NATUREZA

Projeto de proteção da vida marinha estimula o turismo consciente

Boa opção para levar as crianças e adolescentes ou mesmo para um descanso a dois, a Praia do Forte, na Bahia, tem um passeio que além de encantador é empolgante: o Projeto Tamar

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postado em 07/10/2016 09:00 / atualizado em 05/10/2016 17:11

Projeto Tamar/Reprodução

Para espantar o cansaço e relaxar na semana do saco cheio, nada como estreitar as relações com o mar. Não, não é apenas se jogar nas águas mornas do litoral norte baiano. Quem decidir pegar o carro ou o avião para Salvador, por exemplo,  pode dar uma esticada na Praia do Forte e conhecer — ou até mesmo revisitar — um dos mais belos programas de preservação da vida marinha do mundo. Há 35 anos instalado na região da Mata de São João, mantém diversos centros de pesquisas e de visitação.

 

O Tamar tem como princípio básico, além de proteger os animais, criar um vínculo entre o instituto e as comunidades para mudar a cultura dos moradores locais sobre a convivência com as tartarugas marinhas e outras populações e sobre a importância da proteção e preservação da fauna que vive no mar brasileiro.

 

O Brasil abriga cinco das sete espécies existentes no mundo: cabeçuda, de couro, oliva, verde e de pente. Com centros em 25 localidades e protegendo cerca de 1.100 quilômetros de praias, o instituto estuda a vida das tartarugas e monitora as áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso dessas gigantes marinhas. O trabalho é feito no litoral e ilhas oceânicas da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

 

Projeto Tamar/Reprodução

Além das pesquisas, o Tamar mantém centros de visitação que são espécies de museus sobre animais marinhos, com o detalhe de que alguns estão vivos. De acordo com biólogo Gonzalo Rostan, gestor dos Centros de Visitantes do Projeto Tamar, os espaços físicos são importantes para estreitar a relação das pessoas com a biodiversidade marinha. “Precisamos mostrar a importância da preservação dos animais, não só dos que vivem próximos às áreas de conservação, mas de todo mundo, sem distinção”.

O biólogo explica que o programa tem como prioridade envolver, em cada região, as pessoas que estão mais próximas do ambiente marinho — principalmente aquelas que tiram o sustento do mar.  “Os nativos são o ponto de partida para um melhor equilíbrio do ecossistema, principalmente os pescadores. Sempre procuramos mostrar a importância da tartaruga no meio ambiente e que ela viva, é mais importante e valiosa do que morta”, aponta.

 

Jamais esquecer

Projeto Tamar/Reprodução

O Centro de Visitantes em Mata de São João conta com uma estrutura onde há sete tanques que apresentam detalhes dos habitantes marinhos. Cinco deles, claro, são dedicados a quatro espécies de tartarugas. Nos demais, vivem peixes, arraias e tubarões-lixa. Durante a visita é possível conhecer as principais ameaças à sobrevivência dos animais, o trabalho de proteção e manejo dos ninhos e a importância dos arrecifes.

Como parte da interação com os visitantes, há um tanque-barco, com informações sobre captura acidental de tartarugas pela pesca. Em outro reservatório, pequenos peixes e arraias convivem em harmonia. Nele, é possível tocar nos animais. Ainda há um exclusivo para os filhotes. Um estande mostra cascos reais das tartarugas que vivem em águas brasileiras.

No último tanque, a outra grande atração do centro: os tubarões-lixa e a arraia gigante. É possível observar os animais em janelas submersas e, ainda, participar da alimentação diária. Todos os dias, pontualmente às 16h30, os tratadores do Tamar alimentam os tubarões. Nesse horário, os visitantes podem tocar e sentir a pele áspera dos bichos, que realmente parece uma lixa — daí o nome. O pequeno Pedro Massa, de quatro anos, estava com a mãe, a química Maria Cecília Massa, 36. O menino adorou ver o “Tio Raia”. “O Tio Raia me molhou, foi bem legal, o tubarão também”. Cecília já havia levado Pedro outras vezes, mas ela acredita que esta será a primeira vez que ele realmente lembrará do passeio. “Acho muito importante mostrar para ele a importância do projeto e da preservação do meio ambiente”, afirma.

