ESTADOS UNIDOS

A cidade norte-americana de Chicago encanta com sua diversidade cultural

Chicago, devastada por um incêndio, foi reerguida com a força de imigrantes de várias nacionalidades. Hoje, oferece cultura, boa diversão e calor humano aos visitantes

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postado em 09/04/2016 08:00 / atualizado em 08/04/2016 17:30

James Poole/Flickr

Caminhar e às vezes se perder pelas ruas cercadas de arranha-céus que mais parecem querer engolir o visitante e admirar a arquitetura moderna dos prédios, em contraste com as construções que preservam a identidade de séculos passados, pode ser um passeio mais interessante do que parece. Por trás dessa estrutura de aço há um passado de tragédia que explica a importância de mostrar toda a força e organização de um povo. Em 1871, o centro de Chicago, bairro do estado americano de Illinois, foi tomado por fogo e deixou em cinzas mais de 17 mil edifícios e um prejuízo calculado em mais de 200 milhões de dólares.

 

O motivo do acidente: uma vaca havia golpeado uma lâmpada de querosene na região oeste da cidade e o fogo se alastrou. Essa informação foi publicada pelos jornais locais dias depois do incêndio, mas muitos nativos dizem, hoje em dia, que a informação não é verídica. Porém, ninguém sabe o verdadeiro motivo que causou a catástrofe.

 

Poucos anos depois do incidente, arquitetos famosos de diversas partes do mundo viajaram aos Estados Unidos para reerguer Chicago. O planejamento e o desenvolvimento arquitetônico da cidade chamaram a atenção de multinacionais, atraíram importantes empresas financeiras e deram visibilidade aos negócios. Oportunidade aproveitada até mesmo por quem trabalhava ilegalmente. Al Capone foi um deles: tornou-se um dos mafiosos mais famosos e poderosos nos anos 1920. Décadas depois, ele entrou para a lista da polícia federal dos EUA e foi preso por sonegar impostos.

 

Polêmicas à parte, o terceiro maior estado americano também conhecido como Windy City (ou cidade do vento), tem o seu encanto pela diversidade populacional e cultural. Em todos os lugares, é possível encontrar pessoas de várias nacionalidades e restaurantes típicos de outros países. Mexicanos movimentam a economia da cidade ao ocupar cargos que vão desde chefias em multinacionais até serviços mais simples como garçom e recepcionista.

 

Fênix

Os bombeiros já haviam desistido de combater as chamas que ardiam há dois dias, em 10 de outubro de 1871. O fogo teria começado, segundo a versão mais conhecida, no estábulo da fazendeira de origem irlandesa Catherine O’Leary, no lado oeste da cidade, e se espalhou rapidamente. O incêndio deixou destruídos 8 mil quilômetros quadrados de área, 17.500 casas, 300 mortos, 100 mil desabrigados e um prejuízo e 200 milhões de dólares. Menos de um ano depois, com ajuda e donativos enviados por pessoas de todo o mundo, a cidade que era conhecida como a rainha do oeste, se reergueu das cinzas e segue — como uma fênix de aço — com uma das quatro mais importantes cidades americanas da atualidade.

 

Sotaque que veio do frio

A população irlandesa também contribui para a movimentação de capital na região. O censo de 2011 revelou que existem 34 milhões de americanos com ascendência irlandesa. Esse número é sete vezes maior do que a população da Irlanda, que conta com 4,68 milhões de habitantes. Os imigrantes irlandeses levaram com eles a cultura da terra dos leprechauns, cujos eventos típicos, como o Saint Patrick’s Day (ou dia de São Patrício, padroeiro da Irlanda) são celebrados anualmente.

 

O clima abaixo de zero entre os meses de dezembro e fevereiro convida os turistas a tomarem um café em estabelecimentos que abusam de criatividade e tecnologia para agradar aos clientes. Tanto em DownTown (centro da cidade) quanto em bairros próximos é possível desfrutar de bons lugares, como o Intelligentsia Coffee e o Yolk. Durante o verão, a temperatura ultrapassa os 25°C e os parques públicos ficam lotados por conta das programações culturais.

 

Depois de um passeio pelo Millennium Park — onde se encontra uma famosa estrutura de ferro apelidada pelos nativos de Bean (feijão, em inglês); ou de um tour pedalando pela cidade com bicicletas disponíveis para aluguel em diversos pontos; e até mesmo depois de uma visita ao Museu de Arte Contemporânea de Chicago, nada melhor do que uma pausa para provar um típico hot-dog da região em Portillo’s ou a saborosa deep pizza, que mais parece uma torta por seu formato e quantidade de recheio. O restaurante Uno ou o Giordano’s são bem recomendados para prová-la, apesar da longa fila de espera. Nesse último, é possível degustar cervejas em uma área reservada até que uma mesa seja disponível.

