TEMPOS DE ZIKA

Sai pra lá, mosquito: confira dicas de como se prevenir durante as férias

Até o momento, não há restrição, por parte da Organização Mundial da Saúde, a viagens aos países que registraram casos da doença. As autoridades são obrigadas a alertar e a oferecer informações

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postado em 03/03/2016 09:00 / atualizado em 08/03/2016 15:37

Antonio Cunha/CB/D.A Press

Se você desistiu de viajar, não tem certeza se o repelente que tem em casa é eficaz contra o Aedes aegypti, ou está em dúvida quanto ao destino das próximas férias, muita calma nessa hora. O Turismo responde a essas e a outras perguntas sobre o universo do zika vírus. As informações também são válidas para se prevenir contra a dengue e a chicungunha.

 

Para começar, é importante saber que o mosquito transmissor de zika, dengue e chicumgunha bate asas pelo mundo inteiro. A incidência de casos de microcefalia, condição cerebral relacionada ao vírus zika, é maior na América Central e na América do Sul. A Colômbia e o Brasil são países em destaque. No território nacional, o maior número de casos notificados — 1.544, até 16 de fevereiro — foi registrado em Pernambuco, na Região Nordeste. Destes, 182 foram confirmados.

 

Miguel Schincariol/AFP - 21/1/16

Há motivo para desespero? Não. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), idas a países e regiões com registros de microcefalia estão liberadas, até então. O papel das autoridades deve ser o de oferecer informações atualizadas aos viajantes, alertá-los sobre os riscos e divulgar medidas para reduzir a vulnerabilidade a picadas de mosquito. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) não perdeu tempo e divulgou dicas para viajantes que vão a cidades com registro de microcefalia.

 

Troca

“Isso mudou o roteiro da minha família inteira: meu marido, minha filha de dois anos, meus sogros, cunhada e cunhado”. Grávida do segundo filho, Gabriella Lima suspendeu a viagem que faria a Porto de Galinhas, em Pernambuco. Mas não abriu mão das férias. Depois de desistir de ir ao Nordeste, o grupo optou pelo sul do Brasil, onde os casos notificados de microcefalia somam apenas 23. O novo destino é Bombinhas, em Santa Catarina. Gabriella não ficou decepcionada por mudar a viagem. “Queria muito ir para Pernambuco, mas ainda não conheço Bombinhas. É um lugar lindo.”

 

Enquanto o dia de embarcar não chega, os cuidados em casa são muitos. Gabriella afirma que a paranoia já passou, mas reconhece que a gravidez é uma fase de vida cheia de preocupações. “Essa (o risco de contrair o vírus) é mais uma para a lista”, sugere. Ela conversou com o obstetra que acompanha o pré-natal, esclareceu as dúvidas e segue as recomendações do Ministério da Saúde. “Tenho feito tudo que posso. Uso repelente pela manhã, antes de sair de casa, e reaplico duas vezes ao longo do dia. Evito sair com frequência e fico com a casa fechada, principalmente as janelas.”

 

Quanto mais frio, melhor

O inseto mais indesejado dos últimos tempos, Aedes aegypti, se reproduz na água. E nada como as chuvas de verão para atraí-lo. Ele não precisa de uma piscina inteira. Basta uma tampinha de refrigerante com um pouco de água para os ovos se desenvolverem. No verão, o ciclo reprodutivo se acelera, graças ao calor e às chuvas. Em lugares frios, com as temperaturas são mais baixas, a procriação fica comprometida. O mosquito não suporta gelo: sua sobrevivência é impossível abaixo de 17ºC.

 

Existem cidades em que o ar-condicionado é dispensável. Os atributos de locais frios não são apenas o casaco e o cachecol: tem fondue, pousadas charmosas, lareira e paisagens de montanha. A serra catarinense, região mais fria do Brasil, registra temperaturas abaixo de zero. Fora do país, há opções de destinos com neve e esqui para passar longe do mosquito com muita diversão.

