TRADIÇÃO

Festas juninas movimentam regiões do Brasil; Nordeste é destaque

Eventos homenageiam três santos católicos e animam o Brasil com música regional, comidas típicas e danças populares

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postado em 26/05/2016 10:00 / atualizado em 30/05/2016 11:20

Wanda Lenhart/Suryananda/Reprodução

Das quadrilhas aos sucessos da música sertaneja, da maçã do amor ao quentão, as festas juninas são democráticas — ocorrem em todas as regiões do Brasil, com expressão máxima no Nordeste. Os eventos, marcados pelas tradições religiosas, homenageiam três santos: santo Antônio, em 13 de junho; são João Batista, dia 24; e São Pedro, dia 29. Em cada lugar do país, a mistura de aspectos culturais com religiosos resulta em festejos únicos.

O Turismo selecionou vários destinos com grandes festas. Duas delas disputam o título de maior São-joão do Mundo. Que o diga Elba Ramalho, que abre a festa de Caruaru no agreste pernambucano pelo nono ano seguido. Os paraibanos contra-atacam com o forró eletrônico de Wesley Safadão, o popstar que arrasta multidões de fãs. No caminho da roça, no entanto, há opções mais próximas, como Itumbiara, Goiânia, Anápolis — todas no vizinho Goiás. Conheça a tradição, vista a sua rouipa caipira e caia na tentação dos quitutes e na alegria das músicas que embalam as quadrilhas e as rodas de forró.

De acordo com o Ministério do Turismo (MTur), as festas são uma oportunidade para incrementar o rendimento econômico em locais onde o turismo é ocioso nessa época do ano. “O são-joão é uma expressão cultural do Brasil. Queremos estimular o turismo relacionado à festa”, ressalta a coordenadora de posicionamento de produtos do MTur, Fabiana Oliveira. Viajar nesta época é ideal para gastar menos, pois junho é classificado como baixa temporada.

O mês é escolhido para fazer festas há séculos. Celebrações consideradas pagãs eram organizadas durante o solstício de verão —  dia mais longo e noite mais curta do ano —  por volta de 21 e 22 de junho, no Hemisfério Norte. “Era a festa mais importante do ano, desde a época do neolítico”, esclarece o antropólogo da Universidade de Brasília (UnB) Jaime de Almeida.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

Herança
As festas juninas como conhecemos vieram para o Brasil com os portugueses, no período colonial. “Jesuítas e franciscanos usavam os eventos para desenvolver trabalhos de catequese”, aponta Almeida. As comemorações fizeram sucesso entre os indígenas, que já dançavam e cantavam em homenagem ao sol e ao fogo. Também houve uma “filtragem”, diz o antropólogo, de celebrações já praticadas pelos nativos, para adequá-las à temática religiosa.

“Colonos brancos e negros escravizados também participavam. Era o momento de oficializar os graus de parentesco em lugares onde a presença do clero era insuficiente”. Nessas cidades, geralmente interioranas, a vizinhança se reunia em volta da fogueira e realizava verdadeiros ritos, inclusive os casamentos que são encenados até hoje nas tradicionais quadrilhas.

Na região Nordeste, os eventos deram tão certo porque o cristianismo chegou lá primeiro. “As festas de São-joão são uma maneira de reafirmar as relações de identidade daquele povo e relembrar seus laços com o passado”. Hoje em dia, avalia Almeida, as festas juninas têm traços folclóricos e migraram para as escolas e paróquias, onde crianças e jovens representam as antigas festas do campo, resultado de um longo processo de trocas e incorporações culturais.

 

Celso Cesar Junior/Flickr

Cuidado para não se queimar

A tradição de acender e pular fogueiras veio de Portugal. O costume deriva de um combinado entre Isabel, mãe de João Batista, e Maria, mãe de Jesus. Isabel teria mandado acender uma fogueira para avisar a Maria que seu filho havia nascido. Diz a lenda que quem saltar a fogueira por um número ímpar de vezes, dando, no mínimo, três saltos, fica protegido dos males pelo resto do ano.

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