, idade e feitio

 

Beto Novaes/EM/D.A Press
Madeiras para armazenar e envelhecer
A cachaça pode, diferentemente do uísque, da tequila e do rum, ser armazenada em vários tipos de madeira, que dão coloração e gosto característico à bebida. Essa diversidade é o grande diferencial do produto tipicamente brasileiro e, geralmente, define as características regionais. Várias madeiras podem ser utilizadas, entre elas carvalho, amburana, amendoim, jequitibá, ipê, jacarandá e peroba.

» Armazenada: a bebida fica, por tempo indeterminado, em tonel de madeira sem tamanho definido.

» Envelhecida: no mínimo 50% do produto fica por pelo menos um ano em tonéis de no máximo 700 litros. As cachaças Premium ficam entre um e três anos. As Extra-Premium ficam, no mínimo, três anos.

As cores fazem a diferença
» Branca: geralmente, não passa por período de envelhecimento na madeira. Depois da destilação, descansa em aço inox antes de ser padronizada e engarrafada. Se passar por envelhecimento em madeira, ela não pode soltar cor, o caso do jequitibá, freijó e amendoim. O produtor pode usar as denominações Clássica, Tradicional ou Prata.

» Amarela: foi armazenada ou envelhecida em madeira e apresenta mudança substancial na coloração. Nesse caso, o produtor pode utilizar a classificação Ouro.

Tipos de produção definem a qualidade
» Alambique: a bebida produzida de maneira artesanal tem maior complexidade de sabor, mas se o produtor não domina corretamente o processo de destilação, o produto pode ser prejudicial à saúde. Ela passa obrigatoriamente pelo alambique de cobre.

» Coluna: a aguardente industrializada, chamada de cachaça de coluna, não tem o mesmo sabor da artesanal, mas garante segurança para o consumidor. Para os especialistas, a cachaça artesanal de qualidade tem um valor único e é completamente segura para o consumo.

 

Um toque de calor

 

Beto Novaes/EM/D.A Press
Além da qualidade como bebida, a cachaça pode ser uma forte aliada na culinária. A proprietária do Restaurante Casa Velha, em Brumadinho, na Grande BH — região com vários produtores do destilado — , Suely Maria Ribeiro, compartilhou uma de suas receitas mais famosas:

Tutu com cachaça

INGREDIENTES:
» 2 copos de 250ml de feijão carioca cozido
» 1 copo de 250ml do caldo do feijão
» 1 cebola de cabeça média ralada
» 2 colheres (sopa) de óleo ou gordura de porco
» 1 colher de chá de sal
» 1 xícara (chá) de farinha de mandioca
» 1/2 copo de cachaça branca
» 3 dentes de alho socados com
» 1 colherzinha (café) de sal
» Opcional: pimenta-do-reino moída 1/2 colherzinha(café)

Modo de preparo
» Bata no liquidificador o feijão com o caldo e a farinha de mandioca. Reserve.
» Em uma panela, aqueça óleo ou gordura de porco. Coloque a cebola e deixe dourar.
» Acrescente o alho socado e doure.
» Coloque a mistura do liquidificador, o sal e a pimenta-do-reino (a gosto).
» Mexa lentamente até o ponto que desejar. Se ficar mole, acrescente um pouco mais de farinha de mandioca e mexa. Quando der uma rapa fina no fundo da panela, já está cozido.
» Acrescente a cachaça e mexa por mais um minuto e pronto.
» Vire em uma travessa ou tigela.
» Coloque molho de tomate refogado com cebola em rodelas, ovos cozidos e cebolinha em cima.
» Sirva com linguiça de porco ou a que preferir, couve refogada e arroz branco.
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