 

El Calafate (Argentina)

Marcos Brindicci/Reuters - 15/12/09

A pequena vila às margens do Lago Argentino é considerada uma Campos do Jordão da Patagônia. Localizada na província de Santa Cruz, recebe os visitantes com bons hotéis, restaurantes e lojas de artesanato. Das iguarias locais, o destaque é para o cordeiro assado em fogo de chão. A cidade é pequena e pode ser explorada a pé. Prepare roupas e calçados confortáveis para se proteger do frio. A média de temperatura anual é de 7ºC e a mínima, de 10°C negativos. A principal atração regional são as geleiras do Parque Nacional Los Glaciares, a 80km do centro. A mais famosa delas é Perito Moreno, eleita Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.

 

Urubici (Santa Catarina)

Alfredo Durães/EM/D.A Press

O município concorre ao título de mais frio do Brasil. Chegou a registrar, em 1996, 17,8 graus negativos. As chances de nevar entre junho e agosto são altas. Na cachoeira Véu da Noiva, a queda d’água de 25 metros fica congelada no inverno. A Pedra Furada, rocha vazada com 30 metros de circunferência, é para os aventureiros: percurso, feito em meio a cânions, dura cerca de oito horas. Não deixe de percorrer os cinco quilômetros mais radicais da estrada que corta a serra do Corvo Branco, com curvas fechadas e descidas íngremes, além de mirantes com vista para o litoral. Visite cavernas com inscrições rupestres e, para encerrar o dia, um café colonial ao pé da lareira cai bem.

 

Puerto Varas (Chile)

Alonso Quiroz/Flickr

Na Região dos Lagos Chilenos, a cidade é cheia de surpresas. Além de fria, é chuvosa. Prepare os agasalhos e roupas impermeáveis para não perder nenhum passeio. Comece a jornada às margens do lago Llanquihue, importante produtor de salmão. A pé ou de bicicleta, vale a pena caminhar pelo centro e ver construções antigas da época da colonização alemã. A estação de esqui do lugar fica no topo do vulcão Osorno. Aproveite a subida pelo teleférico e curta as paisagens cobertas de neve. O Parque Nacional Vicente Pérez Rosales é ideal para conhecer os Saltos de Petrohué, quedas d’água impressionantes. Na Reserva Lahuel Ñadi, a atração são os alerces, árvores milenares e gigantescas.

 

Bento Gonçalves (Rio Grande do Sul)

Nailton Barbosa/Flickr

Terra de imigrantes italianos, a cidade é famosa por produzir alguns dos melhores vinhos do país. E tem coisa melhor que um friozinho para degustar a bebida? O melhor período para visitar Bento Gonçalves é junho, quando a temperatura chega a 13ºC. A geada é costumeira. Prepare o cobertor, pois as noites são mais geladas que os dias. O Vale dos Vinhedos, emoldurado por colinas e estradas estreitas, é onde fica a maior parte das fábricas de vinho. Faça o roteiro Caminhos de Pedra. Ele inclui uma charmosa vila com casas de massas, teares e erva-mate. Queijos e salames também são produzidos na região, mas deixe espaço para apreciar o galeto, especialidade local.

 

Previna-se

»Informe-se sobre a condição epidemiológica do destino;

»O risco de ser picado em ambientes urbanos é maior, pois há mais lugares onde o mosquito pode se reproduzir;

»O Aedes aegypti foge de lugares onde venta bastante. Com o vento, a fêmea perde um pouco da orientação durante o voo. Ligue o ventilador!;

»Cachoeiras e lagoas não são os lugares favoritos do inseto. Ali, a possibilidade de sobrevivência das larvas é menor, por causa dos peixes. O Aedes prefere água parada;

»Para ser eficaz contra o mosquito, o repelente deve conter as substâncias DEET, icaridina ou IR3535;

»Dependendo da substância contida no repelente, o efeito da proteção é mais ou menos duradouro (varia de 4 a 10 horas);

»Não existe repelente à prova d’água. Reaplique após ter contato com água;

»Caso esteja com febre acima de 38º C durante a viagem, procure imediatamente o serviço de saúde da cidade;

»Mulheres grávidas devem adiar idas a locais de risco e consultar um médico para saber como se prevenir no dia a dia;

»Caso cancele sua viagem, o reembolso integral deve ser feito pelas empresas prestadoras de serviços, de acordo com o Idec, pois a desistência foi por motivo de força maior;

»Companhias aéreas costumam reembolsar apenas as gestantes. É comum a exigência de declaração médica em que conste o estágio atual da gravidez.

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