CASSINOS

Casas de jogo voltam ao debate como opções para atrair turistas ao Brasil

Para aquecer a economia, governo aposta na criação de resorts integrados a cassinos, proibida de funcionar desde 1946

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postado em 23/12/2016 09:00 / atualizado em 26/12/2016 18:52

Isaac Brekken/AP - 3/7/08

Impedidos de funcionar no país desde 1946, os cassinos já tiveram uma fase áurea. Quem visitou o Rio de Janeiro ou viveu ali entre as décadas de 1930 e 1940 deve se lembrar do Cassino da Urca. São Paulo e Minas Gerais também estiveram em evidência no período, com o Cassino Cine-Teatro de Bauru (SP) e o Cassino do Lago, na cidade mineira de Lambari — para citar poucos. O relacionamento dos brasileiros com os cassinos voltou a ficar em evidência com o Projeto de Lei do Senado (PLS) 186/2014, que legaliza os chamados jogos de azar. A matéria está em discussão e, caso aprovada, pode incrementar o roteiro turístico de vários municípios, além de gerar empregos e renda, segundo acredita o governo.

 

O ministro do Turismo, Marx Beltrão, defende a legalização de cassinos com resorts integrados. “A exemplo do que acontece em Las Vegas, Macau e Bahamas, esse modelo atrai empresas sérias, que fazem questão de serem fiscalizadas e fomentam o turismo”, expõe. Nesse modelo de negócio, o cassino representa até 30% das atividades do resort, explica Beltrão. “O Brasil é um país com potencial muito grande. Com um estudo benfeito, podemos colocar de 20 a 25 cassinos em cada região, gerando empregos e estimulando a economia”. Na visão do ministro, Foz do Iguaçu seria um local estratégico para receber os estabelecimentos e atrair turistas da América do Sul. “É uma oportunidade que já está na hora de enfrentar”, avalia.

 

Fãs

Arquivo pessoal

Sócio-diretor do Portal Brasil Poker e professor no Casanova Poker Lounge, João Eduardo Duque, 30 anos, arrisca uma “fezinha” na roleta, mas não é fã de jogos de azar. “Vou a cassinos para jogar pôquer e me divertir com as outras atrações do local”. Há cassinos dentro de hotéis de luxo, com restaurantes exclusivos, bares temáticos e recebem shows. O professor apoia a legalização com ressalvas. “Ela precisa ser feita de maneira regulada. Os cassinos devem estar em grandes hotéis, com potencial de atender bem os turistas”.

Um dos argumentos contrários à legalização do jogo é o vício. Segundo um estudo do Games Institute, 2% dos jogadores se tornam viciados. “Não podemos negligenciar isso. É um problema grave para quem o tem”, opina a psiquiatra Helena Moura.

O transtorno do jogo patológico é fruto de uma dependência do organismo a atividades que geram prazer, explica. O jogo tem alto potencial de sedução porque mexe com o sistema de recompensa do cérebro. “A sensação de ganhar é muito estimulante. A pessoa quer sentir aquilo de novo”.

 

» Para saber mais
O risco é a única certeza
Jogo de azar é aquele em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte. Bingo, roleta, dados, caça-níqueis e loteria entram na classificação. O pôquer é considerado jogo de habilidade e é legalizado no Brasil. Aqui, os cassinos surgiram nos tempos do Império e se tornaram ilegais durante o mandato do presidente Getúlio Vargas, via decreto-lei 9.215, de 30 de abril de 1946. A justificativa foi de que o jogo fere a moral e os bons costumes. A mulher de Vargas, Carmela Dutra, teria influenciado na decisão por ser devota da Igreja Católica.

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