ÁSIA

Cultura Milenar: vilarejos de Mianmar conservam costumes e tradições

A Vila Niaungshwe é o ponto de partida para o Lago Inle, um dos roteiros principais do país. Além de templos, há vinhos especiais e manufaturas de tecidos. Em Mrauk-u, estão vilarejos cujos povos mantêm tradições diferentes

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postado em 18/08/2016 10:00 / atualizado em 26/08/2016 19:11

João Tajra/Especial para o Correio


Bagan, Mandalay e o Lago Inle formam o trio de atrações principais do país. A pequena vila de Niaungshwe é o ponto de partida para explorar as margens do lago e suas comunidades ribeirinhas tradicionais. Prepare-se para encontrar muitos templos, manufaturas tradicionais de tecidos, cigarros e artesanato. Uma das curiosidades são os xales e cachecóis feitos com uma fibra retirada da flor de lótus: mais macios que a seda e permanentemente perfumados, custam uma pequena fortuna. Perto do lago está a vinícola Red Mountain, que oferece um bom restaurante e ótimos vinhos.

Localizada em uma região de difícil acesso, no oeste do país, Mrauk-u é pouco visitada. Apesar — ou em razão — disso é um dos destinos mais espetaculares para quem gosta de aventura e de locais sem muitos turistas. Chamada por muitos de “pequena Bagan”, sua atração principal são as centenas de templos, construídos em sua maioria entre os séculos 16 e 17, quando a cidade era a capital do povo Rakhine.

Mas Mrauk-u não é apenas estupas e pagodas. Por estar em uma região remota, a pequena cidade oferece a possibilidade de visitas a diversos vilarejos ainda mais isolados, onde vivem tribos e povos que mantêm sua própria cultura e modo de vida há milênios. Entre eles, os Chin, Muun e Magan, cujas mulheres tatuavam o rosto com desenhos de diferentes estilos. O mercado local também é uma atração à parte, congregando centenas de agricultores, pescadores e pequenos produtores rurais locais.

Lição para o mundo

Espremido entre a Índia, a China e a Tailândia, Mianmar é um país cercado de espiritualidade, costumes muito típicos e de beleza peculiar. Nesse canto da Ásia mais genuína, é comum homens e mulheres usarem longyi, uma espécie de canga. Calça jeans é algo raro de se ver pelas ruas.

Outro hábito inusitado é o fato de as mulheres andarem com o rosto pintado com thanaka, uma pasta branca à base de sândalo, usada para protegê-las do sol. O produto é colocado nas bochechas em forma de círculo, folha ou mesmo um borrão. É uma espécie de marca registrada de parte da identidade nacional feminina.

 

João Tajra/Especial para o Correio

 

Além da thanaka, não tem como o turista não reparar os dentes dos birmaneses. Não é incomum ver adultos e crianças com a arcada avermelhada, decorrente do hábito de mascar a noz de areca (semente da palmeira de areca). Misturada às folhas de betel, pode ser usada como tempero. Comer essa noz pura tem efeito similar ao tabaco e, por isso, causa controvérsias.

 

Muitos dizem que quem vai a Mianmar não volta a mesma pessoa. Além de cultura exótica, que inclui a lavagem do Buda como uma forma de reverência, o que mais encanta os visitantes é a humildade de hospitalidade dos birmaneses. Nesse quesito, eles dão lição para o mundo.

 

João Tajra/Especial para o Correio

 

Serviço:

Onde fica —
Mianmar está no sudeste asiático. Faz fronteira com Bangladesh (oeste), Índia (noroeste), Laos (leste), China ( nordeste), Tailândia (sudeste e a leste). É banhado pelo mar de Andaman (sul) e pelo Golfo de Bengala (sudoeste).

Como chegar — As melhores rotas vão envolver pelo menos duas escalas, seja na Europa, Oriente Médio ou Sudeste Asiático. Há voos diretos do Brasil para Índia, Tailândia, China e diversos países europeus, que podem servir como ponte para chegar a Mianmar.

Visto — Pode-se conseguir pela internet ou, mais aconselhável, junto à embaixada do país em Brasília. O visto custa R$ 75 e demora cerca de duas semanas para ficar pronto. A validade é geralmente de um mês.

Hospedagem — A infraestrutura turística de Mianmar ainda é bem precária, principalmente fora de Yangon, Bagan e Mandalay. Apesar disso, com o número de turistas crescendo, bons hotéis estão sendo construídos e o serviço dos atuais têm sido aprimorados.

Comida — A maioria dos pratos é bastante insossa e não muito saborosa. Destaque positivo para o café da manhã tradicional, com uma espécie de sopa de macarrão chamada Shan Noodles.

Transporte — Para se locomover, nada mais confiável e confortável do que os aviões. Existem trens para algumas localidades desde Yangon, mas são bastante vagarosos. Os ônibus, mais rápidos e frequentes, não oferecem conforto.

Dinheiro — Até bem pouco tempo, era necessário levar todo o dinheiro em espécie. Já não é mais o caso, porém o viajante deve ficar prevenido, pois em algumas localidades, como Mrauk-u e Inle, é bastante difícil fazer saques. Melhor levar dólares suficientes.

Quando ir — Evite os meses de junho a setembro, quando a monção traz muita chuva. Abril e maio, assim como outubro e novembro, são os meses de maior calor, com temperaturas acima dos 30ºC.

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