 

No fim de tarde, é indispensável subir até o 96° andar do arranha-céu John Hancock Center e apreciar uma vista panorâmica da cidade, iluminada pelo pôr do Sol. Não se paga para subir, mas exigem consumação no bar. Outro ponto turístico é o topo do edifício Willis Tower, um dos maiores do mundo. Lá, paga-se U$ 22 (adulto) pelo passeio. Para quem vai ficar alguns dias na cidade, vale a pena comprar o citypass e aproveitar os descontos do cartão em outros monumentos (http://pt.citypass.com/chicago).

 

Para fechar o dia com chave de ouro, bares locais abrem as portas a partir das 21h para quem busca um bom blues ou jazz, acompanhado de uma cerveja irlandesa Guinnes ou uma 312 — cerveja típica de Chicago. Cantores nativos dão um espetáculo à parte por apenas U$10. Os bares Buddy Guy Legends e B.L.U.E.S são boas pedidas.

 

» Aproveite o passeio

(Union Station – Estação ferroviária)
Transporte

O transporte público de Chicago é bem funcional. Todo o sistema público é integrado e com um único cartão é possível utilizar o trem conhecido como CTa (Chicago Transit authority) ou ônibus. Valores: para um dia (24 horas) sai por 10 dólares; três dias, 20 dólares; sete dias, 28 dólares; e um mês, 100 dólares. Os tíquetes estão à venda em algumas estações de trem da linha azul O’Hare, em lojas de conveniência e on-line. Dica: Um aplicativo chamado Lyft presta o mesmo tipo de serviço do Uber, e ainda oferece 10 dólares de graça para as cinco primeiras viagens.

Esporte

O esporte se tornou atração turística em Chicago devido às renomadas equipes de basquetebol, basebol e hockey. Um dos melhores jogadores de basquete, Michael Jordan, levou a equipe Chicago Bulls aos holofotes. Para ver uma partida dos Bulls, o valor da entrada varia entre 40 dólares e 150 dólares, dependendo do posicionamento no estádio. Chicago White Sox e Chicago Cubs participam de torneios de basebol desde os anos 80. A equipe de hockey Chicago Blackhawks já ganhou seis vezes a Copa Stanley. Para quem gosta de praticar esporte, em Lakeview, bairro a 15 minutos de DownTown, há um lago com infraestrutura adequada para corridas.

Cinema
Tanta polêmica, modernidade e diversidade levaram o terceiro maior estado americano às telas de cinema. O clássico Os intocáveis foi gravado em uma das principais estações de trem dos EUA, a Union Station. Esqueceram de mim e Batman: o cavaleiro das trevas também foram rodados por lá.

Crime Tour

Empresas de turismo oferecem um tour por onde passaram os gângsters famosos. Os roteiros levam aos bares, restaurantes e teatros mais frequentados por al Capone e John Dillinger. O museu sobre a história de al Capone também está na lista.

(Bronzeville)
Bronzeville e Lakeview
Essas duas opções são bairros interessantes a serem visitados. Caminhar pelas ruas de Bronzeville é atrativo devido aos grafites feitos nas paredes das casas em homenagem a Martin Luther King. Já Lakeview é um bairro aconchegante, propício a compras e bons restaurantes. Recomendam-se o restaurante Wilde (temático sobre o famoso escritor irlandês Oscar Wilde) e a cafeteria Intellingentsia, ambos localizados na rua Broadway.


» Escolha o seu passeio

Cafés e lanches
Intelligentsia Coffee
3123 North Broadway

Yolk (cafeteria)
1120 Michigan avenue

Portillo’s (hot dog)
100W.Lake St. addison

Pizzarias
Uno
29 East Ohio

Giordano’s
1040 W Belmont ave

Mirantes
John Hancock Center
875 N Michigan ave.

Willis Tower
233 S Wacker Dr.

Bares com música ao vivo
Buddy Guy (pub de blues e jazz)
700 S. WABASH

B.L.U.E.S (bar)
2519 N Halsted St

Museus
» Museu da Ciência e Indústria
» The Field Museum
» Richard H. Driehaus Museum
» Chicago Cultural Center
» Oriental Institute Museum
» Chicago History Museum
» Chicago Children’s Museum
» Adler Planetarium
» Museum of Contemporary Art
» Smith Museum of Stained Glass Windows
» Chicago Sports Museum
» Museum of Contemporary Photography

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