LÍBANO

Ruínas da Acrópole de Baalbek contrastam com a paisagem da região

Templo dedicado a Baco tem enormes estruturas ao norte de Beirute. É um dos maiores e bem preservados complexos de construções romanas do mundo

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postado em 03/03/2017 09:00 / atualizado em 01/03/2017 15:33

Paul Saad/Flickr

Em meio a paisagens que descortinam brutal contraste entre montanhas e planícies, elevam-se as ruínas espetaculares do sítio arqueológico da antiga Acrópole de Baalbek ao Norte de Beirute, no Líbano. Trata-se de um dos maiores e mais bem preservados complexos de templos romanos do mundo, construídos entre os séculos 1 e 2 d.C. Está assentada sobre as ruínas de templos de outra cultura: 24 monolitos, o maior deles pesando 800 toneladas, e pedras angulares de mais de 100 toneladas foram usadas por romanos para a fundação de seus próprios templos. A estrutura é tão impressionante que ainda hoje arqueólogos, cientistas e historiadores se indagam sobre que civilização as transportou e como o fez.

 

Deus-Céu Baal

Reji/Flickr

Os fenícios, um dos mais brilhantes povos da Antiguidade — mercantes semitas de cultura marítima — dominaram a Síria e o Líbano por mais de 2 mil anos. Baalbek era, então, importante centro de peregrinação: venerava-se ali o Deus-Céu Baal, a sua consorte, Astarte, Rainha do Céu, e o seu filho, Adon. Daí a derivação do nome da cidade: Baalbek significaria “Deus Baal do Vale do Beqaa”.

 

Homenagem à tríade romana

Conquistada por Alexandre o Grande, em 334 a.C., a acrópole de Baalbek foi chamada de Heliópolis — cidade do Sol. Mas foi sob Roma que os santuários colossais erigidos foram dedicados à tríade romana, Júpiter, Vênus e Mercúrio, atraindo ainda mais devotos, que mantiveram a tradição fenícia do culto. O templo principal, de Júpiter, é notável por suas colunas de 20m de altura, que cercam a cela e as impressionantes pedras de seu terraço. Maior que o Parthenon de Atenas, adjacente ao templo de Júpiter, está o de seu filho Baco: abre-se com um monumental portal esculpido com elementos característicos do deus da ebriedade, expressão dos cultos de fertilidade e do ciclo agrícola, principalmente vinhedos. O Vale da Bekaa se insere no triângulo compreendido pelo Cáucaso — moderna Armênia e Geórgia — Mesopotâmia (Iraque) e o Sul da Palestina –, onde os historiadores do vinho apontam o berço da produção da bebida. Milênios mais tarde, por volta de 3000 a.C., os fenícios levaram o produto ao Egito, a Cartago, Chipre, à Grécia, a Roma, à Sardenha, à Espanha entre outros recantos de sua ousada rota marítima.

 

Diferentemente das enormes estruturas dos templos de Júpiter e de Baco, o Templo dedicado a Vênus é menor, de formas refinadas e está originalmente associado à divindade protetora de Baalbek. Não por acaso, durante o período bizantino em que o Império Romano se converteu ao Cristianismo, transformou-se em igreja dedicada a Santa Bárbara, até hoje a padroeira. O único vestígio restante do templo de Mercúrio é uma escada esculpida no monte Cheikh Abdallah.

 

Resistentes

Apesar de Teodósio I ter derrubado o altar de Júpiter, durante o Cristianismo e a dominação muçulmana que se seguiu no século 7, os templos do complexo romano foram poupados. Sob os primeiros foram transformados em igrejas; sob os últimos, a área foi renomeada para Al-Qalaa (a fortaleza) e uma mesquita, edificada. Os magníficos monumentos resistiram a outros conquistadores e a campanhas militares, entre elas, a dos mongóis e a do Império Otomano. Vieram terremotos. Mas o impressionante legado à humanidade continua testemunho vivo da arquitetura romana do período imperial e de povos geniais como os fenícios, que não só legaram o alfabeto à humanidade, mas foram mestres incontestes da arte de singrar mares, buscar novas culturas e produtos, promovendo o sincretismo, ao carregá-los entre continentes.

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