COREIA DO SUL

No meio da cidade, há um palácio com mais de 600 anos de história

O cenário é surpreendente. As casas de arquitetura antiga se misturam à imponência das residências da dinastia Joseon

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postado em 25/08/2016 10:00 / atualizado em 24/08/2016 18:21

Rodrigo Craveiro/CB/D.A Press

O respeito à história está em quase todos os cantos de Seul. As ladeiras íngremes do vilarejo de Bukchon Hanok, a apenas duas quadras do Palácio de Gyeongbokgung, escondem segredos em cada porta. Em Bukchon (“vilarejo do norte”) Hanok (nome das casas que obedecem à cultura tradicional coreana), a arquitetura antiga e típica se mescla com os visuais dos palácios de Gyeongbokgung e Changdeokgung e com o santuário de Jongmyo.

 

Do alto de uma das vielas, é possível registrar imagens de tirar o fôlego, em que se destaca o contraste entre os telhados ondulados das construções de 600 anos, os imensos prédios de Seul e a N Seoul Tower, um dos pontos turísticos e marcos da capital. Em Bukchon Hanok, você pode se deliciar com casas de chá e restaurantes ou, se preferir uma imersão na história da Coreia do Sul, pernoitar em hospedarias. Alguns restaurantes improvisaram mirantes, para apreciar a paisagem e ter encontros de prazer com a rica culinária sul-coreana.

Após visitar Bukchon Hanok, basta atravessar uma avenida, dar alguns passos e se deparar com outra joia da cultura do país. O Palácio Unhyeongung foi o local onde o Imperador Gojong, 26º rei da Dinastia Joseon, viveu antes de ascender ao trono. A construção pertenceu ao regente Heungseon Yi Ha-Eung, pai de Gojong e governante do país por cerca de 10 anos, até repassá-lo ao controle do filho. O complexo se divide em três alas principais, destacadas pela segregação entre homens e mulheres. O Salão Noandang (“Quarteirão dos homens”) foi a principal residência de Gojong.

 

Rodrigo Craveiro/CB/D.A Press

 

Dentro dos pavilhões, bonecos reconstituem a rotina na corte e passagens importantes da vida de Gojong, como quando foi informado pelo pai de que o sucederia no poder. A área central, Noakdang, construída em 1864, sediou a cerimônia de casamento do imperador Gojong com a imperatriz Myeongseong, dois anos depois. Ali, o governante comandava as reuniões de Estado. Outra ala servia de abrigo às mulheres da corte, inclusive a imperatriz, que se encontrava com Gojong por uma passagem externa, atrás do complexo. Além de um museu com peças da época e vestimentas da Corte real, Unhyeongung oferece ao visitante a oportunidade de alugar vestimentas tradicionais e fazer fotos entre os pátios do palácio.

 

Trabalho com diversão

 

As facilidades trazidas pelo progresso econômico não apagam da memória sul-coreana as dificuldades de tempos não tão distantes, quando o país precisou se reestruturar e investir em modernização. Os mais velhos lembram da fome e da destruição que a guerra com a vizinha do Norte (1950-1953) causou e estão entre os que mais apoiam uma resolução para o conflito, que tecnicamente não acabou.

A pressão para desenvolver o país tem um peso forte na rotina da cidade. Os sul-coreanos são conhecidos workaholics, mas ainda reservam um espaço para diversão. Karaokês são famosos em Seul, onde a cultura do happy hour está ganhando força.

Mesmo com o corre-corre do dia a dia, os sul coreanos não se negam a ajudar um visitante em apuros. Para corresponder à simpatia, quem visita o país pode treinar um “muito obrigado” de antemão, lembrando de exagerar nas vogais para ser entendido: kamsahamnida. (GW)

Para saber mais

Espaço para relaxar

Paulo Silva Pinto/CB/D.A Press

Construído em 1405, Changdeokgung foi um palácio secundário da dinastia Joseon. Foi destruído em 1592 por cidadãos indignados, que não aceitaram a fuga da família real diante da invasão japonesa, que durou até 1598. Reerguido em 1610, serviu como palácio principal por 270 anos e é o mais bem conservado dos cinco remanescentes da era Joseon.

Cerca de 60% do 462 m2 do território do palácio são jardins, que eram usados pela realeza como um espaço de descanso e relaxamento. A topografia original foi mantida e os traços arquitetônicos das diferentes construções foram preservados, o que faz da visita a Changdeokgung uma aprazível imersão na história local. Desde 1997, o palácio é tombado pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.

O melhor horário para visitas é no começo da manhã, quando os portões são abertos ao público, antes de numerosos grupos de turistas se espalharem pelos caminhos. A paisagem bucólica é certeza de belas fotos, independente da época do ano. Tours guiados pelas instalações do palácio e pelos jardins são diários e podem ser reservados pela internet. O custo da entrada para o palácio é de 3 mil won (cerca de R$ 9) e 5 mil won (cerca de R$15) para os jardins.

 

Palácio de bênçãos

Rodrigo Craveiro/CB/D.A Press
 

 

O Palácio de Geyongbokgung foi concluído em apenas três anos após a fundação da Dinastia Joseon. Jeong Do-jeon, primeiro-ministro e chefe de Estado conselheiro da dinastia, emprestou o nome a importantes prédios do complexo, como Gangyeonjeon, Sajeongjeon e Geunjeongjeon. Gyeongbok significa “a nova dinastia será grandemente abençoada e próspera” e gung quer dizer “palácio”.

 

SERVIÇO

Palácio de Gyeongbokgun

Aberto das 9h às17h (novembro-fevereiro); 9h às 18h (março-maio, se   tembro e outubro); das 9h às 18h30 (junho e agosto);  Não abre às terças

Palácio Unhyeongung
Horário: das 9h às 18h (novembro-março); das 9h às 19h (abril-outubro). Não funciona às segundas-feiras, exceto em feriado
 

O repórter viajou a convite da TV Arirang

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