SERVIÇO

A cada hora, um objeto é esquecido pelos usuários no Aeroporto JK

Cartões, documentos e celulares são os itens mais deixados para trás, mas têm também dentadura, prótese mecânica e até acessórios eróticos. Saiba como recuperá-los

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 20/04/2016 19:00 / atualizado em 20/04/2016 18:38

Na correria dos embarques e desembarques no Aeroporto JK, em Brasília, 23 objetos são esquecidos por dia. Quase um a cada hora. Segundo dados da Inframerica, empresa que administra o terminal de Brasília, são encontrados, em média, 700 itens por mês. Desses, apenas 28% são reclamados pelos proprietários. Na alta temporada, esse número cresce entre 15% e 20%. Objetos esquecidos dentro das aeronaves são de responsabilidade das companhias aéreas e não do aeroporto.

 

Tudo o que é encontrado pode parar na sessão de Achados e Perdidos. Lá, os itens são registrados e ficam guardados por até 90 dias, à espera do dono. Documentos, cartões bancários, roupas femininas e celulares são os mais deixados em locais como o saguão de embarque, os raios-X e a área de taxistas. Objetos inusitados, como dentaduras, bengalas, acessórios eróticos, muletas, próteses mecânicas e até uma panela elétrica, já foram encontrados no terminal ou nas proximidades.

 

Álef Calado/Esp. CB/D.A Press

Ao desembarcar em uma conexão, a nutricionista Carmem France, 46 anos, esqueceu uma pasta com documentos pessoais de pacientes dentro da aeronave. Assim que percebeu o descuido, informou aos funcionários da companhia aérea. “Eu expliquei a localização exata da pasta. Asseguraram-me de que a procurariam e, caso achassem, meu nome seria chamado pelo sistema de som do aeroporto”, lembra.

 

Acostumada a viajar principalmente a trabalho, a gaúcha conta que, apesar do bom atendimento, o excesso de tranquilidade transmitido pela empresa aérea ao passageiro causa certa apreensão. “Eles encontraram a pasta, mas deixaram meio largada no portão de desembarque. Se eu não tivesse perguntado, talvez não tivesse conseguido recuperar”, disse.

 

O empresário Zacarias Assunção, 55, esqueceu um notebook no Aeroporto Internacional de Atlanta Hartsfield-Jackson, nos Estados Unidos. “Deixei lá quando estava voltando para o Brasil. Ao chegar, mandei as características do equipamento e eles constataram que estava guardado.” Um amigo trouxe o aparelho de volta ao Brasil.

 

Mas o processo nem sempre é tão fácil. Além do computador, Zacarias esqueceu um carrinho de brinquedo dentro de uma aeronave. “Eu faço coleção de miniaturas, comprei uma em Atlanta e acabei esquecendo no avião. Foi uma confusão porque você não pode retornar à aeronave depois do desembarque. Então, descrevi o brinquedo, mostrei a passagem para os funcionários da companhia aérea e pedi que procurassem no banco onde estava sentado. Depois de cinco ou seis dias, e de muita insistência, me devolveram o pertence.”

 

Álef Calado/Esp. CB/D.A Press

Na maioria das vezes, ficar mais atento é suficiente para evitar uma dor de cabeça daquelas procurando objetos deixados em algum lugar. O funcionário público Aliomar Junior, 44, revela que viaja regularmente e toma alguns cuidados para não perder nada. “Estou sempre atento aos meus pertences. Não tenho o costume de deixar as coisas espalhadas. Procuro concentrar tudo o que estou levando em um carrinho de bagagem e fico próximo a ele”, ressaltou.

 

Prevenir é a melhor atitude

Álef Calado/Esp. CB/D.A Press

E o que fazer quando o esquecimento parte da empresa aérea? Sua bagagem pode ser extraviada e parar em um local completamente diferente do planejado. A professora universitária Cristiane Freire, 49 anos, passou por essa experiência em uma viagem com a família para Portugal. “Ao desembarcar em Lisboa, descobrimos que as nossas malas estavam perdidas em algum lugar. A gente teve que sacar dinheiro e comprar roupas novas.” Já em solo brasileiro, a família da professora recebeu o aviso de que as bagagens tinham sido encontradas. “Uns dois dias depois que a gente chegou, eles nos informaram que haviam encontrado as malas na Espanha”, completa.

 

Álef Calado/Esp. CB/D.A Press

O caso da professora não é uma ocorrência isolada. Problemas com malas e bagagens ocupam a segunda posição no ranking das principais reclamações feitas à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Para evitar contratempo, antes de ser entregue para despacho, é ideal que a bolsa seja identificada. O passageiro pode optar por declarar o valor estimado dos pertences, mediante pagamento de uma taxa, cobrada pela companhia aérea.

 

Álef Calado/Esp. CB/D.A Press

Ao constatar que a sua bagagem não chegou à esteira de desembarque, vá ao balcão da companhia, ainda na área de desembarque, e informe o desaparecimento. Em casos de voo doméstico, a empresa tem até 30 dias para devolver os pertences. Em viagens internacionais, o prazo é de 21 dias.

 

» Fique atento

Algumas medidas para evitar perdas de objetos durante a viagem são relativamente simples:

 

» Faça listas

Anote tudo o que está levando fora da mala e, antes de embarcar, verifique se está com tudo em mãos;

 

» Organize seu tempo

A correria para não perder o voo é uma das causas principais do descuido. Por isso, é recomendável chegar ao aeroporto pelo menos 1h30 antes do embarque e aproveitar o tempo extra para fazer check-in e despachar a bagagem;

 

» Aproveite os recursos do aeroporto

Os carrinhos para carga concentram os objetos em um só lugar e podem evitar perdas.

 

» Como encontrar

» Aberto 24 horas, sete dias por semana, o Setor de Achados e Perdidos do Aeroporto de Brasília fica um pouco escondido, em um corredor no primeiro pavimento, próximo à Polícia Federal e ao caixa de pagamento do estacionamento. Para reaver o objeto perdido, o usuário pode mandar um e-mail para achadosperdidos@inframerica.aero ou ligar no  (61) 3214-6109.

 

» Itens perecíveis, como comidas e remédios, são descartados imediatamente. Os demais permanecem na sala e podem ser resgatados em até 90 dias. Após esse período, os objetos são armazenados em depósito para posterior doação. Após 14 dias na sala de Achados e Perdidos, documentos são enviados aos Correios e, uma semana depois, cartões bancários são destruídos.

 

» Para evitar que objetos sejam devolvidos a pessoas erradas, o Aeroporto de Brasília registra no sistema detalhes sobre data, hora, local onde foram encontrados. Na ausência de nota fiscal que comprove a propriedade sobre o objeto, o funcionário solicita ao passageiro o máximo possível de informações sobre o item, além de data e hora provável da perda. Tudo que é informado pode contribuir para comprovar a identificação dos donos.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.