AMÉRICA CENTRAL

Território indígena de Guna Yala, no Panamá, proporciona imersão no paraíso

A comarca é a casa do povo guna, que preserva tradições. Ilhas do Arquipélago de San Blas mantêm viva parte do passado

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postado em 30/04/2016 09:00 / atualizado em 27/04/2016 12:27

Visit Panama/Divulgação

Bastaria dizer que Guna Yala fica em pleno Mar do Caribe, com todo o esplendor de suas águas calmas e cristalinas e praias de areia branca, para despertar o interesse de qualquer viajante que passa pelo Panamá. Realmente, a comarca do país que marca a divisa das Américas Central e do Sul não deve nada aos destinos caribenhos mais badalados. As montanhas, o litoral e as ilhas do Arquipélago de San Blas, no Noroeste do país, são o lar do povo guna, que faz da preservação de suas tradições e costumes a força que os une contra a ocidentalização da comunidade.

 

Curiosamente, Guna Yala significa “povo da terra”, ou “povo da montanha”, ainda que boa parte da população viva no litoral e nas mais de 360 ilhas paradisíacas do arquipélago. É exatamente a cultura preservada que difererncia a comarca panamenha de qualquer outro destino do Caribe. Em vez de grandes resorts cheios de pompa, pequenas cabanas feitas de folhas secas de palmeira, com redes ou colchões infláveis colocados diretamente na areia, sem energia elétrica, com banheiros adaptados ao ar livre, imersão na vida simples dos gunas e a possibilidade de uma experiência única.

 

Os gunas são um povo forte e orgulhoso, mas recebem muito bem os turistas, que já se tornaram uma de suas principais fontes de renda. Em janeiro, é comemorada a Revolução Guna, lembrando o ano de 1925, quando autoridades panamenhas tentaram forçar a ocidentalização e foram enfrentadas. Desse episódio nasceu a República de Tule, que, depois de negociações com o governo, voltou a fazer parte do país como território autônomo, garantindo a segurança e tradições da cultura guna. Em 2011, eles conseguiram mudar a grafia do nome de suas terras para Guna Yala, argumentando que em sua língua não existe o som de ‘k’.

 

Estrutura

Victor George/Flickr

No litoral, a estrutura é melhor que nas ilhas, só que a experiência não é tão completa. É possível se hospedar em hotéis com certa estrutura, mas seria desperdiçar a oportunidade de conhecer de perto o cotidiano dos gunas. O interessante é ficar em uma das mais de 30 ilhas habitadas do arquipélago, onde os moradores oferecem, além da hospitalidade, abrigo e três refeições diárias (pesquise e procure as ilhas menores, com uma ou duas famílias, já que as maiores e mais populosas são sujas e menos pitorescas). Mas é bom ir preparado, levar água potável — para banho, higiene e consumo —, além de comidas e bebidas para complementar o que os índios oferecem. Lembrando sempre que não haverá geladeira para armazenar.

 

Para ir a Guna Yala é possível combinar o passeio e a estada em hotéis e albergues na Cidade do Panamá ou pelo site www.gunayala.com, mas é importante  se informar antes de partir. Da capital, é possível ir de carro ou avião para a comarca, tudo dentro dos pacotes. Do litoral, segue-se para as ilhas de barco, com os índios.

 

No mais, é só se preparar para aproveitar ao máximo o mar cristalino, ótimo para a prática de snorkel, ver cardumes nadando ao seu lado, observar um dos arrecifes de corais mais bem conservados do mundo e desapegar um pouco das necessidades da vida moderna, passando alguns dias com um povo que preza por sua cultura e sua principal fonte de subsistência: a natureza.

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