MÉXICO

Praça de El Jardín é o centro nervoso de San Miguel de Allende

Palco da vida social da cidade, El Jardín é ponto de encontro dos moradores e local onde se concentra a história, a cultura e o comércio

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postado em 17/11/2016 08:00 / atualizado em 16/11/2016 14:16

Renato Alves/CB/D.A Press

Como na maior parte das cidades interioranas, a vida em San Miguel pulsa ao redor de sua principal praça, conhecida como El Jardín. É o ponto de encontro dos moradores e turistas. O coreto faz a festa das crianças. Jovens e adultos preferem os bancos de ferro forjado sob as sombras de loureiros. Neles, descansam, conversam, namoram ou aproveitam a internet grátis fornecida por meio de pontos de Wi-Fi.

 

Nos fins de semana e feriados, grupos de mariachis fazem apresentações públicas e gratuitas. Nas tardes e noites de sábado, a presença dos músicos transforma as ruas ao redor da praça em uma casa de shows a céu aberto, com muita cantoria, dança e bebedeira. Mas tudo sem bagunça. Crianças, jovens e idosos se misturam de forma respeitosa. E ainda há espaço para quem não quer entrar na dança. Sempre há um canto de paz na praça.

 

Paróquia

A principal construção da cidade fica em frente a El Jardín. A Paróquia de São Miguel Arcanjo começou a ser erguida nos primeiros anos da cidade. Em 1564, estava concluída, com fachada em estilo barroco. Mas, entre 1880 e 1890, após uma reforma, passou a apresentar um estilo neogótico, toda revestida com pedras extraídas da região.

 

Palco de tradicionais feirinhas de comidas e artesanato, com barraquinhas montadas na sua entrada, a igreja também proporciona cenas bucólicas. Em meio a vendedores ambulantes, famílias locais em um passeio de fim de semana, turistas e fiéis, noivas desembarcam em carros de época para suas cerimônias de casamento.

 

A igreja também sedia a mais importante festa local, na última semana de setembro, que celebra o padroeiro da cidade: São Miguel Arcanjo. Começa ao nascer do sol e termina com a tradicional procissão com a estátua do santo pelas ruas do centro. Paralelamente, são realizados eventos sociais, artísticos, esportivos, culturais e as famosas touradas.

 

Renato Alves/CB/D.A Press

Herói nacional

A casa de Ignacio Allende, o herói insurgente da Independência que dá nome à cidade é vizinha de El Jardín. Ela abriga um museu dedicado a ele e ao seu papel na história do México. Erguido no século XVIII, o edifício tem estilo barroco e guarda peças originais da época, documentos e objetos históricos da fundação da cidade, passando pelo movimento de independência, até a morte de Allende.

 

» Para saber mais

Histórico de luta

O monge franciscano Juan de San Miguel fundou o assentamento San Miguel el Grande, em 1542. A localidade era um importante ponto de passagem do Antigo Caminho Real, parte da rota da prata que conduzia a Zacatecas. Já um distrito, San Miguel ganhou destaque na Guerra da Independência do México (1810-1821).

 

Nascido no povoado, o general Ignacio Allende foi um dos líderes do movimento que pretendia tornar a colônia livre da Espanha. Mas soldados o capturaram quando marchava rumo aos Estados Unidos, em busca de armas. Julgado em Chihuahua, Allende foi condenado e executado. Exibiram a sua cabeça em Alhóndiga Granaditas, no estado de Guanajuato, com as cabeças de outras três lideranças: Miguel Hidalgo, Juan Aldama e Mariano Jiménez. 

 

Em 8 de março de 1826, o governo mexicano elevou o povoado de San Miguel el Grande à categoria de cidade. Na mesma data o nome mudou para San Miguel de Allende, em honra ao general Allende, herói nacional.

 

Renato Alves/CB/D.A Press

Arte por toda parte

A partir do El Jardín, caminhar por qualquer rua paralela ou transversal descortina um número sem fim de atrações, além das fachadas coloniais. As distâncias da compacta San Miguel podem ser percorridas a pé. Andando pelas ruas com calçadas de pedra e ladeiras íngremes, nem mesmos os viajantes com orçamento limitado conseguem evitar as inúmeras galerias de arte.

 

San Miguel tem atraído uma grande comunidade artística, composta em sua maioria por estrangeiros aposentados: artesãos, pintores e escultores. As obras dessa gente estão em galerias, museus e em escolas de arte. Qualquer ruazinha de San Miguel esconde tesouros.

 

A beleza e tranquilidade do lugar servem de inspiração a todas as formas de arte. Muitos dos artistas deixam seu atelier aberto à visitação. A maioria fica no centro histórico, onde também se concentram as melhores lojas. Grande parte instalada em algum casarão antigo. Elas exibem móveis artesanais, joias, artigos de luxo, quadros, fotografias, esculturas.

 

No centro também há muitas lojinhas com souvenires típicos do México, como desenhos aztecas, camisetas com o rosto da artista Frida Khalo e ricos bordados feitos à mão. Ainda, os famosos corações mexicanos e os espelhos emoldurados em azulejos.

 

Murais 

Rivalizando em esplendor com a catedral, ainda no centro, há o prédio de quase 250 anos onde funciona o Centro Cultural Ignacio Ramirez “El Nigromante”, também conhecido como Instituto Nacional de Bellas Artes. Primeiro um convento, depois faculdade de artes, hoje, totalmente reformado, ele funciona como centro comunitário e galeria de arte.

 

Renato Alves/CB/D.A Press

Monumento à fé

Outra parte do centro histórico que tem de ser visitada é a Praça Cívica. Além de ponto de encontro de moradores, ela é rodeada por lojas que servem basicamente aos locais (vendendo artigos de primeira necessidade a preços baratos), pelo antigo colégio de San Francisco de Sales e pelo Templo Nossa Senhora da Saúde.

 

Construída no século XVIII, a igreja católica é uma das imagens mais representativas de San Miguel. A cúpula está coberta de azulejos amarelos e azuis. Ela conta ainda com uma fachada barroca em forma de concha, esculpida em pedra com nichos sobre as portas principais, dedicados a São Joaquim, Santa Ana, ao Sagrado Coração e a São João Evangelista.

 

Os degraus de pedra são fundos no meio, resultado de séculos de uso. Embora haja cinco salas para mostras temporárias, o acervo permanente é o mais impressionante. Eles exibem afrescos de um dos maiores muralistas do México, David Alfaro Siqueiros. 

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