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FLORIPA

Turismo de incentivo vai muito além de uma premiação a funcionários

Um novo segmento no setor tem alcançado bons resultados com o estímulo de empresas que unem a bonificação com a integração dos funcionários

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postado em 27/11/2016 09:00 / atualizado em 23/11/2016 17:49

Maíra Nunes

Maíra Nunes/CB/D.A Press

Florianópolis (SC) — A experiência começa a dar os primeiros passo no Brasil e já mostra um caminho para o sucesso. Na prática, o turismo de incentivo é um pacote especial para empresas premiarem funcionários. No entanto, não se trata de uma simples viagem de lazer. Desde o roteiro às atividades, tudo é preparado para integrar os visitantes e oferecer programações que normalmente não seriam conhecidas pela maioria dos premiados.

 

Grandes hotéis e resorts começam a oferecer pacotes principalmente para grandes empresas. O Correio acompanhou a vivência de um grupo de trabalhadores e constatou que essa espécie de bonificação não se enquadra em uma viagem típica de lazer, nem se iguala a uma expedição empresarial. O objetivo é proporcionar experiências únicas, que remetam as sensações à empresa que a possibilitou. Voltado para grandes empresas ou multinacionais, consiste em um pacote de viagem especial que visa premiar um grupo específico de funcionários.

 

Resort Costão do Santinho/Divulgação

A experiência começou com a estrutura do resort Costão do Santinho e a vista para o mar. Na programação, um jantar no casarão onde o imperador Dom Pedro II escreveu linhas da história do Brasil. Na estrutura erguida com a ajuda da borra do óleo de baleia, agora funciona um restaurante. Lá dentro, além da gastronomia, a surpresa ficou por conta do artista plástico Luciano Martins, uma referência em Florianópolis. Envolto em pincéis e tintas, ele interrompeu a produção da tela que estava criando para cumprimentar o grupo. Tudo especialmente preparado para os visitantes compreenderem o que é vivenciar o “turismo de incentivo”.

 

O turismo de incentivo busca proporcionar ao “premiado” conhecimentos diversos e até mesmo distantes da profissão que exerce. Por exemplo: antes do jantar propriamente dito, uma degustação de ostras cultivadas na Fazenda Marinha Freguesia. Ideal para os apaixonados pela especiaria e muito indicada para aqueles que se aventuram a experimentá-la pela primeira vez. O degustador passa por uma sequência em que sentirá a mistura de diferentes sabores.

 

Maíra Nunes/CB/D.A Press

A primeira ostra vem acompanhada de uma colherinha de mel, cachaça e limão; na segunda, o acompanhamento é cachaça e limão; na terceira, apenas com limão; e a quarta, sim, a ostra é pura. Depois, caso o comensal se empolgue, há variedades que incluem ostra gratinada, com pimenta e outras variedades. Isso era apenas a entrada. O jantar tinha pratos de pescado, polvo e até carne vermelha. Haja disposição!

 

Experiência com conforto

 

Os 172 km2 de costa — divididos entre ilha e continente — na capital de Santa Catarina oferecem mais de 100 praias para frequentadores de todos os gostos. Ao norte da ilha estão as mais badaladas: Jurerê Internacional, Praia Braba e Riozinho do Campeche. Já ao sul, se escondem as mais preservadas, como Naufragados, Solidão e Lagoinha do Leste. Quando o objetivo é surfar, as opções se multiplicam entre Joaquina, a própria Campeche, Mole, Barra da Lagoa e Moçambique.

 

Há uma praia onde a mordomia ganha destaque pela estrutura hoteleira às suas margens. O resort Costão do Santinho está fincado entre a praia e a montanha e ainda ganhou o bônus de algumas dunas que fazem fronteira com a praia dos Ingleses na outra extremidade. O mar é agitado por ondas que tornam o visual incrível. O estabelecimento é autossuficiente: conta com seis restaurantes e três bares, quatro piscinas (duas delas cobertas), spa, academia, boate e auditório.

 

Com uma geografia tão eclética, o resort é um estímulo à prática de esportes desde arco e flecha a stand up paddle (sup), surfe, tênis e golfe. Enquanto os restaurantes parecem ter aderido a um “regime de engorda” para os hóspedes, as trilhas pelas redondezas são opções para queimar as calorias enquanto se conhecem belas paisagens. Em uma delas, é possível visitar um sítio arqueológico, com figuras gravadas nas pedras que contornam o mar do Santinho. São vestígios deixados há mais de 5 mil anos por homens pré-históricos.

