COMPORTAMENTO

Nada de ficar em casa: cresce número de idosos que preferem viagens

É cada vez maior o número de idosos que estão viajando pelo país e pelo mundo afora. De acordo com o Ministério do Turismo, brasileiros com mais de 60 anos fizeram pelo menos 18 milhões de viagens em 2015. O total cresceu 11% em quatro anos

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postado em 04/06/2016 09:00 / atualizado em 01/06/2016 17:58

Caio Gomez/CB/D.A Press

Não tem essa de idade quando o assunto é viajar. O importante é deixar o sofá de casa e conhecer o mundo. E é exatamente isso que a terceira idade está fazendo. As viagens estão ganhando cada vez mais espaço na rotina dos idosos. De acordo com o Ministério do Turismo (MTur), brasileiros com mais de 60 anos fizeram ao menos 18 milhões de viagens somente em 2015. O total cresceu 11% no período de quatro anos. O número de idosos dispostos a embarcar em uma viagem pelos próximos seis meses soma 32%. Por outro lado, a intenção dos turistas de até 35 anos caiu para 22%, ainda segundo dados do MTur.

 

Farise Bolzon, 66, está sempre na estrada. Só neste ano, ela já foi para Alagoas, Pernambuco e Cavalcante, em Goiás. “E a próxima já está planejada. Em novembro, eu e minha família vamos para Cuba”, conta. Apesar de já ter viajado com vários amigos, a aposentada gosta muito da companhia da família na hora de embarcar para um novo destino. “O grupo é diversificado. Tem crianças, adolescentes e adultos. A família é muito grande e todo mundo gosta de viajar.”

 

Arquivo pessoal

Os roteiros são planejados com muita antecedência. “Já vamos com hotéis e passeios organizados. Mas, se quisermos fazer algo diferente lá, não tem problema.” E não tem tempo para ficar parado. “Em Cavalcante, fomos atrás das cachoeiras mais bonitas e não importava o quanto íamos andar.” As caminhadas foram longas, mas a idade não foi um empecilho. “Eu acompanho bem”, ela acrescenta.

Farise já passou por vários lugares, tanto dentro quanto fora do Brasil, mas alguns ainda estão na lista de desejos. “Morro de vontade de ir para o México, à casa da Frida Kahlo. Ainda não deu certo, mas vai dar. Outro lugar que eu tenho muita vontade de conhecer é Fernando de Noronha.”

Pacotes planejados

Sócio da agência de viagem Venturas, Jota Marincek, 47 anos, trabalha com roteiros de viagens voltados para clientes da melhor idade. “Fiz uma viagem para Machu Picchu com três casais de mais de 60 anos que me demandavam atividades para eles. Depois, resolvemos fazer uma viagem por ano voltada para esse público.”

Jota explica que algumas medidas são tomadas para que o grupo tenha a melhor viagem possível. “Temos a presença de alguém com experiência em lidar com esse público; ajuda no aeroporto, na hora do check-in, nas refeições. É uma assistência 24h.”

 

Venturas/Reprodução

A acessibilidade também é prioridade. “Evitamos hotéis em que os quartos tenham deslocamentos longos, andares altos. Também precisa ter elevador.” Na hora de montar o roteiro, o cuidado está voltado para o esforço físico. “Em atividade que dura o dia inteiro, mas em que não se anda toda hora, todos são incluídos. Quando a atividade é mais puxada, damos uma alternativa mais leve para quem preferir,” conta Jota. Para o empresário, viajar com os idosos é uma experiência e tanto. “Eu aprendo muito. Quem encara essas viagens tem uma história de vida muito interessante”, explica.

Queixas
Tanta disposição para viajar vem com alguns contras. A pesquisa Hábitos de turismo na terceira idade, realizada pela Fundação Instituto de Administração (PROVAR/FIA), em parceria com o Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo (Ibevar), revelou as principais dificuldades dos viajantes que estão na terceira idade.

De acordo com o estudo, o maior problema relacionado a alimentação — que atinge 37,8% dos entrevistados — é a falta de um cardápio especial para hipertensos e diabéticos, entre outras doenças. No quesito hospedagem, a principal queixa, que afeta 31,3% do grupo estudado, é a carência de assessorias especializadas no atendimento de turistas de diferentes faixas etárias. Banheiros sem apoio, falta de rampas e corrimões também entram na lista de reclamações.

Prevenção

Não há proibição; o idoso pode viajar o quanto quiser e para onde sentir vontade. Só é preciso ter um pouco mais de atenção. Quando o assunto é saúde, cuidados nunca são demais. A geriatra do Hospital Santa Lúcia Tatiana Peron explica que “o principal é conversar com o médico antes (da viagem) para saber o que fazer caso algo ocorra e para pegar o receituário. Tem que comprar os remédios, com sobra, e levar a receita caso alguém pergunte o que são todos aqueles remédios.”

É importante ficar atento ao clima do local, já que pessoas mais velhas sofrem um pouco mais com temperaturas muito altas ou muito baixas. “Melhor optar pela primavera e o outono, quando as temperaturas são mais leves”, completa Peron. Caso não seja possível escolher, fique atento aos cuidados que cada temperatura exige — como beber muito água no calor.

Viagens com mais de quatro horas podem causar trombose e embolia pulmonar, segundo alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas, se houver cuidado, não há com o que se preocupar. Peron explica que em viagens de ônibus é mais fácil evitar problemas, já que paradas ao longo do caminho são possíveis. “Em viagens de avião, é importante beber muita água e andar a cada duas horas.” Evitar a ingestão de álcool e de sedativos fazem parte do rol de recomendações da especialista.

Contratar um seguro de viagem — tanto nacional como internacional — também é aconselhável. Apesar de ser um pouco mais caro para pessoas idosas, o seguro ajuda muito na hora do aperto. “Todos devem viajar com o seguro-saúde com a cláusula de doença preexistente”, completa Tatiana Peron.

 

» Perfil

A pesquisa Hábitos de turismo na terceira idade também traçou o perfil do viajante brasileiro com mais de 60 anos. Confira algumas das preferências desses turistas:
» 43,1% exercem atividades diversas; os aposentados somam 41,8%;
» 68,7% preferem fazer viagens pelo Brasil; enquanto 31,3% afirmaram colocar viagens ao exterior em primeiro lugar;
» 61,4% gostam de viajar fora das férias escolares e 23,4%, em folgas prolongadas;
» Mais de 50% dos entrevistados optam por roteiros históricos;
» 54% fecham suas viagens por meio de agentes e apenas 23,9% pesquisam pela internet;
» 72,4% preferem viajar por meio aéreo, contra 4,3% que escolhem transporte próprio;
» Mais de 70% têm interesse em viajar com grupos de idades diferentes;
» A maior parcela dos entrevistados — 46,9% — gosta de viajar para áreas serranas, seguido por 45,8% que preferem destinos com praias.

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