 

Personagem da Disney
Nos filmes Procurando Nemo e Procurando Dory, da Pixar/Disney, um dos personagens secundários é o Tio Raia, uma arraia gigante que é professor no grande recife de corais onde se passa parte da história.

 

Durante a refeição dos tubarões, as pessoas fazem filas para  tocar neles. Como o casal carioca Marcelo Rosa da Silva, 38, e Fernanda Silva Teodoro, 38, que foram de férias para a Praia do Forte e, sabendo que o Tamar é uma das atrações, resolveram visitar o projeto. “Reservamos um dia para poder conhecer. É bastante interessante saber da história e da preservação da tartaruga”, conta Marcelo. “Gostamos muito do contato com os animais, principalmente com os tubarões. Pretendemos conhecer outros centros pelo país”, completa Fernanda.

 

Projeto Tamar/Reprodução

O Tamar funciona durante todo o ano, todos os dias da semana. A única ressalva é que se deve evitar a primeira semana de janeiro porque, em razão do réveillon, fica muito cheio. Em média, o centro recebe 500 mil pessoas anualmente, das quais 10% provenientes do Distrito Federal. Mas o melhor momento para visitar o projeto é durante a temporada reprodutiva das tartarugas marinhas. Nesse período é possível acompanhar o manejo dos ninhos transferidos das áreas de risco, nas praias, para o cercado de incubação e aprender sobre as atividades de proteção e manejo.

 

Como ocorre nos ninhos naturais, no cercado os filhotes nascem quase sempre à noite e são levados ao mar imediatamente. No dia seguinte, os ninhos onde os ovos eclodiram são abertos para estudo — nesse momento, muitos filhotes ainda se encontram no local, já que não conseguiram alcançar a superfície para sair do ninho. Eles são recolhidos e liberados no mar no fim da tarde (às 17h), na praia próxima ao centro.

 

Uma experiência interessante do projeto é o Submarino Amarelo, com visitação regulada. Funciona sete vezes ao dia, de manhã e de tarde. Nele, o visitante entra em uma sala de pouca luz — para se acostumar com a escuridão — e assiste a um vídeo curto, de cerca de cinco minutos, sobre as pesquisas de animais de grandes profundidades, como moreias, tatuíras (espécie de barata aquática), entre outros. E, logo após, pode ver os bichos em aquários, quase em ambiente natural, escuro e frio. A visita vale muito a pena.

 

»Música
Na sede do projeto há um restaurante, mantido pelo instituto, e uma lojinha de souvenires. E como não poderia faltar na Bahia, desde o ano passado, aos sábados, é feita a Serenata do Tamar. A partir das 20h, os visitantes têm uma agradável noite à beira-mar com música de boa qualidade. A cada semana, uma atração musical se apresenta em tom aconchegante e intimista, proporcionando um ambiente ideal para estar com a família e amigos. A programação pode ser conferida no site do projeto.

 

» Programe-se

» Como chegar
Do aeroporto de Salvador é praticamente uma linha reta até a região de Mata de São João. São cerca de 60km de distância, pela Linha Verde, o que, de carro, dura quase uma hora de viagem. Do centro da capital baiana, são cerca de 85km e uma hora e meia de trajeto. A melhor opção é ir de carro, mas é preciso ficar atento aos pedágios. Se estiver sem pressa, vale a pena ir parando nas praias da região, uma mais bela do que a outra — Arembepe, Jacuípe, Garajuba, Imbassaí, entre outras.

» Onde ficar
Por ser uma região rica em belas praias de águas quentes, em Mata de São João não faltam opções de hospedagem para os mais variados bolsos. De pequenas pousadas a R$ 200 reais o pernoite, como a Luar da Praia, a grandes resorts por R$ 1,5 mil a diária, como o Tivoli Ecoresort.

» Visita

Horário de funcionamento: todos os dias, das 8h30 às 17h30.

Entrada: R$ 22 inteira e R$ 11 meia

Endereço: Av. Farol Garcia D’Ávila, s/n

Contato: (71) 3676-0321, 98127-2010 e centrodevisitantes@tamar.org.br

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