 

Uma fazenda muito especial

Resort Costão do Santinho/Divulgação

É no Laboratório de Moluscos Marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a origem de um dos carros chefes da culinária de Florianópolis. O pioneirismo do local na produção de moluscos marinhos ainda na fase primeira — quando têm tamanho de um grão de areia e são chamados de sementes — foi responsável por tornar Santa Catarina o maior produtor dessa espécie no Brasil e, consequentemente, por impulsionar delícias gastronômicas elaboradas com frutos do mar. Não por acaso, Floripa conta com rotas gastronômicas de fazer salivar qualquer turista ou “manezinho”, como são chamados aqueles que nascem na ilha.


A Rota do Ribeirão da Ilha tem como destaque as famosas ostras de Florianópolis. As delícias degustadas nos restaurantes são coletadas, instantes antes de serem servidas, em fazendas marinhas que as cultivam a poucos metros mar adentro. O charme do bairro localizado ao sul da ilha é mantido pela arquitetura colonial portuguesa, mais especificamente da região açoriana de meados do século 18. As casas geminadas são dispostas de frente ao mar. Uma pracinha e a Igreja de Nossa Senhora da Lapa completam o cenário característico das cidades brasileiras fundadas naquele período.


Subindo pouco mais de 30 quilômetros, ainda na costa voltada para o oceano, estão duas das mais antigas colônias de pescadores da ilha de Santa Catarina: Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui. Junto com o bairro vizinho Cacupé, elas compõem a famosa Rota do Sol Poente — como o nome sugere, ambiente propício para apreciar a vista do finzinho da tarde, de preferência com petiscos de frutos do mar.


O estilo das casinhas também é o açoriano. Com destaque para um casarão com dois andares e quatro grandes janelas em cada um. A fachada do piso de baixo é toda de pedras, originais do período em que foi construída para receber a única visita de Dom Pedro II à ilha, em 1845. A residência construída especialmente para hospedá-lo, que hoje abriga o Restaurante Vila do Porto, estimulou a reforma da vizinhança na época: a rua ao lado dela foi a primeira a ser calçada em Santa Catarina. Tudo para impressionar o imperador.
Caminhando pelas ruas, há boa variedade de restaurantes. Relatos do século 18 dão conta de que baleias costumavam aparecer nas águas tranquilas daquela região. O período, no entanto, foi marcado por caça indiscriminada a elas, que passam pela costa brasileira entre os meses de agosto e outubro — período de amamentação dos filhotes. O óleo do animal era usado como fonte de energia; e a borra resultante era aproveitada na massa para erguer construções daquele período.


Há muitos anos, porém, elas restringem seu trajeto à costa voltada para o Oceano Atlântico. E já que não resta aos turistas muita esperança de avistar baleias em Santo Antônio de Lisboa, atualmente, fica como “consolo” a possibilidade de visitar fazendas de ostras espalhadas por lá. De longe, são varas de madeira vistas para fora dágua. Por dentro, as ostras estão envoltas em uma rede para a “engorda”. Ao se alimentarem, esses moluscos têm a capacidade de filtrar a água do mar.

 

» Para saber mais

Fazendeiros do mar

Ao realizar a coleta de amostras daquelas águas para um estudo de balneabilidade em 1989, um aluno da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) descobriu a experiência de um “manezinho” com moluscos no local. Luiz Carlos Costa, hoje com 67 anos, deixou uma jangada no mar para facilitar a captura de mariscos, que colavam no casco da embarcação. A ideia era apenas facilitar a pesca que fazia para o consumo próprio, já que trabalhava mesmo era com gado.


Por coincidência,  o professor daquele estudante havia defendido, na Espanha, uma tese de doutorado sobre moluscos e tomou conhecimento da artimanha de Luiz Carlos. O pesquisador, então,  propôs um projeto de maricultura em parceria com a universidade. A empreitada acabou oferecendo uma nova possibilidade de mercado aos pescadores artesanais, cuja atividade estava em decadência.


A experiência deu tão certo que, de 1993 a 1996, houve uma explosão da maricultura em Santa Catarina. “Nós chegamos a 530 produtores de ostras só na ilha de Florianópolis”, conta Leonardo Cabral Costa, filho e sócio de Luiz na Fazenda Freguesia Oyster Bar. “Dali para frente, houve uma seleção natural de mercado. Hoje, somos 104 produtores de moluscos (ostras, mexilhões, berbigões e vieiras) na ilha e 800 em Santa Catarina”, completa. Sozinho, o estado é responsável por 95% da produção nacional de moluscos.

 

* A jornalista viajou a convite do resort Costão do Santinho

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